Crise na Luz



Quatro derrotas consecutivas, três das quais em jogos oficiais. Performance digna de um qualquer dos Benficas negros da 2ª metade dos anos 90 mas, por incrível que pareça, aconteceu no SLB campeão nacional, que entra assim nesta época da pior forma possível. Para além das consequências óbvias em termos de classificação, a derrota lançou a discussão sobre a saída imediata do onze de Roberto, apontado como o principal responsável pela derrota na Madeira – mas lá iremos.

Paradoxalmente, tivemos nos primeiros 45 minutos o melhor Benfica da época em termos oficiais, a jogar a um nível que por momentos se aproximou da fluidez e criatividade reconhecidas na época transacta. Em relação ao jogo anterior, Jesus mantinha o 4-1-3-2 habitual, com Luisão de volta (finalmente a defesa completa com todos os habituais titulares) e Gaitán a ocupar o seu lugar do lado esquerdo do meio-campo em detrimento de Peixoto. Pensei que pudesse jogar Carlos Martins no lugar de Aimar, que andava em baixo mas até acabou por fazer um bom jogo, mas JJ manteve o internacional português no banco e Ruben Amorim à direita. Do lado nacionalista, destaque para a presença de Orlando Sá no eixo do ataque e para dois jovens reforços dos Balcãs: o esloveno Mihelic e Skolnik, esquerdino croata que deixou excelentes indicações. De louvar, aliás, esta diversificação e redução da matriz brasileira – outrora excessiva – na equipa madeirense.


Como esperado, desde cedo o Benfica mostrou estar na Choupana para ganhar. A entrada de Gaitán permitiu, juntamente com mais uma excelente prestação de Coentrão, dinamizar o lado esquerdo e evitar o jogo excessivamente centralizado que tínhamos visto nos jogos anteriores. O regresso de Luisão também conferiu maior tranquilidade à defesa e, no meio-campo, Aimar voltou às boas exibições em termos de condução de jogo. Mesmo perante um Nacional bem organizado e com uma dupla de centrais (Danielson e o excelente Fellipe Lopes) de grande qualidade, o SLB conseguiu criar desequilíbrios suficientes para criar pelo menos três grandes situações de golo, mais um par de aproximações perigosas. Umas vezes por demérito próprio (que falhanço de Gaitán aos 12’!) e outras por intervenção de Rafael Bracali, a verdade é que o Benfica não marcou. Na baliza adversária, Orlando Sá criou o lance de maior perigo com um forte disparo de pé esquerdo. De destacar aliás o excelente jogo do avançado emprestado pelo FCP; em particular, impressionou-me a quantidade de bolas que ganhou nas alturas às torres encarnadas, muito bom!


Chegava-se ao intervalo com um resultado manifestamente injusto, mas na 2ª parte...veio o descalabro. Logo no reinício, mais um golo sofrido de bola parada. Desta vez, num lance em que (estranhamente?) estávamos a defender ao homem em vez da zona habitual, Cardozo achou que não valia a pena seguir Luis Alberto (deviam multar o Tacuara pela displicência!) e deixou o médio brasileiro cabecear à vontade, pese embora a saída – pouco conseguida, diga-se – de Roberto.


O golo claramente inverteu o sentido do jogo, intranquilizando o Benfica e moralizando os anfitriões. Os encarnados, ainda assim, podiam ter chegado ao empate por Aimar e reclamaram um penalty sobre Coentrão. Mas mais uma vez, um lance de bola parada deitou tudo a perder. Desta feita, com responsabilidade maior de Roberto, que falhou totalmente no golpe de vista e deitou tudo a perder. Péssimo momento, como péssimo foi ver depois o David Luiz aparentemente a discutir com ele.

Até final, o jogo arrastar-se-ia com o Benfica a arriscar tudo, a expôr-se naturalmente (o Nacional poderia até ter ampliado a contagem) mas a conseguir apenas reduzir já muito tarde, para lá dos 90’. Um grande tiro de Carlos Martins, por sinal.

