Série A: o gigante adormecido

Longe vão os tempos em que me deliciava a ver os jogos do campeonato italiano. É certo que este sempre se caracterizou pelo seu estilo defensivo, mas os jogos eram disputados a uma grande intensidade. Eram os anos da Lázio, da grande Lázio de Cláudio Lopez, Nedved, Nesta e Fernando Couto, da Roma campeã com Capello ao comando de Totti, Batistutta, Cafú e companhia. Tudo isto a juntar aos inevitáveis Inter de Ronaldo, Djorkaeff ou Seedorf; Milan de Weah, Boban, Albertini e Desailly; e Juventus de Del Piero, Vialli, Ravanelli, Davids e Zidane. Depois havia os sempre outsiders Parma, com Cannavaro, Crespo, Almeyda, Veron e Buffon, bem como a Fiorentina de Toldo, Rui Costa e Batistutta (antes deste se transferir para Roma). Os jogadores que citei são apenas uma pequena amostra da qualidade que a Série A evidenciava há uns anos a esta parte e que fazia dela a Meca dos craques do futebol mundial.

De então para cá tudo mudou e houve várias situações que fizeram com que a liga italiana tenha chegado ao estado degradante em que se encontra hoje. Não é só ao Calcio Caos que me refiro, isso é apenas a cereja no topo do bolo. Tudo começou pela gestão ruinosa a que foram entregues alguns destes clubes. O Nápoles foi o primeiro a sofrer com isto, tendo baixado de divisão sucessivamente devido a problemas financeiros que quase culminaram na extinção do clube que viu brilhar Maradona. Seguiu-se a Fiorentina que, pelos mesmos motivos, foi despromovida àquela que correspondia à segunda divisão B em Portugal. Também a Lázio viveu uma situação idêntica depois do seu dono, Sérgio Cragnotti, ter visto a empresa de que era proprietário, a CIRIO, ir à falência. Embora os Laziale nunca tenham descido de divisão foram obrigados a vender as suas estrelas e hoje têm um plantel pefeitamente banal, Pandev e Zarate à parte, e ao alcance de qualquer um dos grandes clubes portugueses. Como se tudo isto não bastasse, o processo Calcio Caos fez mais tarde, entre outras coisas, relegar a Juventus para a segunda divisão, estando o clube de Turim ainda hoje à procura do norte que perdeu aquando deste escândalo.

No meio deste marasmo, sobram Milan e Inter, depois do Parma ter também perdido o seu peso após a Parmalat ficar na bancarrota. Só que os clubes de Milão debatem-se também eles com diversos problemas. O AC Milan porque não vence o scudetto desde 2004, o Inter porque mesmo sendo tetracampeão, não consegue ser suficientemente competitivo para chegar longe na Europa, sendo constantemente eliminado nos oitavos de final. Além disso, Moratti já demonstrou que não pode para já gastar o dinheiro que gastou no passado recente, em que contratava dezenas de jogadores.

Para além do que referi, existe também o problema das condições nos estádios italianos. A maior parte deles estão velhos e decrépitos, tive a oportunidade de o constatar há uns anos quando estive de férias em Itália e conheci alguns dos principais recintos daquele país. É verdade que estão quase sempre lotados, porque a paixão dos milhares de "Ultras" não diminuiu e o seu amor ao clube é maior do que aquele que têm ao jogo em si. Mas isto entronca noutro grande problema do calcio: as claques. Se são elas que, nalguns casos, mantêm os clubes vivos, também, paradoxalmente, são causadoras da perda de peso do futebol transalpino. O facto de muitas delas terem um peso excessivo na estrutura dos clubes já se revelou péssimo. Então no caso da Lázio é gritante a forma como os Irriducibili interferem com a gestão do clube e o pior é que o fazem pois os dirigentes temem sofrer represálias no caso de não obedecerem. A acrescentar a isto está a vertente política que se assume como parte ideológica de muitos tiffosi, pelo que várias vezes assistimos a jogos entre clubes que, não sendo historicamente rivais, tornam aquilo que devia ser um normal desafio numa autêntica batalha campal. Disso são exemplo jogos entre a Lázio (com uma claque de elementos ligados à extrema direita fascista) e a Atalanta (com elementos ligados ao Partido Comunista italiano).

