Os Elefantes


A Costa do Marfim aparece neste Mundial 2010, disputado em solo africano, como a equipa "da casa" com maiores hipóteses de fazer uma "gracinha". A recente aposta no experiente e bem-conhecido dos portugueses Sven-Goran Eriksson demonstra bem a Fé depositada pelos dirigentes de Abidjan nesta Selecção.
Embora esta equipa seja vista actualmente como a mais forte do seu continente, é com alguma surpresa que se constata que conta apenas com uma presença num Campeonato do Mundo (na última edição, em 2006 na Alemanha, onde não ultrapassou a fase de grupos) e que por apenas uma vez conquistou a Taça das Nações Africanas (CAN), decorria o ano de 1992. A final disputada em Dakar (Senegal) foi ganha frente ao Gana, com um resultado de 11-10 (!) na marcação de grandes penalidades. Com esta (falta de) história no futebol como pano de fundo, surge assim como ainda mais importante uma boa prestação na África do Sul. Não é também de estranhar que não existam grandes nomes de jogadores costa-marfinenses no passado. A geração actual é a melhor de sempre naquele país e jogadores como Didier Drogba, os irmãos (Kolo e Yaya) Touré, Solomon Kalou e Zokora quererão cravar para sempre os seus nomes na história.

Na fase de apuramento, os "Elefantes" disputaram o Grupo E da Zona CAF, levando a melhor sobre a Burkina Faso de Paulo Duarte, Malawi e Guiné-Conakri. O apuramento foi conseguido sob o comando de Vahid Halihodzic. Porém, o mau desempenho na CAN 2010 disputada em Angola, com a equipa a não ir além das meias-finais (derrota com a Argélia), custou o lugar ao técnico Bósnio a escassos meses do certame na África do Sul.



Quando tudo indicava que a escolha iria recaír sobre Guus Hiddink, o "milagreiro holandês" foi desviado pela Federação Turca. A segunda escolha não ficou atrás em termos de nome, reputação e títulos. "Svennis" é um treinador com um palmarés invejável. Foi Campeão na Suécia com o Goteborg, em Portugal com o SL Benfica e em Itália com a Lazio; venceu a Taça (e Supertaça) desses mesmos países, não só com estes 3 clubes mas também em Itália com Sampdoria e Roma, venceu a Taça UEFA com o Goteborg e a Taça das Taças (e Supertaça Europeia) com a Lazio; foi finalista vencido da Taça UEFA e Taça dos Campeões Europeus com o SL Benfica. Porém, desde a sua saída do clube laziale para o comando técnico da Selecção Inglesa, Sven nunca mais se encontrou com o sucesso, muito por culpa de Luiz Felipe Scolari, que por três vezes (uma com o Brasil e duas com Portugal) o atirou para fora de grandes competições, sempre nos quartos-de-final. Além da Selecção Inglesa, Eriksson foi também infeliz ao serviço de Man City, Mexico e Notts County (como Director Desportivo). É também conhecido o seu gosto por mulheres (e por dólares), o que motivou alguns escândalos, principalmente nos tablóides ingleses.

Na Costa do Marfim, procurará juntar ao imenso talento que existe uma identidade táctica, o que não se viu durante a última CAN. Caso consiga fazê-lo, os "Elefantes" poderão ser a grande surpresa da competição e chegar bastante longe. Para já, a grande alteração que se vislumbra é a passagem do habitual 4-3-3 de Halihodzic para um 4-4-2 com Drogba e um acompanhante no ataque. De salientar ainda a inclusão do seu antigo adjunto Toni na equipa técnica costa-marfinense, como observador dos seus adversários (entre os quais Portugal).


Passemos então a analisar as escolhas do sueco para a África do Sul:

O dono da baliza deverá ser o experiente Boubacar Barry Copa (Lokeren). A ele, juntar-se-ão Zogbo (Maccabi Netanya), que actua no campeonato israelita, destino priveligiado para alguns guarda-redes africanos e Yeboah (ASEC Mimosas), o único dos convocados que actua na Costa do Marfim. Na minha opinião, a baliza deverá ser o ponto fraco desta Selecção, pois nenhum destes três guarda-redes está entre os melhores do Mundo (nem do Continente africano). De fora ficou Angban (ASEC Mimosas).

Na defesa, ao contrário do que acontece na maioria das Selecções africanas, existe bastante qualidade. Emmanuel Eboué (Arsenal) é o lateral direito e a sua enorme capacidade física permite-lhe fazer todo o corredor. O jogador nascido em França - Guy Demel (Hamburgo) é uma alternativa válida não só para este lugar mas também para o meio-campo. No centro Kolo Touré (Man City) é um dos mais importantes jogadores da equipa e tem lugar assegurado no onze titular. Ao seu lado deverá estar ou Siaka Tiené (Valenciennes) ou Gohouri (Wigan). Angoua (Valenciennes) parte em desvantagem. Para o lado esquerdo, existem também duas boas alternativas: Souleymane Bamba (Hibernian) e o "Roberto Carlos africano" (1,66m) Arthur Boka (Estugarda), campeão alemão em 2007, disputarão este lugar, com vantagem para o segundo. Ficaram de fora Meité (WBA), Djakpa (Hannover 96) e Marc Zoro (Vit. Setúbal).

