Recordando...Pauleta

Mais do que simplesmente recordar, este post homenageia um dos melhores avançados que vi jogar com a camisola da Selecção Nacional.
Na minha opinião, o seu melhor cartão de visita é, sem dúvida, ser o melhor marcador de sempre (obviamente que com as devidas proporções) da Selecção dum país que o Rei Eusébio representou.
Pedro Miguel Carreiro Resendes - vulgo Pauleta - nasceu algures no arquipélago dos Açores em 1973, tendo dado o seu nome a conhecer na época 90/91 ao serviço do Santa Clara.
A sua última época nas ilhas foi em 94/95, ao serviço do União Micaelense, tendo ainda defendendo as cores do Operário (dos Açores) em 92/93 e 93/94 (época que acabou a jogar pelo Angrense).

Parte então para o continente em 95/96 para representar o Estoril Praia, que na altura jogava na 2ª divisão de honra. A sua veia goleadora esteve bem patente, tendo conseguido um interessante número de 19 golos nesta primeira época a um nível superior.
No clube da linha, partilhou o balneário com nomes como o mítico e lendário Agatão, Litos (ex-treinador do Estoril e não o assassino ex-Boavista), Curcic, Artur Jorge Vicente , os dois jovens (na altura) Marco Paulo e Nuno Abreu e fez dupla de ataque ainda hoje recordada com saudade com Luís Cavaco.

A sua passagem por Portugal continental foi curta, tendo chamado prontamente a atenção de Espanha e assinado um contracto com o Salamanca no início da época de 96/97.
Na sua primeira época de estreia em Espanha, actuando na 2ª divisão, apontou 19 golos que, não só lhe valeram o troféu Pichichi da segunda liga espanhola - prémio que dividiu com Yordi do Atlético Madrid B -, como também muito contribuíram para a subida do Salamanca ao primeiro escalão do futebol espanhol.
Sem dúvida um projecto de sucesso este do Salamanca mais português de todos os tempos, liderado pelo mestre João Alves.
Tomislav Ivkovic, Bogdan Stelea, Paulo Torres, Miguel Serôdio, Taira, (Manuel) Tulipa, Giovanella, Gabriel Popescu, César Brito e Catanha foram seus colegas de equipa nesta passagem de duas épocas pelo clube de Leão e Castela.

O seu constantemente insaciável instinto goleador e a sua segunda época ao serviço dum primo-divisionário Salamanca, na qual facturou nada-mais-nada-menos que 15 golos, foram um bilhete de passagem (em classe executiva, diga-se) para um poderoso Depor(tivo da Corunha), no início da época 98/99.
Representou o clube galego por duas épocas, tendo marcado 33 golos em 92 jogos e sagrando-se campeão espanhol na época de 99/00 - primeiro título da história do clube, para o qual contribuiu bastante.
Ao serviço do Deportivo da Corunha, teve a honra de jogar ao lado de ícones como Mauro Silva (que ainda hoje se pergunta como é que a sua longevidade não lhe permitiu a transferência para o AC Milan) e Djamlinha e de nomes conhecidos de todos nós como Manuel Pablo, Romero, Naybet, Donato, Hélder (Cristóvão), Flávio Conceição, Mustapha Hadji, Fran e Turu Flores.

Após o seu primeiro título (do qual a maioria dos portugueses não se pode gabar de ter ganho), rumou a França para representar o Bordéus - tendo "mostrado quem mandava" logo na sua estreia, ao apontar um hat-trick.
Esteve três épocas em Bordéus, tempo suficiente para marcar 65 golos em 98 jogos, ser eleito por duas vezes o futebolista do ano em França e jogar ao lado de Dugarry, Smertin, Bruno Basto, Marc Wilmots, Alain Roche, Dhorasoo, Marco Caneira e o, ainda jovem, marroquino Marouane Chamakh.