Pessoalmente não me lembro qual foi a última vez em que um campeonato decorreu em tália sem que pelo menos um jogo fosse cancelado ou jogado à porta fechada devido ao mau comportamento dos adeptos. Tudo isto desgasta a imagem externa do campeonato em questão. Já imaginaram o que seria se na Premier League todos os anos meia dúzia de jogos fossem adiados por confrontos entre adeptos de clubes diferentes? Provavelmente as dezenas de televisões que cobrem esta competição não estariam para pagar as somas exorbitantes que pagam para ter os direitos de transmissão das partidas, logo os clubes ingleses não teriam o poderio económico que têm.

Na época passada houve um claro esforço para que esta liga recuperasse o fôlego de outrora com as contratações de Mourinho para o Inter e de Ronaldinho e Beckham para o Milan. Isso não chegou porque os problemas são muito mais profundos. O próprio estilo de jogo que predomina em Itália, o famoso Catenaccio, já passou de moda e para além de se ter tornado previsível é demasiado entediante para que os amantes do futebol de outros países percam tempo a vê-lo. A saída de Kaká para o Real Madrid foi outra facada nesta liga já de si frágil. Sem ele resta Ibrahimovic para salvar a honra do convento. Agora imaginem, por hipótese, que este também saía. Provavelmente tudo ficaria resumido à magia de Diego, à entrega de Zanetti, à experiência de Del Piero e pouco mais, enquanto Ronaldinho decide se quer continuar a ser o jogador que encantou o mundo ou se, por outro lado, está mais interessado em tornar-se numa nova versão de Adriano.

De futuro convém que os responsáveis máximos pelo futebol italiano tomem medidas para promoverem novamente a sua liga. A Premier League tem nos últimos anos chamado a si os principais jogadores mundiais, graças a uma extraordinária política de promoção do futebol enquanto espectáculo de entretenimento consumido pelas massas. Isto consequentemente atrai grandes marcas, desejosas de dar o seu patrocínio e ver o seu nome ligado a um evento que comporta uma audiência tão grande e diversificada. Aliás se não fosse o sucesso desportivo do Barcelona no ano passado e as contratações do Real Madrid este defeso, a Premier League corria o sério risco de se transformar numa espécie de NBA do futebol. Ora isto não seria bom para ninguém, excepto para os ingleses, claro.

26 Passes de rotura:

Pedro Veloso 13 de julho de 2009 às 23:21  

Grande post Duarte. Acho que qualquer adepto com pelo menos quinze anos a ver futebol recorda com saudade essas grandes equipas e craques que mencionaste, até era o tempo em que a liga italiana dava na TVI lol.

Focaste vários problemas difíceis de resolver, mas destacava um em especial, a vertente política nas claques. Convém referir que as claques italianas estão muito marcadas pelo terrorismo que assolou a Itália nos anos 70, mais conhecido o ligado à extrema-esquerda (as famosas brigadas vermelhas que mataram o ex-primeiro ministro Aldo Moro) mas também o de extrema-direita. Os líderes das claques defrontavam-se nas ruas há 30 anos como membros de grupos políticos rivais e tudo isso foi transportado para as bancadas. Além disso, é um país em que as rivalidades desportivas têm um carácter historicamente político, de luta de classes. Torino vs Juventus em Turim, Milan vs Inter em Milão, Roma vs Lazio em Roma. Nestes três casos há um clube (o que tem vermelho no equipamento, naturalmente) cuja génese está ligada à classe operária e outro de raiz aristocrática. Por isso, os desafios dentro das 4 linhas representaram sempre mais que um jogo, essa influência perdurou até hoje.

Se calhar já viram, mas se quiserem ter uma ideia da dimensão da coisa e conhecer a Irriducibili que o Duarte muito bem apresentou podem ver esta reportagem da BBC que passou cá na TV há uns anos.

Part 1:

http://www.youtube.com/watch?v=x3htJEBE8-4&feature=PlayList&p=F59F943F4C052598&playnext=1&playnext_from=PL&index=44

Part 2:
http://www.youtube.com/watch?v=tUfl1Gyateo&feature=related

Part 3:
http://www.youtube.com/watch?v=WhWWW28Asfo

Duarte 13 de julho de 2009 às 23:38  

Pedro eu também já vi essa reportagem da BBC e recomendo vivamente, está fantástica. Um trabalho jornalístico notável com o selo de um grande órgão de comunicação social.

