Recordando...Jaime Pacheco

"Ou passa o homem ou passa a bola" é mais do que uma frase, é a filosofia de jogo que fica para sempre ligada a este homem do futebol português.

Nascido a 22/7/1958, Jaime Moreira Pacheco iniciou a sua carreira profissional como médio defensivo em 1979/80 ao serviço do F.C. Porto, clube que serviu até 1984, quando se transferiu para o Sporting, inserido no negócio Paulo Futre, que fez o caminho inverso. Foi também durante a sua primeira passagem pelo F.C.P. que se estreou pela Selecção Nacional, somando na sua carreira 25 internacionalizações. Após a passagem pelo Sporting, regressa ao Porto em 1986, servindo os azuis e brancos durante 3 épocas. É nesta altura que a carreira como futebolista inicia a fase descendente, representando até 1994 (altura em que se retira), Vitória de Setúbal, Paços de Ferreira e Sporting de Braga.


No ano seguinte a pendurar as botas estreia-se como treinador do Rio Ave, passando em seguida um ano no União de Lamas. Mas é quando chega a Guimarães em 1996 que começa a ser mais bem sucedido, alcançando uns excelentes 5º e 3º lugares ao serviço so Vitória. É então contratado pelo Boavista, clube ao qual havia de ficar ligado para sempre, historicamente falando.

No Boavista forma uma equipa muito competitiva, capaz de lutar de igual para igual com os 3 grandes, alcançando na época de 2000/2001 o título de campeão nacional, único na história do clube. A sua equipa era formada por jogadores como Ricardo, Litos, Pedro Emanuel, Rui Bento, Petit, Jorge Couto, Sanchez, Martelinho, Duda, Elpídio Silva, etc... Sob o seu comando no Boavista jogaram também alguns jogadores marcantes no futebol português na década de 90 como Timofte, Douala, Ayew, entre outros. O Boavista era uma equipa agressiva, onde a frase "do pescoço para baixo é canela" era palavra de ordem. Todos os jogadores eram obrigados pelo seu treinador a utilizar pitons de alumínio, intimidando os avançados contrários. Na época de 2002/2003, já sem muitos dos seus jogadores campeões nacionais, Jaime Pacheco leva a sua equipa às meias-finais da Taça UEFA, onde perde com o Celtic de Glasgow (golo do inevitável Larsson no Bessa perto do final). Este feito projectou o treinador no mercado estrangeiro, assinando no final da época pelo Mallorca, que havia conquistado a Taça do Rei.



Contudo, apesar do sucesso que havia tido no Boavista, a vida não lhe corre bem em Espanha, perdendo a Supertaça para o Real Madrid de Carlos Queiroz e semeando conflitos no balneário, nomeadamente com Eto'o, jogador que colocou na lsita de dispensados. A experiência acabaria por ser curta, saindo a meio da temporada. A sua carreira entrou então em fase descendente, regressando a Portugal para representar Boavista (2 vezes), Guimarães e Belenenses. Todas estas 3 equipas acabaram por descer de divisão sob o comando deste treinador, embora o Boavista o tenha sido devido a corrupção e o Belenenses acabou por ser salvo na secretaria. Nesta passagem pelo Boavista chamou "doente mental" a José Mourinho, no Belenenses disse que sonhava ser campeão. Da sua passagem pelo Guimarães fica também aquele famoso amigável com o Benfica, uma autêntica batalha campal.

Procurando maior sucesso e melhores condições financeiras, ruma ao Al-Shabab da Arábia Saudita, onde este ano conquistou a Taça local (Taça do Príncipe), que diz ter sido o seu "renascer das cinzas".

Admite voltar um dia ao futebol português. Diz que podia ter sido treinador de Benfica e Sporting, mas que o facto de ter sido campeão lhe fechou muitas portas. Para sempre ficam as suas conferências de imprensa com óleo do rissol a brilhar no queixo, a sua hiper-actividade no banco de suplentes e a sua filosofia de jogo (como jogador e como treinador) agressiva, quase violenta. O seu sucesso no Boavista há de para sempre ficar manchado pela corrupção provada da família Loureiro na presidência do clube.