No meio-campo, Eriksson tem também muito por onde escolher quando tiver que construír o seu "onze". Yaya Touré (Barcelona) é uma das maiores estrelas costa-marfinenses, mas na Selecção desempenha funções um pouco diferentes daquilo que faz no Barça, tendo maiores responsabilidades na construção de jogo. Ao seu lado deverá estar Didier Zokora (Sevilla), o jogador com maior número de internacionalizações de sempre na Costa do Marfim. Nas alas, ainda existem algumas dúvidas. Salomon Kalou (Chelsea) também pode ser utilizado como avançado, mas acredito que jogará mesmo como extremo. A acompanhá-lo deverá estar Gervinho (Lille), que fez uma grande época, ou Kader Keita (Galatasaray), que embora muito talentoso, tarda em exibir maior regularidade. Ao dispôr do técnico sueco estão ainda Gosso (Monaco), Romaric (Sevilla), Emmanuel Koné (Arges) e o "muro" Cheik Tioté (Twente), campeão holandês em 2010. Tanto Romaric como Tioté podem disputar o lugar de Zokora, sendo que o jogador do Sevilla pode também jogar à esquerda da zona intermediária. A ver o Mundial pela televisão ficaram Akalé (Lens), Faé (Nice) e Lolo (Monaco).

No ataque, já se sabe, a qualidade é imensa. Didier Drogba (Chelsea) é um dos melhores pontas-de-lança do Mundo e é o capitão de equipa. Da forma como recuperará da recente fractura que sofreu no braço, poderá depender a prestação dos "elefantes" na África do Sul. Ao seu lado, penso que Eriksson apostará em Seydou Doumbia (CSKA Moscovo), colocando Kalou como extremo. Este jovem avançado brilhou recentemente ao serviço do Young Boys da Suiça, marcando 50 golos em 64 jogos, de todas as formas e feitios. Esta marca incrível não passou despercebida aos olhos dos russos do CSKA que o adquiriram o seu passe no final desta temporada por 10M€ (chegou a dizer-se que o Chelsea estaria disposto a oferecer 22M€). Tem potencial para ser a grande revelação deste Mundial. O último convocado é Aruna Dindane (Lekwiya), o carrasco do SL Benfica quando actuava no Anderlecht. De fora ficaram nomes como Bakary Koné (Marseille), Didier Konan (Hannover 96) e Sanogo (Saint-Etiénne).


No Mundial, a Costa do Marfim estará inserida no Grupo G, o "grupo da morte", juntamente com Portugal, Brasil e Coreia do Norte. É interessante verificar que já em 2006 estava inserida no grupo mais difícil, com Argentina, Holanda e Sérvia e Montenegro. Na África do Sul, com esta abundância de qualidade, os costa-marfinenses poderão ter uma palavra a dizer frente a qualquer equipa. Porém, penso que não conseguirão superar a fase de grupos, o que é uma pena, pois nos oitavos-de-final, estarão certamente equipas mais fracas do que esta.

7 Passes de rotura:

João S. Barreto 8 de junho de 2010 às 18:02  

http://www.manutd.com/default.sps?pagegid={6DDFCB6E-3471-4E45-9385-F04D05F4A70D}&newsid=6649710&page=3


Gervinho (Lille) é apontado no site do Man Utd como um dos 5 jogadores a ter em atenção neste Mundial. Deste grupo fazem também parte Ramires (Benfica - Brasil), Suarez (Ajax - Uruguai), Serdar Tasci (Estugarda - Alemanha) e Mata (Valência - Espanha)

Tomás Pipa 8 de junho de 2010 às 18:43  

Incrível, Bakary Koné e Akalé de fora? Costumam ser umas das grandes referências desta selecção.

Akalé tem um pé esquerdo diabólico, ainda me lembro de ter ficado maluco com ele num CAN qualquer. Jogava mesmo em cima da linha, à antiga!

Koné é mt rápido também e costuma marcar golos.

Pode ser que tenham más épocas, também não os acompanhei.

Gosto muito desse Boka, o gajo é mesmo o género do R.Carlos (tal como dizes). Também me lembro do CAN em que ele apareceu, julgo que jogava no Nice e foi logo transferido para o Estugarda!

Quando tive a fazer a Suiça, tive a ler um pouco sobre o Young Boys no site do LFLobo, que diz que esse Doumbia é um excelente avançado!Pelo menos marcou uma porrada de golos!Veremos o que vale..

portuguesesnoestrangeiro 8 de junho de 2010 às 18:57  

E agora tem um reforço! O Toni(treinador) vai ser observador dos adversários, reatando a boa relação que tem com o Eriksson ... vai ser um adversário difícil para Portugal.





Aproveito para dizer, que está a decorrer uma votação no meu blog para eleger a equipa do ano de joagdores portugueses no estrangeiro. Solicito o vosso voto.

Obrigado,
Paulo Silva

http://portuguesesnoestrangeiro.wordpress.com/

DEUS 8 de junho de 2010 às 21:07  
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
João S. Barreto 8 de junho de 2010 às 21:32  

O Bakary Koné é a maior novidade, porque costumava ser titular o Halihodzic em 4-3-3, mas na CAN jogou pessimamente e foi perdendo espaço. Não sei se terá tido algum problema físico depois ou se é simplesmente opção técnica.

Pedro Veloso 8 de junho de 2010 às 23:44  

E também acho que o Bakary Koné não fez má época no campeão francês Marselha. Grande análise João, desconhecia totalmente esse craque na forja, o Doumbia, já o viste jogar?

É de facto um bom plantel, mais ainda se o Drogba recuperar.

João S. Barreto 8 de junho de 2010 às 23:53  

Nunca vi um jogo inteiro do Doumbia, porque joga na Suiça e nem sei o que é que se passa por lá! lol Mas além dos habituais vídeos com os golos e os mellhores momentos, já "tropecei" num vídeo mais alargado, com as suas movimentações, jogo sem bola e posicionamento táctico. Promete!