Em Portugal algumas claques procuram emitar algumas das suas parceiras italianas. Até agora o fenómeno é incomparável, mas é bom que se tome atenção. De resto a claque da Lázio mantém ainda hoje uma grande amizade com os Super Dragões. Espero naturalmente que a principal claque do Porto tenha os Irriducibili como referência apenas no que toca ao apoio inigualável e ao espectáculo que eles dão em apoio ao seu clube.

Anónimo 14 de julho de 2009 às 01:37  

embora tenha lido todo o post com uma nostalgia aterradora, a falta de thuram nas joias do parma chamou a minha atençao. thuram completou o tridente formado por cannavaro e buffon que conduziu o parma à conquista da uefa. nao duvido que foi um lapso irrelevante da tua parte, mas achei por bem trazer para junto de nos este jogador de que todos nos lembramos. quem nao se lembra dele no mundial 98 de joelhos com um dedo no nariz completamente incredulo depois do seu segundo (salvo erro) golo a croacia.

e no fim de todo este post deparamo nos com a liga do pais campeao do mundo, em que a maior parte dos jogadores jogam no seu pais. no minimo curioso.

Duarte 14 de julho de 2009 às 01:59  

Meu caro anónimo, tens razão. Não pus o Thuram por mero esquecimento, acredita. Mas o que dizes não deixa de ser interessante e vai ao encontro do que eu digo a certa altura: Itália reuniu durante vários anos jogadores de uma classe ingualável. Thuram era um deles, mas se os for a pôr todos não saía daqui, como acho que compreendes. Também não pus o Van der Saar, o Marcelo Salas, o Bierhoff, o Vieri, o Poborsky, o Bocksic, o Leonardo, o Savicevic, o Roberto Baggio, o Zamorano e, já agora, o eterno Dário Hubner. Engraçado falares no golo do Thuram à Croácia, estive a vê-lo há poucos minutos:).

De facto Itália é campeã mundial e os jogadores que o foram estão lá. Só que de 2006 para cá, muita coisa mudou. Nomeadamente em Itália deu-se o Calcio Caos, o Calcio Poli como eles chamam. Não foi só a Juve que perdeu com isto, o próprio Milan começou com pontos negativos e ao perder o poder negocial que detinha não pôde rejuvenescer a equipa como fazia antigamente, além de que venderam alguns dos seus principais (Kaká e Schevchenko). Além do mais, esses jogadores que foram campeões do mundo estão todos três anos mais velhos e nalguns deles isso pesa, e muito.

André Seixas 14 de julho de 2009 às 05:06  

Duarte, não pretendo adicionar mais nada ao teu post, porque está muito completo. Apenas gostaria de lembrar uma outra coisa que, por vezes, conversamos, até em jeito de brincadeira. A política de contratações do Milan, nos últimos anos, não tem ajudado muito a criar equipas capazes de atrair espectadores. Espectadores não italianos, mas apenas fãs de bom futebol... Contratar Favallis, Oddos, ou manter jogadores no plantel principal até aos 40 anos penso que torna as coisas um pouco monótonas. E atenção que tenho toda a admiração pelo Maldini, e pelo Costacurta, e pelo Cafu, e pelo Inzaghi...
Quanto ao Inter, todos os anos espero um futebol de magia desta equipa, já que o seu presidente contrata sempre óptimos jogadores. No entanto, esta equipa parece que produz, muitas vezes, um futebol muito "melado", pouco espectacular para os excelentes jogadores que tem. Não compreendo bem a discrepância entre a qualidade de jogadores do Inter e a qualidade do seu jogo. Talvez por isso, os interistas não conseguem alcançar finais europeias.

Pedro Veloso 14 de julho de 2009 às 10:48  

André partilho da tua opinião quanto a Milan e Inter. Quanto a este último, de facto o jogo do Inter, e isto é transversal de Mancini a Mourinho, é sempre pastoso, estéril e muito pouco atractivo. Eu tenho para mim que com um criativo no meio campo tudo mudava, é das poucas equipas de topo que não tem alguém capaz de pensar o jogo no meio-campo. E jogando sem extremos mais o jogo parece todo afunilado e falho de ideias, só com o Maicon para disfarçar quando carrila pelo flanco direito. O losango é muito sólido mas pobre a nível de construção. O meu irmão estava sempre a dizer que o Mourinho fosse buscar o Diego e concordo, mas nunca mostrou interesse nisso, agora nem o Deco consegue, pelo que os vícios da equipa se manterão concerteza

Anónimo 14 de julho de 2009 às 11:04  

Magnífico post.Parabéns!

