Portugal...


Ora boas tardes a todos…

Após longa ausência por motivos profissionais, volto agora num momento que me parece oportuno, mas triste,… gostaria de ter voltado apenas no dia 11 de Julho!

Sonhar está ao alcance de cada um, e durante aproximadamente um mês, o país sonhou. Alto de mais, na minha opinião, que realisticamente analisando as melhores perspectivas, não passaríamos dos Quartos-de-Final. Mas penso que tal como todos vocês havia em mim uma esperança, que me levava a ver os jogos da nossa selecção com o mesmo entusiasmo de qualquer argentino ou brasileiro.

Mas tudo acabou no malfadado fim de tarde de Segunda-Feira. Agora resta-nos "lamber as feridas", analisar o que aconteceu, e reconhecer os erros que cometemos e o que de bom
fizemos. Porque erros todos cometemos, a grande diferença está em como lidamos com eles, como aprendemos e os corrigimos. Porque os "grandes" da História também os cometeram, mas foram "grandes" porque os assumiram, porque aprenderam com eles e porque os não voltaram a cometer.

Carlos Queiroz

Carlos Queiroz está neste momento e estará nos próximos tempos "dançando" no fio desta navalha entre
a magnificência e a vulgaridade, a incompetência, a fraqueza. Homem com provas dadas no mundo futebolístico, mas também com atribuídas lacunas de competência; chega à selecção com um objectivo, reerguer uma estrutura em ruínas, que Scolari deixou, depois de espremer os recursos do nosso futebol até ao limite e sem "reflorestar" o mesmo, não pensando no futuro (da nossa selecção). E Queiroz foi, e quanto a mim, continua a ser o homem certo para esta tarefa.
Quanto a mim, devemos enquadrar, por muito que nos custe a todos, portugueses, este mundial, apenas como uma etapa de uma caminhada para um sucesso futuro, que eu acredito que virá a conhecer. E, penso, deverá ser com este espirito que, objectivamente, devemos analisar a actuação da Selecção Nacional nos próximos tempos, até que esta tarefa esteja concluída. Demore o tempo que demorar, custe o que custar, porque não podemos esperar que a curto prazo apareçam vários "Ronaldos", sem que para isso trabalhemos! E quem gosta e entende o mínimo de futebol, percebe que não é com 11 "Ronaldos" que seremos melhores, mas certamente não será com "Dannys", "Dudas" e "Liedsons" que alcançaremos coisas boas.
Olhemos por exemplo para 2 selecções que continuam no mundial e que neste ponto considero um bom exemplo - Argentina e Espanha -, em que, no caso da Argentina, jogando com avançados de luxo a titulares como Messi, Tévez ou Higuaín ainda mantém no banco suplentes como Milito ou Aguero! Ou no caso da Espanha, com o meio campo fabuloso com que normalmente começa os encontros ainda tem como suplente Fabregas!
E se por altura do Euro 2004, a equipa portuguesa tinha justificadas perspectivas de ir longe, com uma equipa base recheada de jogadores do FC do Porto Campeão Europeu, acrescida da experiência e excelência de Figo, Rui Costa, etc, e com uma segunda linha de jogadores bastante promissora, neste momento, quando Portugal não possui sequer um 11 base inicial sólido, só as adolescentes com a sua habitual euforia hormonal pelo Cristiano Ronaldo, que só vêm futebol de 2 em 2 anos, podem suspirar por resultados melhores!

Carlos Queiroz, quanto a mim tem um reconhecido "Calcanhar de Aquiles", a sua formação e educação dificultam-lhe o entendimento com o comum jogador de futebol, que o torna como fraco líder. E será, porque um bom líder terá inevitavelmente que passar uma mensagem na linguagem dos seus subordinados, terá que se posicionar a um nível em que possa perceber as suas necessidades, fazer-se entender e fazer perceber as suas ordens, mantendo sempre a distancia necessária ao respeito. Ao mesmo tempo a fraqueza que se lhe vai denotando, deteriora a atenção dos seus subordinados, o seu respeito, e por fim possibilita o motim.
Penso que para bem da selecção, e para a manutenção de Queiroz no cargo de seleccionador, e que eu espero que continue, seria necessário introduzir uma voz forte no balneário, que apoiasse o treinador, e que não fosse um jogador, porque não estou a falar de um Capitão de
equipa, mas sim de um adjunto de "ferro".