Voltando ao Roberto...parece indiscutível que nesta altura não reúne grandes condições para se manter à frente das redes no imediato. Quem conhece a Luz e os benfiquistas sabe que se o Roberto aparecer para o aquecimento, como titular, no sábado, vai levar uma vaia de fazer chorar as pedras; e a verdade é que neste momento não só temos que proteger o jogador como acima de tudo fazer a equipa recuperar a confiança. E Roberto só intranquiliza. Também não acho que o devamos emprestar ou vender. Ele é muito melhor do que o que tem mostrado (e entre os postes até o vai demonstrando, o pior é as saídas) e precisa apenas de, calmamente, recuperar a confiança para até, quem sabe, poder voltar às redes mais à frente na época noutro quadro de estabilidade (e mais à frente, como todos esperamos, a própria equipa estará muito mais forte).


Quanto ao substituto, estou um pouco dividido: claramente prefiro o Júlio César, que aprecio e gostei de ver o ano passado (tirando o erro com o Liverpool, claro), mas o Moreira tem um capital de popularidade junto dos adeptos que se calhar até fazia bem injectar na equipa. A terceira opção, ir buscar um guarda-redes fora, depende muito de quem vier. E corremos o risco de falhar novamente se vamos arranjar alguém agora à pressa.

Independentemente disto, sábado não há alternativa. É ataque, ataque, ataque, como diria o Bobby Robson. Para recuperar rapidamente na tabela e lutar pelo título. Basta jogar o que sabem.

14 Passes de rotura:

Tomás Pipa 27 de agosto de 2010 às 14:17  

Gostei bastante do Mihelic (que tinha muita curiosidade de o ver porque era uma máquina no fm!) e do Skolnik!

Quanto ao SLB, o que acho é que há jogadores que estão a assumir um estatuto de responsabilidade que ainda não o deveriam ter como o Carlos Martins e o Fábio Coentrão!

Em relação ao Roberto, eu tinha ideia de que ele era um bom gr no Zaragoza,apesar de não andar a reparar nele. O que acho que é depois dos primeiros frangos o Roberto intranquilizou-se e a agora está sem confiança o que intranquiliza a equipa. A verdade é que o Roberto deu 3 pts de mão beijada na Madeira e o SLB já está a 6pts do FCP que me parece estar mesmo muito forte! Falcao e Hulk enchem-me as medidas e o Moutinho, apesar da traição que nos fez,é um excelente jogador!

Veloso,o que me tens a dizer destas contratações em massa sem critério do SLB? Já são 7(8 com o Mantorras) o número de avançados: Rodrigo,Nuno Gomes,Cardozo,Saviola,Jara,Weldon e Alan Kardec. Os centrais são 5 (deveriam ser 4). Se o Hleb vier o número de jogadores no meio-campo também passa a ser mais do que recomendável.

Achas que vai haver agora uma série de dispensados?Com Rodrigo,Mantorras,L.Filipe,Kardec,Weldon,F.Menezes à cabeça?

Pedro Veloso 28 de agosto de 2010 às 03:37  

Não, porque a época é longa e não faz sentido dispensar à bruta. Não percebo porque é que meteste aí o Kardec, que fez uma excelente pré-época e o próprio Jesus já disse estar a fazer muita falta nestes primeiros jogos.

O Jesus quer vários avançados porque têm características diferentes e sobretudo agora que contempla o 4-3-3 em que os três avançados são avançados puros e não dois extremos e um ponta de lança ao contrário do habitual. Logo, é preciso várias soluções. O Mantorras é um caso especial como se sabe. Dos outros, só acredito que ele empreste o Rodrigo e o F. Menezes. Weldon pode ser muito util em certos jogos e o L. Filipe pode dar jeito de vez em quando.

P.S. Já que falas nele, o Moutinho é bom jogador mas é sempre excessivamente valorizado (ao contrário por exemplo do Meireles que durante anos foi desvalorizado pela imprensa). Vais chegar ao final da época e vamos ver quantos golos e assistências ele fez. Nos jornais os jornalistas escrevem sempre a mesma coisa: dão uma nota 6 (máximo 7) numa escala de 1 a 10, e dizem sempre que ele esteve sereno/tranquilo/lúcido, lutou e esteve muito seguro no passe. Mas rasgos nunca tem.

Pedro Veloso 28 de agosto de 2010 às 03:42  

Quanto aos centrais, vai sair um deles (roderick/fábio faria). Médios teríamos: Javi/Airton a trinco; R. Amorim/Salvio para a direita (embora o Salvio para mim seja mais avançado); Martins/Aimar para 10; Hleb/Gaitan para a esquerda. Sendo que Hleb, Gaitan, Martins, Ruben podem jogar em várias posições. Não acho que sejam médios a mais, sobretudo se queremos ir longe na Champions temos que fazer rotações de plantel.