Bem me lembro da galática Lázio com Marchegiani ou lá o que era na baliza e depois Peruzzi, Paolo Negro, Favalli, Sensini,Nesta, Stankovic (é verdade, há muitos anos nestas andanças),Mancini a n10 que era um goleador,Simone Inzaghi,Nedved,Veron,Crespo,Castromnan,Ravanelli,Mihaijlovic,Ballotta já com 34 anos,Pancaro,Conceição sempre triste com o mundo,De La Peña,Salas,Vieiri,D.Kovacevic,Simeone,Mendieta,Dino Baggio,Poborsky. Meus amigos, até fiquei comovido a lembrar esta equipa de galáticos! Gostava de lembrar que quando eles foram contratados estavam todos no topo da sua carreira, sempre apresentados como estrelas, não é como o Milan de hoje em dia.

O Pedro Emanuel é que acho que já tem idade para ir para o Milan.


Tomás

Duarte 14 de julho de 2009 às 19:41  

André, é justo que se diga que o Milan, na época passada, se esforçou por trazer outro tipo de jogadores. Contratou Beckham, Ronaldinho e Flamini e apostou no regressos de Abbiati, Antonini e Borriello e Shevchenko. Se bem que tenha cometido o erro, quanto a mim, colossal de dispensar aquele que é um dos melhores jogadores da liga francesa e um talento inegável: Yoann Gourcuff, claro

Tomás, acho que o Pedro Emanuel não daria para os seniores do Milan, mas talvez o admitissem na equipa de juniores:)

É verdade, no meio dos jogadores que por lá passaram a um bom nível, falei do Rui Costa e do Fernando Couto, mas esqueci-me de referir o Paulo Sousa e o Sérgio Conceição que fez grandes épocas na Lázio e no Parma. Além disso foi titular da equipa do Inter de Hector Cuper que, em 2001-2002 entrou na última jornada em primeiro. Nessa altura os nerazurri foram jogar a Roma com a Lázio e a Juventus, segunda classificada, foi à Udinese, enquanto a Roma, ainda com hipóteses de chegar ao scudetto, deslocou-se a Torino. O Inter perdeu 4-2 depois de ter estado a ganhar 0-1 e 1-2, mas o génio de Poborsky e uma fifia de Vratislav Gresko ditaram a reviravolta laziale. A Juventus e a Roma venceram os seus respectivos encontros. Conclusão, o Inter que estava em primeiro passou para terceiro, enquanto a Juventus e a Roma ocuparam a primeira e segunda posições respectivamente.

Duarte 14 de julho de 2009 às 19:47  

Pedro, claro que me lembro dos jogos transmitidos na TVI. Tinha na altura uns 8 ou 9 anos, mas acho até que quem fazia os comentários eram o Paulo Sérgio, agora na Antena 1 e o Jorge Baptista que está na SIC Notícias.

Pedro Veloso 14 de julho de 2009 às 20:19  

Lol Gresko era aquele gajo que quando um tipo jogava Championship Manager e pegava no plantel do Inter torcia logo o nariz e toca de estoirar umas massas num defesa esquerdo:) Nesse jogo que falas lembro-me do Ronaldo a chorar, tinha regressado há pouco de lesão e perdeu ingloriamente o título, mas depois vingou-se no Mundial desse ano.