O Mundial

Como já afirmei acima, apesar da esperança, as perspectivas não eram boas, uma qualificação sofrida augurava um Campeonato do Mundo também muito difícil, mas nós, portugueses, já estamos habituados. Portugal demonstrava lacunas graves mesmo frente a adversários acessíveis ou objectivamente inferiores. Jogadores com provas dadas nos seus clubes e com credenciais mundialmente reconhecidas reduziam-se a uma vulgaridade ao serviço da selecção, como também já nos habituamos a ver. Tirando o facto de sermos uma selecção objectivamente mais fraca, em relação a que jogou o Euro 2004, e que a partir daí serviu de bitola de comparação para as que se seguiram, tudo corria dentro da nossa triste normalidade. A euforia das adolescentes crescia, Cristiano Ronaldo 24 horas nas televisões, bandeiras nas janelas, a cerveja e o tremoço e uma inovação…
as terríveis vuvuzelas!

Primeiro jogo, Portugal - Costa do Marfim, jogo muito táctico e pensado da selecção portuguesa, que entendo, seria necessário começar bem o Mundial, mas mais importante, não hipotecar as esperanças futuras frente a um adversário que para os mais "distraídos" seria acessível. E foi contudo um jogo bem conseguido, mas deixando em todos os portugueses uma estranha sensação de que poderíamos ter feito mais, no ataque, já que a defesa estivera a um bom nível. Faltou-nos o golo, mas aliado a este sentimento, havia outra voz que dizia… eles também podiam ter marcado… Por isso o resultado final aceita-se, compreende-se a estratégia. E se este jogo até nos uniu em torno de uma selecção em que notávamos pelo menos algum esforço para dignificar Portugal, logo nos desiludiu com as desnecessárias declarações do Deco. Afinal nem tudo ía bem "lá para baixo"! Aliado ao caso Nani, este vinha dar mais motivos aos já habituais arautos da desgraça do futebol português, Manuel José, Octávio Machado, Rui Santos… Triste fado o destes senhores, mais de quem lhes da tempo de antena… Um empate e pedia-se já a cruz para pendurar Queiroz!
Mas tudo se esquecia logo a seguir, 7-0, vitória sobre a Coreia do Norte, e afinal a selecção produzia golos. Calavam-se os arautos da desgraça. Apareciam os entendidos, ou distraídos, afinal a Coreia do Norte era uma selecção fortíssima, tinha até um jogador a jogar no Japão!!! O nosso ataque era demolidor, Cristiano Ronaldo já marcava novamente pela selecção, e um grande golo, diziam eles! Que na minha terra chamamos um grande "chouriço" mas…! As adolescentes estavam ao rubro! De um momento para o outro éramos capazes de chegar à Final!
Já vaticinavam resultados fabulosos contra o brasil… que quanto a mim, e penso que é de consenso, continua a ser uma das melhores selecções do mundo e uma forte candidata ao titulo. Jogo que mais uma vez Portugal fez com muita "cabeça", porque apesar de muito difícil não seria impossível a goleada da Costa do Marfim frente a Coreia do Norte, e o que muitos esqueceram, os "distraídos", que uma goleada sofrida frente ao Brasil, o que também não seria difícil, ajudava directamente os Africanos.
E estávamos nos "Oitavos", a Espanha era o adversário que ninguém queria, e com razão. Apesar do mau arranque de campeonato, é um equipa fortíssima. E mais uma vez, quanto a mim Queiroz acertou na táctica, Portugal não tem valor para jogar de igual para igual com os castelhanos neste momento. A aposta no jogo de contenção, defensivo e de contra-ataques rápidos é o que melhor se ajustava aos nossos jogadores, num jogo contra um adversário muito forte no meio campo, aos níveis defensivo e ofensivo. Seria muito difícil Portugal trocar a bola no meio campo sem que houvesse consentimento dos espanhóis. E desta vez correu mal.

