Recordando...Bilro

No dia das mentiras (1 de Abril) de 1971 nasceu em Borba aquele que viria a ser um dos mais mediáticos e mais regulares defesas direitos da história da Liga Portuguesa. Luís Miguel Bilro Pereira.
Tendo chegado às camadas jovens do Sporting com apenas 16 anos, vindo da equipa de Iniciados do Seixal, Bilro cumpriu os 4 anos anos correspondentes aos escalões de Juvenis e Júniores de leão ao peito.
No entanto, no ano de subida aos séniores (89/90) não foi capaz de convencer os responsáveis leoninos - entre eles o treinador Manuel José - a apostarem nele e darem-lhe o direito a jogar com Tomislav Ivkovic, Vital, Portela, Leal, Paulo Torres, Marinho, Amaral, Oceano, Litos, Luís Figo, Carlos Manuel, Carlos Xavier, Jorge Cadete, Fernando Gomes, Marlon Brandão e o nosso comentador assíduo Paulinho Cascavel.
Regressou então, para "rodar a título definitivo", ao seu Seixal e por lá ficou até ao fim da época. Realizou 30 jogos nos quais primou pela regularidade, não tendo marcado qualquer golo.
Fruto da boa prestação na sua primeira época a nível sénior (a jogar no clube que o viu nascer para o futebol), no ano seguinte (90/91) apareceu logo o Atlético Clube de Portugal a mostrar interesse no seu passe.
Ficou pela Tapadinha também apenas um ano, tendo voltado a fazer uma época extremamente positiva. Jogou 36 jogos, tendo marcado 5 golos (belos números para um defesa direito). Nesta sua curta passagem por Alcântara encontrou Rosário (actual adjunto de Fernando Santos) e Paulo Pilar.
Na época seguinte (91/92) deu finalmente "o salto" para um futebol mais competitivo: assinou pelo Olhanense que tinha acabado de subir à 2ª Divisão de Honra (actual Liga Vitalis) depois de vários anos de jejum e amargura.
Voltou a ser bastante regular em Olhão. Completou 34 jogos e conseguiu 2 golos. Números que, apesar de tudo, foram insuficientes para conseguir manter o Olhanense no 2º escalão do futebol português.
Começava a nascer em Portugal um defesa direito de valor moderado, que mostrava ter fibra para aguentar uma época a bom nível num clube de segunda linha.
Este facto não passou despercebido ao Sporting e, passados os três anos desde que deixou Alvalade, Bilro estava de volta ao seu clube do coração. O seu esforço, dedicação, realismo e profissionalismo tinha sido recompensado com o tão ansiado regresso.
A equipa leonina de 92/93 era orientada por Sir Bobby Robson - que tinha como adjuntos Manuel Fernandes e... José Mourinho - e contava nas suas fileiras com jogadores como Stan Valckx, Pedro Barny, Fernando Nélson, Emílio Peixe, Krassimir Balakov, Nuno Capucho, Hugo Porfírio, Ivaylo Iordanov, Andrzej Juzkowiak, Serhiy Cherbakov e (ainda com) Luís Figo e Jorge Cadete.
No entanto, o defesa direito não chegou a ser opção em nenhum jogo oficial do Sporting nesse ano.
Estava assim confirmado que Bilro era jogador para outros palcos, ainda que um pouco superiores aos que havia pisado até então.
À procura de encontrar um clube que acreditasse no seu valor e que o pusesse a jogar, foi ao encontro de Manuel Cajuda em Leiria.
A sua primeira época (93/94) no Liz não podia ter corrido melhor, com 22 anos Bilro completou 36 jogos pela equipa principal da União e a sua regulraridade (em conjunto com a fumaça de perigo criada pelo pontapé canhão do seu colega Dinda) foi um dos pilares em que a equipa se sustentou para conseguir o segundo lugar na classificação final e a consequente subida ao primeiro escalão do futebol português.