É possível que esses fossem os comentadores Duarte, não me recordo. Por acaso mais ou menos na mesma altura era o José Carlos Soares (que agora espalha a sua magia - estou a ironizar - na Benficatv) que relatava aqueles três jogos da liga portuguesa por ano que a TVI transmitia (os jogos em que o Leiria recebia os grandes), mas se calhar na liga italiana eram esses. Já que falas nesse Jorge Baptista, confesso que me irrita profundamente porque é o tipo da tv portuguesa que mais casca no luisão:)

João 15 de julho de 2009 às 01:01  

Nostalgia! grande post Duarte! Realmente o poderio dessa grande lázio (entre outras dream teams) foi brutal e até este verão a contratação do Crespo era a 3ª mais cara de sempre (lembrem-se também de mendieta, buffon, Vieri, etc), o que reflecte essa época de ouro da Série A. Infelizmente a decadência da mesma tem-se vindo a acentuar e a selecção italiana tem reflectido a mesma realidade,a ponto de eu preferir aos Domingos espreitar um Sunderland x Portsmouth ou o "filmes de animais" (vá,quase!:P) das 14:00 da TVI em vez da maior parte dos jogos da Série A que englobe os 4 clubes de topo ! Especialmente quando só tenho uns minutos para descansar do trabalho. O Milan mesmo assim continua a ter um plantel com jogadores que emanam classe e com um potencial de criatividade enormes. Já a Juve e o Inter são mais limitados. Continuo a achar que o Mourinho não lutar pelo Diego foi um erro, já que o meio campo peca pela falta de criatividade, como disseste Pedro! O Gresko nem me recordava desse, mas lembro-me do Javier Farinós e do matteo ferrari por ex.!
E "fumaça de perigo" é das expressões mais ridículas que sempre ouvi desde puto.só tu para me fazeres espreitar os relatos dele na Benfica TV lool
Abraços

P.S: "Mercenari, Mercenari, Mercenari!" - irreducibili; cântico místico.

Duarte 15 de julho de 2009 às 02:17  

Pedro, não sei se o José Carlos Soares comentava só os jogos da liga espanhola, que também era transmitida pela TVI, se também o fazia na liga italiana, mas é provável que sim. Eu também não gosto nada do Jorge Baptista. Primeiro porque é daqueles que falam do Scolari como se fosse pai dele, depois porque nunca mais me esqueço de uma vez, estava ele na RTP, e disse que o Drulovic e o Vitor Baía não prestavam. Santa ignorância!

João, no que toca ao Inter, nomes sonantes que depois falharam é coisa que não falta. Basta pensar em Angloma, Paul Ince, Dennis Bergkamp, Roberto Carlos, Mutu, Winter, Hakan Sukur, Peruzzi, Frey, Panucci, Ballota, Blanc, Robbie Keane, Jugovic, Kily Gonzalez, Okan e até o Batistutta chegou a jogar lá uma época. Isso faz-me lembrar a época em que o Inter começou com Marcello Lippi e foi eliminado pelo Helsinborg na pré-eliminatória de acesso à champions e depois foi buscar o Marco Tardelli para o substituir. Este teve que se impôr a Moratti, já que este não parava de contratar jogadores e queria trazer à viva força o Romário e o Palermo. Enfim, uma altura em que ainda havia dinheiro em Itália, agora vai ser preciso esperar uns anos. O Milan também teve os seus flops. Estou-me a lembrar do Luigi Sala, Luca Saudati, Commandini, N'Gotty, Ibrhaim Ba, Daino, Maurizio Ganz, Reiziger, Dugarry, Doni, Eleftheropoulos, Vieri.

É também curioso relembrar-nos do tempo em que os grandes de Milão faziam trocas de jogadores, um pouco à base do que por cá acontece com Porto e Sporting. O Milan ficando com o Brocchi, Seedorf, Taribu West ou Pirlo e o Inter com o Umit Davala, Thomas Helveg, ou Guglielminpietro (o Guly, ainda se lembram?:)).

A qualidade era tanta que o Milan se deu ao luxo de dispensar o Kluivert, o Patrick Vieira e o Lehmann e a Juventus o Henry.

Aposto, João, que os Irriducibli ao verem aquele vídeo devem pensar agora qualquer coisa como_ "quem nos dera a nós ainda ter aqueles mercenários".

Pedro, tens razão, o Gresko era daqueles jogadores que no CM eram sempre dispensados pelos treinadores virtuais e, de facto, o dinheiro para transferências dessa época era gasto quase todo na contratação de um lateral esquerdo até porque a alternaticva, no CM e naquele tempo, era o Georgatos:)

Duarte 15 de julho de 2009 às 02:23  

No meio disto tudo, é justo dizer que, Calcio Caos à parte, a Juve cometeu menos erros que os seus rivais e teve sempre os seus planteis mais equilibrados com treinadores como Lippi, Ancelotti e Cappello, por isso vencia com mais regularidade.