Balanço e o Futuro

Tal como já disse acima, entendo que devemos perceber a participação no Campeonato do Mundo 2010 como uma competição que nos aparece numa altura de transição, e com este espirito compreender que certas acções foram realizadas apenas no sentido de dignificar a nossa presença no Mundial e sem objectivos competitivos definidos. Podem contradizer-me, é claro, porque Queiroz afirmou por mais do que uma vez que o objectivo passava por chegar o mais longe possível, nada mais natural, ele nunca iria dizer que estavam na Africa do Sul só para jogar e sem objectivos competitivos! Mas penso que no seu intimo ele sentia, tal como alguns jogadores, que não era possível. E neste sentido penso que, de certa maneira, o Mundial nos fez "mal", não por sermos afastados tão "cedo", mas pelas "mazelas" que pode ter causado no grupo. Se o rumo da selecção foi traçado com a chegada de Carlos Queiroz no sentido de criar bases para uma equipa nacional forte a médio prazo, o principal objectivo deveria ser o de solidificar o grupo e a estrutura, enraizar as bases para um futuro mais estável. Aí penso que perdemos mais que o simples 1-0 contra a Espanha e o afastamento dos Oitavos-de-Final, o amuo de Ronaldo pode causar mais moça no futuro do balneário que o desgosto da derrota. A maneira como Queiroz vai "descalçar esta bota" será muito importante para o futuro próximo da selecção. Enquanto Deco estaria já fora da selecção por vontade própria após o Mundial e poderá causar apenas problemas pela comunicação social, Ronaldo foi até agora o Capitão, e será um jogador que dificilmente o treinador afastará, mesmo por um curto espaço de tempo. Ronaldo é um líder de opinião, não porque seja intelectualmente brilhante, mas porque simplesmente aparece, e tem visibilidade publica mais do que suficiente para abalar a liderança de Queiroz nos próximos tempos, penso que tudo irá depender da sua sensatez e do aconselhamento dos que o rodeiam. Quanto a Queiroz, resta-lhe manter ou adoptar uma postura mais firme, mesmo com figuras como Ronaldo, só assim ganhará o respeito dos restantes, e que seja incondicionalmente apoiado por todos.

Segue-se o apuramento para o Europeu 2012, e pelo menos com a prestação no Mundial, Queiroz e todos nós percebemos que apesar das lacunas que foram reconhecidas, foram também creditados novos talentos e resolvidos alguns problemas.
Eduardo revelou-se um guarda-redes com que podemos contar, e devo dizer que superou as minhas, que apostava mais em Beto, estava errado.
Ganhamos um defesa esquerdo, sector que era nitidamente débil na selecção, Coentrão agarrou o lugar e foi quanto a mim o melhor em campo em todos os jogos disputados no Mundial.
A dupla de centrais revelou uma grande solidez em todos os jogos, sendo que o único problema passa pela idade avançada de Ricardo Carvalho.
Já o lado direito da defesa, lugar bastante disputado, pelo que não apresentava preocupações, passou a ser um problema, nenhum dos três jogadores utilizados apresentou solidez suficiente para manter o lugar, esperemos que Bosingwa recupere rapidamente e volte ao melhor nível.
No meio campo, os problemas persistem, apenas com Raul Meireles com lugar cativo; à frente da defesa Queiroz demonstra preferir Pepe, mas não será suficiente e Pedro Mendes não dará muito mais anos à selecção; e no sector mais ofensivo do "miolo", Tiago não é um titular indiscutível, não será certamente o numero 10 que Queiroz pretende.
No ataque… Ronaldo manterá certamente a titularidade, mas a crise de extremos do futebol português começa a fazer-se sentir. Simão continua a ser um jogador que não rende ao serviço da selecção. Esperemos que Nani se imponha definitivamente como titular.
A posição de ponta de lança, como sempre, desperta as piores preocupações, Portugal não produz jogadores de classe mundial para esta posição, a falta de um "matador" na área faz muitas vezes a diferença.
Acrescido a este grupo, Queiroz dispões ainda de um vasto lote de nomes que podem aparecer como mais valias para a selecção, no futuro - Varela, Rubem Micael, Miguel Veloso, Djaló, Rolando...

Eduardo, Coentrão e… Ronaldo

Não queria terminar sem uma breve palavra para aqueles que acho se destacaram na competição. Pela negativa e pela positiva… deixemos os melhores para o fim.

Falemos primeiro daquele que continua a ser o mais mediático jogador a da nossa selecção, Cristiano Ronaldo, aquele em quem todas as nossas esperanças são sempre depositadas, e que ultimamente nos tem deixado desiludidos. Não tanto pela sua fraca prestação no relvado, compreendo que tal como outros grandes jogadores, são constantemente alvo de ferozes marcações que os impossibilita muitas vezes de fazer exibições de grande nível, mas ao contrario de Messi, Ronaldo não conseguiu, por pouco que fosse, expor em campo todo o seu génio durante o Mundial, perdendo-se em lances individuais e na simulação de faltas. Algo vai mal! Cansaço talvez? É certo que "levou o Real Madrid às costas" boa parte da época. Mas esperamos sempre mais do "melhor jogador do mundo"! E se o fracasso assolou Ronaldo em campo, também fora dele esteve aquém do razoável. É a prova de que o dinheiro não traz felicidade, muito menos dignidade profissional, respeito pelos companheiros de profissão e de balneário, superiores e pelos portugueses em geral que o acarinham e que foi a custa destes que passou o ultimo mês de férias na Africa do Sul. Tornou-se um profissional arrogante, destemperado e inconsequente. Provou que não tem estofo para Capitão.