24 Passes de rotura:

salvador 23 de janeiro de 2010 às 16:38  

sem duvida o oleo do rissol antes da conferencia de imprensa e um marco. muito boa análise. renscer das cinzas na arabia saudita tmb n deve ser mto dificil. ehehe

Numero Dez 23 de janeiro de 2010 às 17:22  

Mto bem João!Cada vez mais a provares ter sido um reforço de inverno muito importante po settore. E já mostraste mto mais que o pongolle ;)
abraço

João 23 de janeiro de 2010 às 18:58  

Grande post joão:) Jaime pacheco é um mítico e uma autêntica pérola do futebol nacional! Já estava meio esquecido do conflito com o Etoo, salvo erro porque o mesmo não queria treinar de calções com o frio que estava! Jaime Pacheco além de ser o ex-libris da filosofia de jogo que referiste, foi também um grande tutor, ao imbuir inúmeros pupilos da mesma em equipas cuja filosofia também as tornava paraísos para a implementação da mesma: boavista ou Guimarães. Realço por ex. os carrinhos assassinos e deslizantes do Tiago (ex Fc Porto) a pés juntos em tempo de chuva:P

João S. Barreto 23 de janeiro de 2010 às 19:04  

Exacto João, enquanto escrevia e recolhia informação para este post, não pude deixar de reparar na quantidade de jogadores treinados pelo Jaime Pacheco que seguiram a sua "escola". Além do Tiago, também o Petit, Litos, Paulo Turra, Pedro Emanuel, Avalos, Flávio Meireles etc... enfim, verdadeiros carniceiros do futebol nacional. Também não me lembrava da razão da discussão com o Eto'o mas por acaso tinha a ideia de o Jaime ter mesmo dito que ele era um jogador sem qualidade. É mais provável eu estar enganado e a razão dos calções ser a verdadeira, atendendo ao dificil feitio do Eto'o.

João 23 de janeiro de 2010 às 19:29  

Exactamente!Uma extensa linha de durões! Deixa-me só rectificar, o Petit desde que foi para o Benfica passou de carniceiro a jogador "com raça", independentemente de ter deixado de ser tão violento como no bessa lol!

Fiquei curioso com a confirmação história dos calções. O J. Pacheco subscreve:
http://www.ionline.pt/interior/index.php?p=news-print&idNota=32901

paulinho cascavel 23 de janeiro de 2010 às 19:37  

belo texto! no entanto, não mencionares a expressão "jogar à defesa pode ser uma faca de bois legumes" é uma falha imperdoável! ahah

um absoluto clássico do futebol nacional, jaime pacheco, o carniceiro do bessa!

João S. Barreto 23 de janeiro de 2010 às 19:44  

lol Paulinho também vi essa enquanto pesquisava alguns videos de conferencias de imprensa do Pacheco, uma verdadeira pérola! A frase foi em relação a marcar o marcelinho e não jogar à defesa em geral. só uma curiosidade!

Obrigado pelo esclarecimento João, de facto não consegui encontrar nada sobre o tema, lembrava-me apenas do incidente.

paulinho cascavel 23 de janeiro de 2010 às 19:56  

*dois legumes, leia-se

LMC 23 de janeiro de 2010 às 20:31  

Era mesmo isso que vinha aqui comentar Paulinho Cascavél!Uma faca de dois legumes...
João,muitos parabéns!
Para ser perfeito só faltava uma fotografia com a camisola do Sporting.

Aproveitem para fazer um post sobre o Domingos Paciência,o melhor ponta de lança Português dos ultimos tempos!

Pedro Veloso 23 de janeiro de 2010 às 21:24  

Jaime Pacheco, o que eu me ri a ler o post e os comentários acima, a recordar momentos inesquecíveis e essa incrível escola de caceteiros, de que destaco o Ávalos! Tinha uma cara que metia medo ao susto!

Naturalmente só o vi jogar no fim da carreira, mas o meu pai diz que era um excelente jogador e mais um careca no FC Porto dos anos 80. Parecido com o Toni do Benfica, um carregador de piano e pulmão inesgotável mas com mais talento (o Toni era assim mais um Fernando Aguiar de qualidade, o que o Terceiro Anel adorava).

João Barreto, grande post a que só faltou a resposta do Mourinho: "Pacheco só tem um neurónio e mesmo esse funciona mal"

Foi contratado pelo Boavista em 97/98 depois de ter sido incrivelmente despedido, numa daquelas decisões à Pimenta Machado, quando seguia em 2º ao leme do Vitória.

Manú 23 de janeiro de 2010 às 21:32  
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Manú 23 de janeiro de 2010 às 21:32  

nao foi jaime pacheco q tambem disse: "nao façam de mim bode respiratório"?

