1ª Jornada do Mundial 2010 - Rescaldo (Parte I)

Do França - Uruguai esperava-se um jogo de grande qualidade, sendo que ambas as equipas apresentam individualidades de classe Mundial, principalmente nos respectivos ataques. Porém, o jogo acabou por ser bastante enfadonho, com o Uruguai a fechar as portas da sua baliza. Forlan não marcou mas jogou muito bem, Arevalo Rios (referenciado pelo Sporting CP) mostrou grande competência defensiva e Lodeiro, um dos jogadores que mais expectativas gerava à partida para este Mundial, foi expulso infantilmente, estando em campo apenas durante 18 minutos. No final, o empate sem golos deixa tudo em aberto neste Grupo A, onde a a favorita França terá que mostrar muito mais para se superiorizar a México e Uruguai.
Grupo B (Argentina, Nigéria, Coreia do Sul, Grécia)
A Argentina de Maradona surpreendeu pela positiva na forma como se organizou em campo, criando condições para o aparecimento do seu maior valor individual, Lionel Messi. Apesar do razoável caudal ofensivo que conseguiu criar, a equipa das Pampas nunca esteve completamente segura, uma vez que a ala esquerda nigeriana foi criando algumas situações de maior perigo junto da baliza de Romero, especialmente por intermédio de Obasi. Após a vitória por 1-0 (golo de Heinze), Maradona terá que corrigir o posicionamento dos jogadores que compoem a sua ala direita, não sendo de afastar a possibilidade de Jonas Gutierrez perder a titularidade. Higuain esteve também muito perdulário e tem Milito a Aguero a espreitarem o "onze". Do lado nigeriano, o destaque vai obviamente para Enyeama. O "Gato" negou vários golos a Messi e Higuain, sendo considerado o melhor em campo nesta partida. Poderá dar o salto (actua no Hapoel Tel-Aviv) após o Mundial. Maradona continua a dar espectáculo e promete ser o centro das atenções durante toda a competição.
No outro jogo deste grupo, a Coreia do Sul deu uma lição de contra-ataque à...Grécia de Rehhagel. Os helénicos apresentaram um 4-3-3 excessivamente estático, com 3 avançados practicamente imóveis (Samaras, Gekas e Charisteas), limitando-se a bombear bolas para a grande área sul-coreana. Desta vez o feitiço virou-se contra o feiticeiro e Rehhagel, que se servira de um mortífero contra-ataque para conquistar o Euro 2004, viu Park Ji-Sung rasgar a defesa grega por diversas vezes, servindo o sempre combativo e disponível Park Chu-Young, que só por falta de sorte não marcou neste jogo. O resultado de 2-0 (golos de Lee Jung-Soo e Park Ji-Sung) é inteiramente justo para a melhor equipa asiática da actualidade, que neste jogo demonstrou uma grande solidariedade no capítulo defensivo e muita acutilância na forma como atacou.
Grupo C (Inglaterra, EUA, Argélia, Eslovénia)
Os ingleses chegaram a este Mundial com a moral em alta, mas o empate frente aos EUA coloca a equipa de Capello numa situação compremetedora. Sem Gareth Barry, o treinador italiano colocou os "gémeos" Lampard e Gerrard lado-a-lado no meio-campo. O capitão do Liverpool até começou bem o jogo, com um golo logo a abrir, mas os dois médios criativos acabaram por se anular, não sendo capazes de criar um fio condutor de jogo para a sua equipa. Surpreendentemente, Heskey (provavelmente o elemento menos cotado do "onze" inglês) acabou por ser o melhor da sua equipa. Rooney esteve muito abaixo das expectativas e Green pôs a nú o grande ponto fraco da formação inglesa, a baliza. Os EUA de Bob Bradley mostraram ter a lição bem estudada e não se deixaram abater pelo golo inicial do seu adversário. Donovan conseguiu sempre desequilibrar nas alas e Clint Dempsey é um jogador acima da média, que acabou por ser bafejado pela sorte no golo do empate. Destaque ainda para Jozy Altidore que deu muito trabalho a Terry, King e Carragher.