É verdade, ali nas velhas glórias do Milan, esqueci-me de referir o Chamot:) e já agora lembrar a passagem de Fatih Terim pelo clube milanês depois de ter abandonado a Fiorentina:)

André Seixas 15 de julho de 2009 às 03:44  

Já que estamos em maré de recordações e muito falámos do Milan, penso que ninguém se lembrou do Redondo. Médio argentino que passou pelo AC, mas que, muito infelizmente, teve uma carreira curta devido a graves problemas físicos. Lembrei-me dele porque era um jogador fenomenal e que, a priori, ia aumentar ainda mais a qualidade da "velha" Série A. Mas essa do Chamot... Eu já não conseguia ir buscar, Duarte! :)

Anónimo 15 de julho de 2009 às 14:19  

Se bem me recordo o Chamot foi o ultimo a usar a camisola 6 do AC Milan.

O que vocês se foram lembrar,Guly(!), quem não se lembra? no CM jogava a médio defendiso,direita,esquerda e centro,era bastante útil,era uruguaio.

O Jugovic,numero 7,também já não me lembrava,da Lázio.

Já que estamos a falar da Lázio, quem é que se lembra do Ricardo Rocha,na altura a jogar no Benfica diante da Lázio,penso que numa pré-eliminatória da Champions,a apanhar um amarelo aos 30 segundos depois de uma tesourada desnecessária no meio campo da Lázio?
Foi dos jogadores mais burros que vi.


Tomás

PS: por falar em polivalências do CM ou FM deixo aqui 3 nomes para além do Guly:

Niclas Alexanderson
Dor Malul
Luis Enrique

Pedro Veloso 15 de julho de 2009 às 15:27  

"Foi dos jogadores mais burros que vi"

Se jogasse no Porto já personificava esse conceito do futebol português, "a mística e escola de defesas centrais azuis e brancos":)

Fora de brincadeiras, era burro mas digamos...competente. Eu gostava do gajo, foi um disparate vendê-lo a meio da época, ainda por cima ele, depois de anos em que nunca tinha marcado no SLB, estava numa fase em que lhe deu para marcar em todos os jogos. Até num saudoso banho de bola em Alvalade...

Já que estamos em maré de nostalgias italianas, estava aqui a recordar um ataque demolidor que a Fiorentina formou em 98/99, foi nas décadas recentes o ano em que estiveram mais perto do scudetto, acabaram em 3º salvo erro, atrás do Milan campeão e de uma superlázio. O treinador era o velho Trap e tínhamos o Rui Costa atrás de Batigol, Enrico Chiesa e... Edmundo! Deve ter sido a táctica mais atacante que o Trap usou na carreira

João 15 de julho de 2009 às 17:07  

E se jogasse no Boavista já era carniceiro hehe! O Redondo era uma delícia vê-lo jogar, e foi dos poucos que vi propor ao clube (na altura o Real) a redução substancial do ordenado enquanto não recuperasse de uma das muitas lesões.
Concordo Duarte,os Irreducibili agora têm-se contentar com menos mas lá ganharam uma taça agora para disfarçar a "fome"! Realmente a lista de flops dos clubes te topo da Serie A é enorme, mas sempre elegi o Inter e o Barça (agora tem-se remediado) como o "cemitério de jogadores" por excelência.Concordam?
E Pedro quanto ao gresko e ao CM (confesso que só mais adepto da "velha guarda", não me converti ao FM como sabes) o xato xato é começares de raíz na 2ªB com 500 "contos" para transferências, "Tó Zés" que valiam 2000 "contos" e 2/3 da equipa eram jogadores emprestados por clubes superiores! Belos tempos lol

Anónimo 16 de julho de 2009 às 01:24  

se me permitem intormissao na animada conversa, guly era apenas MD D/E, nao jogava ao centro.

notavel a quantidade de cometarios a responder a post quase diarios. continuem por favor!

caso tenham falta de ideias, tomo a liberdade de vos desafiar a escrever um post em jeito de continuaçao da conversa que começou em luis andrade (que chegou a fazer dupla no meio campo do estoril com um CARLAO em fim de carreira) e que continuou para JMP, armando sá, etc. penso que seria mais uma tertulia extremamente animada.

proponho que se comece em nelo, o careca com cabelo comprido!