Na época de 03/04 assinou por aquele que viria a ser o seu último clube, o Paris SG. Assinou inicialmente um valioso contrato de 3 anos, que lhe renderia a módica quantia de 12 milhões de euros, mas acabaria por jogar 5 épocas pelo clube do qual se tornou uma figura histórica e muito admirada.
Ao serviço do clube da capital francesa ganhou um Taça de França, apontou 76 golos em 168 jogos e jogou na mesma equipa de Gabriel Heinze, Juan Pablo Sorín, Hugo Leal, Déhu, Ibisevic, Cardetti, Yepes, Mendy, Carlos Bueno, Luyindula e Cristian Rodriguez.

A nível de Selecção, realizou 88 jogos, marcou os 47 golos que ainda hoje lhe valem o "prémio" de melhor marcador de sempre da história da Selecção Nacional e esteve presente em dois europeus (2000 e 2004) e dois mundiais (2002 e 2006).
Ao longo de todos os anos em que representou o seu país jogou com Luís Figo, Rui Costa, João Vieira Pinto, Fernando Couto, Vítor Baía e Rogério Matias.

Retirou-se do futebol profissional com 35 anos repletos de golos e de sucessos, com a "frustração" de nunca ter jogado pela primeira liga do seu país. Falta de reconhecimento injusta a meu ver, pois tinha tudo para ter sido o matador de qualquer um dos três grandes.

Nome completo: Pedro Miguel Carreiro Resendes
Alcunha: Pauleta; Ciclone dos Açores
Nacionalidade: Portuguesa
Data de Nascimento: 28 de Abril de 1973
Carreira como jogador:

90/92 - Santa Clara
92/94 - Operário/Angrense
94/95 - União Micaelense
95/96 - Estoril Praia 30(19)
96/98 - UD Salamanca 71(34)
98/00 - Deportivo 58(18)
00/03 - Bordéus 98(65)
03/08 - Paris SG 168(76)

Selecção Portuguesa: 88(47)

Títulos:
Campeão Espanhol em 2000
Vencedor da Taça da Liga Francesa em 2002 e 2008
Vencedor da Taça de França em 2004 e 2006

18 Passes de rotura:

Tomás Pipa 24 de fevereiro de 2010 às 10:15  

Lol,parti-me a rir com isso do Rogério Matias e do Mauro Silva

Pedro Veloso 24 de fevereiro de 2010 às 10:36  

Lol eu também!

Manu Pauleta era muito bom, mas não partilho da paixão, sempre que achei que era um flop nos grandes jogos, mas se calhar estava a ser injusto. Ou se calhar sempre olhei para ele injustamente com desconfiança por nunca ter jogado num grande, uma espécie de Edinho em bom.

(Por falar em Edinho, já viram os vídeos dos adeptos do Paok nos golos contra o Panathinaikos? Que inferno...e o Fernando Santos em grande)

O post está excelente e muito informativo, acrescentava só no Depor o avançado que tapava Pauleta, Roy Makaay!

João 24 de fevereiro de 2010 às 11:14  

Bom post Manú! Na selecção, o eterno flop nas fases finais para uns, um matador paras as fases de qualificação para outros, a verdade é que quando saiu é que todos viram a falta que fazia (sempre o achei, nem que fosse para as fases de qualificação!). A nível de clubes, uma máquina, marcador de golos de bandeira! Deixo só aqui uma informação que acho importante: Pauleta foi o melhor marcador de sempre no PSG, com 109 golos em 211 jogos, isto em todas as competições no clube Francês. Tinha já a certeza desse facto mas fui confirmar:

http://www.psg.fr/fr/Article/003001/Article/45241/Pauleta-cinq-saisons-inoubliables

E parabéns ao Porto e Benfica pela excelente campanha Europeia, que continuem!

Numero Dez 24 de fevereiro de 2010 às 12:02  

Ja foi aqui tudo dito, a minha opinião é também a de que se podia contar com ele na qualificação e nas fasesfinais era um autentico desastre. Nunca gostei de pauleta. Mas terei de reconhecer que fez coisas de relevo. Bom post manu!

salvador 24 de fevereiro de 2010 às 13:04  

em tom de perestrello: "rogeeeeriohhhhhh mátiááááasssshhh". ganda post manu

Anonimum 24 de fevereiro de 2010 às 13:58  

Quem é o Rogério Matias? Deve ser uma das invenções do SARGENTÃO!!!!!!!