Por fim… incontornavelmente, gostaria de falar daqueles que, quanto mim, e penso que é de opinião geral, foram os Grandes Portugueses deste Mundial. Foram aqueles que nos fizeram sentir, aqui bem longe, que lá havia alguém a lutar por nós. Alguém que sentia realmente a camisola que envergava, a Nação que representava. Daqueles que gostávamos de ter ao nosso lado numa Aljubarrota qualquer, porque com eles percebemos que estava lá Portugal - Eduardo e Coentrão, não menosprezando outros, que com igual bravura se bateram, mas que a esta nos haviam já habituado, e justiça lhes havia sido já feita oportunamente. Seja pelo fulgor da primeira vez, ou amor a camisola, justiça lhes seja feita, foram enormes, os meus parabéns.

5 Passes de rotura:

Julia Pinheiro 3 de julho de 2010 às 03:52  

sem duvida alguma o melhor post que ja foi posto neste blog(desde que acompanho).parabens Joaquim

portuguesesnoestrangeiro 3 de julho de 2010 às 21:51  

Penso que há várias coisas a mudar na selecção portuguesa:

-Ronaldo não devia ser capitao, por muito que seja o melhor jogador portugues, nao tem perfil mental para isso. R.Carvalho e Simão seriam os capitães justos.

-Ricardo Costa, 9 jogos pelo Lille , 2 vezes expulso, 5 amarelos, e ainda por cima é central. Como é que este jogador é convocado? como é que joga a lateral?

-Pepe, mais de metade da época lesionado. Porque é que foi convocado? para jogar a trinco? enfim...

-Casos Nani e Deco muito mal explicados


Tinhamos selecção para mais, a Espanha nao fez um jogo de outro mundo e esteve ao nosso alcance, por muito que sejam, em teoria, mais fortes que nós.

Cumprimentos,
Paulo Silva
http://portuguesesnoestrangeiro.wordpress.com/

Pedro Veloso 4 de julho de 2010 às 14:06  

Joaquim muito bom post.

Concordo com a maioria dos pontos.

Desde logo, sem dúvida que - e quase toda a gente se esquece disso (a começar pela maioria dos benfiquistas que gostam do Scolari só porque afrontou o FCP - eu obviamente gostei disso, e acho que com o Queiroz desapareceu essa independência, mas de resto detestava o brasileiro) - Scolari veio cá, aproveitou o que de bom os clubes lhe davam, formou um grupo coeso e com garra (o que, sem dúvida, é muito importante para um seleccionador) mas renovar a base da selecção está quieto. E o Queiroz (que, é verdade, marcou a viragem no futebol português com o trabalho que fez na formação) apanhou-se com uma selecção que não tem muitos recursos para ombrear com as selecções de verdadeiro top.

Dito isto, acho que ele não deveria ser o seleccionador, antes um director técnico, onde sem dúvida faria um enorme trabalho na selecção. Isto porque de facto me parece não ter as qualidades de liderança e, até, técnicas para ser um treinador vencedor. Basta relembrar as épocas no SCP, no Real Madrid (lembram-se da barbaridade de plantel que ele tinha?) ou até na 1ª passagem pela selecção.

Como na altura disse, discordei de muitas opções na convocatória, nomeadamente a não-existência de alternativa a nº10 para o Deco, a chamada do Tiago (que não joga a grande nível há 3 anos), do Ricardo Costa, e as opções Beto e Daniel Fernandes na Baliza. Havia grande aposta na chamada "polivalência" em detrimento de verdadeiras soluções ofensivas, o que é algo que eu abomino. E olha-se para selecções como Alemanha ou Argentina, vê-se o número de atacantes que levam e percebe-se a diferença.

Depois, nos jogos em si eu até acho que a estratégia foi sendo a correcta, mas opções como jogar com o Ronaldo a ponta-de-lança contra o Brasil (não percebo como é que alguém hoje em dia ainda acredita que é possível - excepto se formos o Barcelona com uma superequipa e treinadíssima, o que permite por exemplo alinhar com Pedro, Messi e Bojan sem perda de objectividade -ganhar algum jogo sem pontas-de-lança de raiz, baseado no chamado "ataque móvel", faz-me lembrar o nosso futebol sem balizas dos anos 80 e 90!), e as ridículas substituições no jogo com a Espanha fazem-me perder a confiança na capacidade táctica do Queiroz.

