
Antes de mais, queria dizer que sempre acreditei neste apuramento. Sempre o tentei justificar pelo facto racional de, na minha opinião, a maior parte das vezes termos jogado bom futebol, criado muitas oportunidades de golo e o azar ter estado sempre presente, e não pela irracionalidade derivada da paixão por futebol e pela nossa Selecção.
Reconheço erros óbvios a Queiroz durante a fase de qualificação, mesmo tendo o trabalho acrescido de moldar e renovar uma equipa à sua medida após a saída de um treinador que lá esteve 6 anos (e que fez um óptimo trabalho), mas, insisto, foi em grande parte o azar o nosso maior adversário à qualificação (natural) a tempo e horas.
Nesta parte final da qualificação as coisas começaram a correr melhor em termos de sorte e eficácia e conseguimos, ainda que com a ajuda da Suécia, ir jogar o Play-off.
Tendo sido a Bósnia a sorteada (em teoria não foi a mais difícil que poderia ter calhado, mas também não a mais fácil), Portugal não tinha a mínima desculpa, nem mesmo o azar, para não se qualificar
com tranquilidade! Bem sei que os bósnios são combativos, era difícil ir lá jogar (como se viu hoje), etc., mas os nossos argumentos são claramente superiores a uma formação que nunca esteve presente numa grande competição.
Depois de uma primeira mão em que conseguimos uma vitória pela margem mínima, num jogo onde tanto poderíamos ter marcado mais um ou dois golos como podemos estar agradecidos ao poste e à barra, e onde se viu que os bósnios batem em tudo o que mexe, jogamos hoje a segunda mão da eliminatória num jogo em que fomos claramente superiores e em que o estado do relvado meteu pena, prejudicando claramente o futebol de ambas as equipas, bem como a velocidade e intensidade do jogo.
Na primeira parte estivemos muito na expectativa, dando a iniciativa de (fraco) jogo à Bósnia, tentando o contra-ataque, que nem sempre saiu da melhor forma. Controlamos completamente os acontecimentos nos primeiros 45 minutos. Só me lembro dum lance bósnio que me fizesse temer perigo, um remate do nº7 Haris Mendunjanin, assistido por Ibisevic, que saiu forte mas por cima da baliza de Eduardo (que leva o recorde de guarda-redes com mais minutos consecutivos sem sofrer golos na baliza da Selecção, segundo o sábio comentador e treinador - a espaços - Toni).
Mesmo não tendo a iniciativa do jogo em grande parte do primeiro tempo, a qualificação poderia ter ficado logo selada, não fosse Meireles, um dos melhores em campo hoje (mais na segunda parte), aos 25’ ter desperdiçado um golo fácil após grande combinação com Tiago no meio da defesa bósnia.
Sobre a primeira parte, ainda a registar a dualidade de critérios do árbitro italiano Roberto Rosetti em termos de amostragem de cartões em benefícios da seleção bósnia - bem ao jeito da pouca vergonha pela qual nos fez passar na Suécia, nesta mesma qualificação - e a nossa concentração defensiva (permitam-me destacar Bruno Alves e Duda).
A segunda parte foi algo diferente. A Bósnia entrou de início com a “carne toda no assador” (Avé Quinito e Manuel Cajuda), tendo o avançado Zlatan Muslimovic entrado para o lugar do médio Haris Mendunjanin.
Nos primeiros 10 minutos a equipa da casa tentou dar alguma intensidade ao seu jogo, tendo mesmo chegado a assustar um pouco mais por intermédio do grande avançado Dzeko, ainda que em fora de jogo, e por Pjanic, com um remate forte a passar perto da baliza portuguesa. Neste primeiro quarto de hora há ainda a registar um bom lance de Nani pela direita, ao qual Liedson não conseguiu dar o melhor fim e um

centro algo perigoso por parte do lado direito do ataque bósnio, em que os centrais portugueses permitiram um (raro) cabeceamento a
o adversário.
À passagem do minuto 56’ lá apareceu o tão desejado golo da tranquilidade, por intermédio de um dos preferidos de Queiroz (totalista neste apuramento), Raul Meireles.
A partir daí, com a eliminatória ganha, Portugal passou a controlar o jogo, tendo ainda mais três ou quatro claras oportunidades de ampliar a vantagem, contra duas da Bósnia, uma delas em que Dzeko acertou nas orelhas da bola em boa posição de facturar. Continuámos concentrados na defesa (aqui destaque para a boa segunda parte de Paulo Ferreira em termos defensivos e para a defesa de Eduardo a um livre forte de Pjanic, a par do único avançado do Wolfsburg hoje em campo, o mais inconformado).
Tempo ainda para assistir a cenas lamentáveis, como o arremesso de objectos por parte dos adeptos bósnios e a entrada em campo de Edinho (golos daqueles não se podem falhar!).
Últimos destaques:
- mais um grande jogo de entrega de Liedson. Mesmo não marcando, faz com que a equipa marque. É o avançado que faltava desde o abandono de Pauleta.
- quem disse ao Bruno Alves que ele sabia lançar jogo de pé esquerdo? Terá sido a mesma pessoa que disse a João Manuel Pinto que ele sabia fazer passes longos?
- a meu ver, “é pena” que Duda tenha jogado bem hoje (ao contrário do que fez na primeira mão), pois está a justificar um lugar para o qual penso que ele não serve.
- a continuar com exibições destas a nível ofensivo, ainda que importante tacticamente, Simão não pode continuar a reclamar o lugar da maneira que tem feito.
- infelizmente, parece-me que Queiroz hoje confirmou a ida de Edinho à África do Sul.
Em conclusão, está consumado o apuramento para mais uma grande competição (desde o EURO’96 só falhamos uma, e com a válida desculpa de sermos treinados por Artur Jorge) e agora resta-nos esperar pelo que o sorteio dos grupos irá ditar (sabendo à partida que não somos cabeças de série).
Para mim somos candidatos!
P.S. - Um
a pal
avra de apreço ao “madeirense” Pecnik (golo muito importante na prime

ira mão), à sua Eslovénia, que carimba assim a sua segunda presença na fase final dum Campeonato do Mundo ao eliminar uma das selecções do momento (quanto mais não seja por ser treinada por um dos melhores treinadores em actividade), a Giovanni Trappatoni que esteve perto de bater o pé a uma França longe do seu melhor (mesmo assim prefiro não os defrontar no Mundial) e que foi escandalosamente ajudada pelo árbitro, tendo este considerado válido o golo de Gallas (assistido por Henry, que dominou a bola com o braço).
A Grécia confirmou o seu (pouco) favoritismo diante da Ucrânia na eliminatória mais equilibrada do Play-off europeu, e o Nacional da Madeira vê no dia de hoje serem qualificados dois jogadores do seu plantel (Halliche, pela Argélia do também nosso conhecido Yebda, e Pecnik) para o Mundial.