Anónimo 16 de julho de 2009 às 01:24  

se me permitem intormissao na animada conversa, guly era apenas MD D/E, nao jogava ao centro.

notavel a quantidade de cometarios a responder a post quase diarios. continuem por favor!

caso tenham falta de ideias, tomo a liberdade de vos desafiar a escrever um post em jeito de continuaçao da conversa que começou em luis andrade (que chegou a fazer dupla no meio campo do estoril com um CARLAO em fim de carreira) e que continuou para JMP, armando sá, etc. penso que seria mais uma tertulia extremamente animada.

proponho que se comece em nelo, o careca com cabelo comprido!

Pedro Veloso 16 de julho de 2009 às 01:51  

O Andrade é Luis?? Confesso que nunca tinha pensado/reparado no nome próprio dele! Mas então será por certo, se quiser ser treinador, mais um caso desse interessante fenómeno do futebol português, que é os tipos que durante a vida de jogadores foram conhecidos pelos apelidos e chegam a "mister" e ganham um nome próprio. Grandes exemplos: Manuel Tulipa, Jorge Amaral, Carlos Secretário, agora o Augusto Gama (o histórico do Rio Ave), etc. Outros há que, ao invés, eram conhecidos pelo nome próprio e agora ganharam um apelido, tipo Lázaro Oliveira, Hélio Sousa, Álvaro Magalhães, Aloísio Alves

Se falarmos no Nelo tb temos que falar do seu compincha Tavares, do Bessa à Luz amigos inseparáveis:)

Duarte 16 de julho de 2009 às 02:05  

Já agora para completar o leque de falhanços do Inter deixem-me acrescentar os nomes de Sorondo e Nelson Vivas:)

André Seixas 16 de julho de 2009 às 04:35  

Duarte, não te estás a esquecer do Adani, ou do Dacourt, ou até do Lamouchi? :)

O Vieri, esse foi mesmo bom jogador, lá anda a fazer testes no Blackburn Rovers...

Anónimo 16 de julho de 2009 às 11:32  
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Anónimo 16 de julho de 2009 às 11:32  

Nelo ahah.
Paulo, se quiseres falar de carecas de cabelo comprido, que tal falar do guarda redes de cabelo comprido do Tenerife há uns anos? Navarro Montoya.

Veloso,essa dos treinadores é muito bem apanhado, desde puto que reparas nisso, aqui mando mais uns:

Álvaro Magalhães
Domingos Paciência
Carlos Carvalhal
Carlos Dunga

O Andrade foi uma das figuras da minha infância, o meu pai e o meu avô sempre me disseram quando eu era pequeno que era assim que não se jogava futebol.

Quando era pequeno ria-me bastante a ver o Andrade jogar, era porrada,porrada, porrada, sem qualquer vergonha.

Bóbó (Varzim e Boavista)
Paulinho Santos (FC Porto)
André (FC Porto)
Lobão (fdsss....Beira-Mar)
Isaías (Leça e Boavista)
Pedro Emanuel (Boavista, qd se mudou para o FC Porto convenceu-se a si mesmo que era um central elegante)
Fernando Couto (Na Lázio, quem não se lembra de ele a pisar o Totti "sem querer" num derby?)
Litos (sem qualquer pudor...)
Paulo Turra (Boavista)
Jorge Costa (lol, sem qualquer vergonha também)
Cléber (Vit.Guimarães e Boavista, quem se lembra do campeonato em que este homem levou 17 amarelos e 2 encarnados?)

Tomás

Pedro Veloso 17 de julho de 2009 às 10:53  

Odiava esse Cléber Tomás...era pau de criar bicho...gd ídolo da torcida vimaranense

Tas aí a falar do mítico bobó, há um daqueles quizs do facebook que é que jogador antigo seríamos, e a quem calha o bobó diz lá que jogou também no FCP! Só 2 jogos, mas jogou lol. N fazia a mínima, é verdade adeptos do fcp?

Duarte 17 de julho de 2009 às 14:58  

Eu também não fazia ideia que o Bobó tinha jogado no Porto. Deve ter tido uma passagem tão longa como o Cajú:)