Saviola 29 de agosto de 2010 às 12:54  

troca de links ?

http://os-tres-grandes.pt.to/

Anónimo 29 de agosto de 2010 às 19:26  
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Mac 30 de agosto de 2010 às 23:30  

O Carlos Martins não está a assumir estatuto de responsabilidade nenhum, até começou no banco. O Fábio Coentrão nem dos jogadores mais influentes em termos de balneário é, portanto não percebo o que queres dizer com esse assumir de estatuto de responsabilidade!

Podes dizer isso sim que se têm destacado, aí já concordo contigo! Temos muitos jogadores em má forma muito devido ás especulações de gtranferencias e ao Mundial. O Luisão,Cardozo e o Maxi arrastam-se. O David Luiz tá armado em vedeta. A defesa foi chegando a conta-gotas. O Saviola e Javi apareceram surprendentemente fora de forma. O Fábio e o Carlão aparecem em boa forma obviamente que se destacam.

Se juntarmos a este factores o facto de o Roberto estar sem confiança e transmitir isso á equipa. Grande parte dos motivos das nossas derrotas estão explicados. Mas que fique claro que o Benfica em ambos os jogos jogou quanto baste para vencer osadversários, só não vimos o Benfica avassalador do ano passado!

Falta-nos velocidade e desiquilabrdores, não nos podemos esquecer que perdemos Di Maria e Ramires.

Mas penso que com o fecho do mercado e paragem das selecções. Os jogadores vão se focar exclusivamente do Benfica e ficar em forma!

O Mantorras não conta. O Nuno Gomes é o chefe do balneário. O Rodrigo é pa emprestar. Sobram 5 todos com caracteristicas distintas, para 4 competições não percebo qual o problema!

O meio campo precisa de um reforço para a esquerda o Hleb era o ideal.

Um dos centrais vai sair.

O Porto não me mete medo. Tem uma grande equipa mas não mostra um futebol po aí além! Ainda bem que venderam o Bruno Alves e Raul Meireles!

Só espero que não se esqueçam desta jornada quando no fim fdo campeonato disserem que o Benfica foi levado ao colo!

Tomás Pipa 31 de agosto de 2010 às 14:27  

O que quero dizer é que os jogadores do SLB quando estão à rasca dão a bola ao Coentrão e ao C.Martins à espera que eles façam qualquer coisa, e é verdade!basta ver o fim do jogo contra o Nacional e ver o que acontecia.

Mac,tu a fazer contas é complicado. Se são oito e só sai o Rodrigo sobram 7 e não 5. Eu já vi o Nuno Gomes dentro de campo esta época

Pedro Veloso 31 de agosto de 2010 às 14:44  

Pa Tomás sabes tão bem como eu que o Nuno Gomes conta pouco no nosso ataque. Está lá por razões afectivas. E o Mantorras ainda conta menos.

Cardozo,Saviola,Jara,Weldon e Alan Kardec. E antes do Weldon se calhar vem o Salvio que é avançado de origem. Pelo menos são avançados com características diferentes uns dos outros, lá em Alvalade até o Paulo Sérgio diz que são todos iguais...

Tomás Pipa 31 de agosto de 2010 às 19:41  

Está bem Veloso, mas vamos ver quanto tempo vai jogar cada um e vais-me dizer no fim da época se a permanência de todos eles no plantel se justificou!

Mac 1 de setembro de 2010 às 00:00  

Claro que se justifica. Garanto-te que todos eles vão marcar pelo menos um golo importante esta época! Olha o Eder Luis, o Kardec e o Weldon a época passada. Também tinhamos avançados a mais e o jeito que eles nos deram quando faltaram golos!

Vai lá comprar pinheiros que eu na Luz tenho de tudo sobreiros, pinheiros, palmeiras é o q tu quiseres!

Mac 1 de setembro de 2010 às 00:00  
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Tomás Pipa 1 de setembro de 2010 às 15:07  

ok

Anónimo 5 de setembro de 2010 às 07:12  
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Pedro Veloso 8 de setembro de 2010 às 10:51  

Olá Saviola, tentei aceder ao teu blog para podermos trocar links mas não consegui, já não está activo?