A sua primeira passagem pela 1ª Liga durou 3 épocas, conseguindo ajudar o clube a chegar a um 6º lugar (94/95), a um 7º lugar (95/96) e não conseguindo evitar a inesperada descida em 96/97.
Nestas 3 épocas no escalão principal completou jogou ao lado de Tahar El Khalej, Lula, Nélson Bertolazzi, Luís Miguel, Paulo Duarte, Álvaro Gregório, Hugo, Poejo, Luís Vouzela, João Manuel, Quinzinho, Kwame Ayew e reencontrou Hugo Porfírio.
Voltou então à 2ª Liga na época 97/98. No entanto, esta situação foi sol de pouca dura, pois, com o "dinossauro" Vítor Oliveira no comando técnico, o domínio nesta prova foi total e a subida não foi mais que uma mera formalidade que premiou os 70 pontos conseguidos pela equipa leiriense.
Neste ano Bilro completou 38 jogos e conseguiu um golo. Realmente impressionante a regularidade deste jogador até então. Tirando o Sporting de Sir Bobby Robson, jogou praticamente todos os jogos em que as suas equipas participaram desde o início da sua carreira.
Com a natural revolução que o plantel levou nessa época, Birlo viu sair muitos jogadores mas viu chegar ao Liz os ganeses Mark Edusei, Emmanuel Duah e Maxwell Konadu, bem como a jovem promessa Sérgio Nunes e ainda o cunhado de Nuno Gomes, Jorge Silva.
De volta à primeira liga, foi por lá que terminou a sua carreira ao mais alto nível. Entre 98/99 e 03/04 viu sempre o Leiria terminar as épocas na primeira metade da tabela, com dois 5ºs lugares, um 6º, um 7º e dois 10º.
Foi também nesta fase, mas precisamente em 01/02, que voltou a reencontrar José Mourinho.
Nesse ano, para além de ter sido treinado pelo melhor treinador que já alguma vez sonhou ter, viu passar por Leiria um dos melhores plantéis da sua história: Paulo Costinha, Nuno Laranjeiro, Éder, Renato, Nuno Valente, João Paulo, Tiago, Silas, Leão, Jacques, Maciel e Derlei.
Foi também o seu melhor ano de primeira liga em termos de exibicionais (ou não fosse Mourinho o seu treinador). Alinhou em 32 jogos e conseguiu 4 golos.
No global desta segunda passagem de 6 épocas pela prova rainha do nosso futebol, Birlo completou 187 jogos e molhou a sopa por 13 vezes.
Já em fase verdadeiramente descendente da sua carreira, já com 33 anos, Luís Miguel decidiu abraçar projectos de menor envergadura, assinando pelos Dragões Sandinenses em 04/05. Nessa mesma época ainda se transferiu para o Lusitânia, mas já não valia a pena continuar. Os 437 jogos que jogou em provas nacionais e os 21 golos que marcou já faziam as chuteiras pedirem para ser penduradas.
Depois de pendurar as chuteiras - chuteiras essas que muitos cantos directos marcaram (e muitos mais tentaram!) -, era agora altura de jogar descalço. Em 2005 decidiu aceitar o convite do Seleccionador Nacional José Miguel e enveredou pelo futebol de praia.
Tinha chegado finalmente o merecido reconhecimento e a tão ambicionada chegada à Selecção.
Fruto do relativo sucesso que teve nos areais, viu a porta do clube do seu coração ser-lhe de novo aberta em 2008, desta vez para representar a equipa de futebol de praia do Sporting. E por lá tem andado até hoje.
Sem dúvida um dos históricos da primeira liga, um bom defesa direito e um grande capitão.
P.S. - Como curiosidade fica a nota para o sucesso que a carreira de locutor de rádio tem vindo a ter.