Pedro Veloso 23 de janeiro de 2010 às 23:28  

Foi Manú! E fui ver à net e não era ele, era o Boavista! Não façam do Boavista um bode respiratório.

Manú 24 de janeiro de 2010 às 00:31  
Este comentário foi removido pelo autor.
Manú 24 de janeiro de 2010 às 00:32  

veloso no natal recebi um livro que acho q se chama 30 anos de mau futebol (que é a transcriçao de todas essas frases ditas míticas) mas nao o trouxe para ca. mal chegue a lisboa faço um post com as melhores.

para já, deixo-vos com as minhas duas preferidas que nao me esqueci:
Jorge Jesus: "voces os 3 formem um quadrado"
LFV: "pelo peixe morre a boca"

Tomás Pipa 24 de janeiro de 2010 às 11:32  

João,só uma referência a Cléber,o maior porco sujo que passou em Portugal nos últimos tempos. Quem se lembra da época em que Cléber viu 17 amarelos e 3 vermelhos?

Quanto ao J.Pacheco,eu vou sair em sua defesa. Grandes trabalhos com o Vit.Guimarães(da primeira vez) e com o Boavista. No Mallorca correu mal mas eu já esperava, Pacheco é demasiado saloio para treinar numa Liga muito superior e como é óbvio o futebol que praticava não dá resultado em Espanha porque os relvados são muito maiores e a qualidade das outras equipas é outra.Voltou ao Vit.Guimarães e desceu(a meias) de divisão,sinceramente acho que ele foi o menos culpado,se bem me lembro não foi ele que fez o plantel e ele sempre se queixou disso,que só lhe mandavam "merda" para compor o plantel e que não o deixaram trazer os jogadores que queria porque não tinham nome para um Vit.Guimarães galático. Foram buscar Rivas,Gallardo,Svard tudo contra indicação de Pacheco.No Belenenses era dificil fazer melhor e o Jaime esteve perto,Pacheco nunca deveria ter aceite aquele trabalho que estava mais que condenado.Só se queimou.Eu gosto muito do Jaime Pacheco e espero mesmo que ele volte para a nossa Liga,mas que seja um projecto à sua imagem.Pegar numa equipa de gatos-pingados,reforçar-se a seu gosto (lá nos Aliados Lordelos,Barreirense e D.Sandinenses como ele gosta) e bater o pé aos grandes com muita raça.

João S. Barreto 24 de janeiro de 2010 às 17:29  

lol Tomás o que ele se queixa no guimarães é que nao pagavam ordenados aos jogadores nem a ele, de resto penso que até tinha uma equipa razoável...pelo menos para a manutenção! No Belenenses só foi feio ter saido a uma ou duas jornadas do fim deixando a imagem de descer o clube de divisão para o Rui Jorge

Tomás Pipa 24 de janeiro de 2010 às 19:50  

Oh,por acaso ng tem a imagem de ter sido o Rui Jorge a descer o Belém.Para mim foram aqueles brasileiros todos!

João S. Barreto 24 de janeiro de 2010 às 22:14  

Sim o grande culpado é o Casemiro Mior que trouxe toneladas de brasileiros, mas efectivamente quem desceu o Belem foi o Rui Jorge...O Jaiminho tentou sacudir a água do capote

Pedro Veloso 24 de janeiro de 2010 às 23:33  

Sim acho que o Rui Jorge saiu incólume disso, aliás só viu o prestígio reforçado por ter estado disposto a tentar o impossível.

João S. Barreto 24 de janeiro de 2010 às 23:37  

O facto é que está outra vez a treinar os juniores do Belenenses...

Pedro Veloso 25 de janeiro de 2010 às 00:20  

Sim é um facto lol. Acho que bem podiam ter-lhe dado o comando da equipa em vez de chamarem o João Carlos Pereira. Até porque tem lá vários miúdos com os quais trabalhou nos juniores.

Tomás Pipa 25 de janeiro de 2010 às 23:18  

Mas o Rui Jorge foi convidado para ser treinador principal.Não sei se se lembram da entrevista que ele deu,a dizer que não se revia na sujidão que era o futebol profissional,dizia que o futebol jovem era apaixonante e sem jogadas de bastidores

Pedro Veloso 26 de janeiro de 2010 às 01:23  

Ah não sabia tomás! Aposto que, amante do futebol jovem como és, adoraste isso