O Argélia - Eslovénia foi um jogo com pouca história, com duas equipas à procura do erro adversário. Sabendo que quem perdesse dificilmente passaria à próxima fase, ambas as formações foram enrolando o jogo, esperando por algum lance fortuito, que acabou por acontecer já perto do final, com o golo de Koren, um dos melhores em campo, que beneficiou de uma grande falha do guarda-redes Chaouchi. Na Eslovénia, Handanovic é um dos melhores guarda-redes da competição, transmitindo sempre grande confiança ao seu sector defensivo e Birsa é um desequilibrador, partindo das alas para o centro do terreno. Do lado (franco)argelino, destacou-se, pela positiva, Belhadj, um lateral esquerdo de cariz ofensivo que poderá ser atraído este Verão para algum clube de maior dimensão, após a descida de divisão do Portsmouth, onde vinha actuando. Pela negativa, o destaque vai obviamente para o guarda-redes e para Ghezzal, que entrou aos 58 minutos para ser expulso pouco antes do golo esloveno.
Grupo D (Alemanha, Austrália, Sérvia, Gana)
A Alemanha fez a exibição mais conseguida desta primeira jornada. Se é verdade que a Austrália nunca foi ameaça no ataque (jogou sem avançados) e que a veterania dos seus defesas é tabém um handicap para a equipa de Pim Verbeek, também é verdade que Joachim Low trabalhou bem a sua equipa, jogando em 4-3-3. Esta parece-me ser a melhor Alemanha desde 1996 e pode mesmo ser uma real candidata ao título. Lahm é um lateral extraordinário, que não sabe jogar mal, Schweinsteiger ganhou com a sua mudança para o centro do meio-campo (onde foi bem acompanhado por Khedira), Podolski na Selecção é enorme, Muller marca e dá a marcar, Klose é simplesmente letal (já leva 11 golos em 3 Fases Finais de Campeonatos do Mundo). Na vitória por 4-0 (Podolski, Klose, Muller, Cacau), o maior destaque vai para Mesut Ozil, que fez aquela que é até agora a melhor exibição individual deste Mundial. As suas mudanças de velocidade e os seus passes de ruptura partiram ao meio a defesa australiana por diversas vezes e as melhores ocasiões de perigo da Alemanha saíram invariavelmente dos seus pés. Para seguir com atenção. Pela negativa regista-se a expulsão de Cahill, que provavelmente não participará mais neste Mundial. Ridículo.
Sérvia e Gana eram vistos como os principais candidatos ao segundo lugar do Grupo D, sendo que a equipa sérvia era vista como favorita, principalmente face à ausência do "motor" da equipa ganesa, Essien. A primeira parte foi marcada por um grande equilíbrio, com ambas as formações a apostarem preferencialmente nas bolas paradas. Porém, na segunda parte o Gana, comandado por Asamoah Gyan, foi sempre mais perigoso e após uma expulsão (discutível) de Lukovic e um erro infantil e incompreensível de Kuzmanovic (numa altura em que a Sérvia até ía criando perigo junto à baliza de Kingson), o jogador do Rennes acabou mesmo por marcar o golo da vitória na marcação de uma grande penalidade. Gyan foi indiscutivelmente o melhor em campo, com Ayew e Tagoe também em bom plano do lado dos africanos. Na equipa balcânica, Jovanovic foi sempre o elemento mais inconformado. Krasic, Kolarov e Vidic estiveram muitos furos abaixo do esperado. Ficou difícil a tarefa da equipa de Antic e o "fantasma de 2006" já paira sobre a formação sérvia.
2 Passes de rotura:
Já tenho estado a acompanhar mais o Mundial.
Achei Kolarov, Krasic e Birsa jogadores muito interessantes!Provavelmente também muito caros!
Nestes 4 primeiros grupos, creio que já dá para ver umas coisas:
É lógico que México e Uruguai vão combinar o empate no último jogo e deixar A.Sul e França de fora.
No Grupo B, fiquei desiludido com a Grécia no 1º jogo, mas agradado no 2º jogo. Veremos se conseguem passar o grupo no 3º jogo com a Argentina.
No C, acho que a Inglaterra vai passar com a Eslovénia!!se bem que parece estar dificil a Inglaterra marcar a Argélia! Gostei bastante da Eslovénia e dos EUA.
No D, a Alemanha mostrou hoje a "outra Alemanha". Exibição terrível. Por sua vez a Sérvia mostrou "a outra Sérvia". Acho que passam as duas. Duvido que o Gana ganhe a Austrália!
Também gostei do Birsa Tomás. Se bem que na segunda parte com os EUA desapareceu para se começar a ver Donovan, que fez um grande jogo.
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