12 Passes de rotura:

João S. Barreto 21 de abril de 2010 às 12:16  

Espectacular Manú.

Bilro era um defesa direito bastante razoável para clubes do meio da tabela. Mas como dizes, não dava para mais.

Grandes nomes passaram pelo U.Leira nestes anos e a equipa de Mourinho era fantástica. Ou melhor, ainda não percebi se já o era ou se foi ele que a tornou fantástica.

Paulo Silva 21 de abril de 2010 às 12:58  

Sobretudo era bastante regular... Agora no futebol de praia tem estado em crescendo, ao inicio nao gostava muito mas nos ultimos jogos que vi ate tem jogado bem...

http://portuguesesnoestrangeiro.wordpress.com/

Pedro Veloso 21 de abril de 2010 às 15:08  

LOL! Manu esta impecavel, o que eu me ri a ler isto.

Dinda!! Que grande pontapé tinha esse senhor, borrava-me todo quando armava o remate de longe contra o SLB. Lembras-te quem dizia "fumaça de perigo"? Era o José Carlos Soares quando estava na TVI, hoje "brilha" (salvo seja) na Benfica TV.

Não fazia a mínima ideia que o Bilro tinha estado nos seniores do SCP, sempre o conheci leiriense!

Paulinho Cascavel chegaste a conviver com esta lenda no balneário de Alvalade?

Manu o (eterno) adjunto do Fernando Santos tem que levar Jorge antes do Rosário, é assim que é conhecido no mundo do futebol.

O Bilro agora está na rádio?? Onde?

Acho que o presidente-dinossauro João Bartolomeu chora se lhe mostrarem este post sobre os tempos gloriosos do Leiria.

Pedro Veloso 21 de abril de 2010 às 15:12  

Tomás não te esqueças de recordar o visual do Bilro num daqueles programas de Verão da RTP sobre o Mundial ou Euro, não tive o prazer de assistir lol

Tomás Pipa 21 de abril de 2010 às 15:15  

Lol, eu sugeri ao Manú falar sobre esse visual.

Acho que era no Euro2004. Bilro foi ao programa do Carlos Daniel com uma camisa de manga a cava de ganga aberta para aí 3 botões com uma gravata. Hilariante!!

Maciel 21 de abril de 2010 às 21:11  

Rei

Sá Pinto 21 de abril de 2010 às 21:25  

fummmaaaaaaça de perigo aqui..na tvi. futebol de qualidade era mesmo na tvi. que risota

João S. Barreto 21 de abril de 2010 às 22:41  

Veloso o Bilro tem um programa numa rádio de Leiria, se não me engano!

A VERGONHA CONTINUA...É ATÉ AO TITULO 22 de abril de 2010 às 15:07  

Sexta-feira (23/4)
Rio Ave-Marítimo, Cosme Machado (AF Braga)

Sábado (24/4)
V. Setúbal-FC Porto, Pedro Henriques (AF Lisboa)
Benfica-Olhanense, Lucílio Baptista (AF Setúbal)

Domingo (25/4)
Leixões-Académica, João Ferreira (AF Setúbal)
Nacional-P. Ferreira, Bruno Esteves (AF Setúbal)
Naval-Sp. Braga, Jorge Sousa (AF Porto)
U. Leiria-Sporting, Marco Ferreira (AF Madeira)

Segunda-feira (26/4)
V. Guimarães-Belenenses, Paulo Costa (AF Porto)

Anónimo 22 de abril de 2010 às 15:11  
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Manuel 22 de abril de 2010 às 15:34  

Imprensa Catalã arrasa com o Olarápio:

http://www.sport.es/default.asp?idpublicacio_PK=44&idioma=CAS&idnoticia_PK=706858&idseccio_PK=803

João 24 de abril de 2010 às 11:56  

Fantástico, o grande Bilro!Quando me lembro dele recordo logo a dream team do Leiria e o também já mítico Laranjeiro que aí mencionaste! Também não não achei nada de especial no futebol de praia mas agora o que vou vendo parece-me mais regular. O próximo para o Brasil
é o Maicon ,vai ser cada bojarda...