Joaquim Quadros 24 de fevereiro de 2010 às 15:05  

Excelente Manú, mas que pesquisa exaustiva!

Deixa-me que te diga, enquanto teu ex-parceiro de balneário no afamado tempo de Domingos Sávio, que entre as tuas parecenças futebolísticas (várias) com esta "legenda" do futebol nacional, sempre tiveram uma acentuada veia em comum: o carinho pelo Limiano.

Avé Rogério Matias e...Toni!

João S. Barreto 24 de fevereiro de 2010 às 15:33  

Muito bom Manu, tambem me ri com o Carlos Bueno e principalmente R.Matias, sempre bom lembrar-mos os jogadores de elevado gabarito a quem Scolari ofereceu internacionalizações.

Nunca gostei do Pauleta na selecção pelas razões que já foram defendidas em cima por outras pessoas. Um jogador que em 4 fases finais de grandes competições marcou 4 (frente a Polónia e Angola...) golos não pode ser o grande goleador da Selecção. Durante os anos em que foi internacional, o titular deveria ter sido Nuno Gomes, talvez em certa altura Postiga pudesse ter tido uma oportunidade.

Penso que teria tido sucesso em Portugal num grande, marcar ao Belenenses ou ao Lichtenstein é mais ou menos a mesma coisa.

Pedro Veloso 24 de fevereiro de 2010 às 15:40  

Manú o Cacais foi teu treinador lol?

Não sei se não foi o Agostinho Oliveira que se lembrou do Rogério Matias, naquele período de transição entre Oliveira e Scolari.

Tomás Pipa 24 de fevereiro de 2010 às 15:59  

vou dizer uma coisa polémica: Eu concordava com a chamada do Rogério Matias, era tão bom a centrar como o Beckham.

João S. Barreto 24 de fevereiro de 2010 às 16:04  

De facto é polémico Tomás.

Manú 24 de fevereiro de 2010 às 16:05  

veloso fui treinado pelo mestre cacais e pelo délio valente.

cacais a certa altura da época que estávamos a lutar para nao descer e ganhámos um jogo importante fora saiu-se com a seguinte frase: "parabens malta, esta vitoria foi uma ALMOFADA de ar fresco"

Tomás Pipa 24 de fevereiro de 2010 às 16:49  

Rogério Matias chegava ali à linha do meio campo e pimba,chuveirinho com qualidade para cima da área!Eram centros de morte que saiam daquele pé esquerdo nº45!

Realmente é com saudade que me lembro de olhar para os melhores marcadores da II LIga e ver lá sempre Pauleta e Cavaco do Estoril!!

Numero Dez 24 de fevereiro de 2010 às 17:44  

lol! Almofada de ar fresco! Havia aqui um bronco na zona que tinhaa mania que entendia de futebol. Tanto insistio que num torneio de verão de futsal la convidaram o homem para treinar a equipa, um dia chegou ao balneário a dizer que tinha uma tactica inovadora que estudou em casa, dz que teve horas e horas a estudar sobre essa tactica e depois diz... Hoje vamos jogar em 2-1-2!Gargalhada total...

João S. Barreto 24 de fevereiro de 2010 às 18:12  

lol Manú tou mm a imaginar o Cacais dizer isso, grande personagem digno de Liga dos Ultimos

Pedro Veloso 24 de fevereiro de 2010 às 18:27  

Nº 10, uma vez fui a um torneio de Verão de futsal a Grândola e apareceu-me um do género, se calhar era o mesmo!

lol lembro-me quando gozavam com o Cacais por ele ter uma bola dentro de si

Anonimum 24 de fevereiro de 2010 às 19:22  

Acho que esse cascais está ao nível do nosso JJ, ..... tipo supersumos......

Anonimum 24 de fevereiro de 2010 às 19:22  

Acho que esse cascais está ao nível do nosso JJ, ..... tipo supersumos......