Quanto ao Ronaldo, sempre defendi -ou tentei compreender - o seu menor rendimento na selecção face aos clubes, mas agora passou das marcas. Foi absolutamente ridículo, desde a nulidade dentro de campo, os livres quase da linha lateral, as perdas de bola constantes, às declarações no final do Portugal-Espanha. Obviamente tem que perder a braçadeira, não só por isto mas porque há vários jogadores com muito mais perfil, como Simão (pelo nº de internacionalizações devia ser ele), Ricardo Carvalho ou Bruno Alves.

"só as adolescentes com a sua habitual euforia hormonal pelo Cristiano Ronaldo, que só vêm futebol de 2 em 2 anos, podem suspirar por resultados melhores!"

Haha completamente!

Duarte 4 de julho de 2010 às 17:21  

Eu nunca fui um defensor de Queiroz. Não o acho um bom seleccionador e muito menos um bom treinador. O curriculum dele é vulgar.

Em relação ao Scolari, só tenho que subscrever tudo o que o Pedro disse. Agora está no Palmeiras, mas provavelmente será o próximo seleccionador do Brasil. Vamos lá ver o que fará de novo com o escrete, sendo certo que para mim aquela selecção está a léguas de ter o conjunto de jogadores a que nos habituou. Quando olhamos para a actual equipa e a comparamos com outras, p. ex. com a que venceu o mundial de 2002, a diferença de qualidade, principalmente no ataque, é abissal.

Sinteticamente, o nosso grande mal foi o facto de nunca termos um tido um bom seleccionador realmente. Sem isso, e apesar dos excelentes jogadores que este país já produziu, é impossível ganhar-se seja o que for.

Pedro, só não concordo quando dizes que o Beto não devia ter sido chamado. É certo que não jogou, quanto a mim incompreensivelmente, grande parte da época. No entanto foi titular na ponta final e assinou boas exibições, como contra o Benfica por exemplo. Além disso já tinha sido convocado por diversas vezes na fase de qualificação e não fosse o estatuto de suplente que teve no FCP durante grande parte da temporada, seria provavelmente o titular da nossa baliza. Baliza essa que devia ter sido preenchida também pelo Quim e não pelo Daniel Fernandes, mas também achei impensável que por exemplo o Rui Patrício fosse convocado.

Saúdo o vosso regresso ao activo e agora fico à espera de um post de análise ao início da nova época clubística. Como concordarão, há muito para falar e eu estou morto por mandar algumas bicadas:)

Sá Pinto 5 de julho de 2010 às 22:57  

Futre, Figo, Peixe, Simão, Quaresma, Martins, Moutinho. Mais uns aninhos e conseguimos fazer um all star de putos formados pelo Sporting, elevados a estrelas ou símbolos do clube, e que numa determinada fase das respectivas carreiras resolvem vomitar em cima de tudo o que nós, clube e adeptos, lhes demos.

As explicações hoje apresentadas por Betencourt e Costinha são uma espécie de receita tradicional para curar esta maleita: chama-se a imprensa e diz-se aos sócios que o problema é dos putos, que são uns seres humanos deploráveis, sem princípios, e que não respeitaram o clube. Percebo isso. Ao ler tudo aquilo que hoje foi dito, é natural que qualquer um de nós pense qualquer coisa do género “foda-se!, como é que o cabrão do Moutinho foi capaz disto?! Que grande boi! Enganou-me bem, o filho da puta… Se é assim, então ele que vá com o caralho!”. Foi isso que eu senti. Provavelmente 95% dos adeptos terá sentido algo semelhante.

Assim sendo, na aparência fica tudo bem. Um gajo até parece que fica com a alma lavada e ganha forças para virar esta página negra que teima em parecer um inacreditável pesadelo. “Um escroque assim não fazia falta nenhuma”, pensamos, ensaiando já um cântico ofensivo qualquer contra o ex-símbolo-agora-paneleiro-do-caralho-filho-da-puta-ingrato.

Há porém, uma coisa que me intriga e que não ficou bem explicada na conferência de imprensa de hoje: como é que se chegou a este ponto? Como é que se deixou chegar o “problema Moutinho” a este ponto de “não visto mais a camisola no Sporting?” ou ”prefiro jogar no Usbequistão ou no FC Porto ou no Benfica, tanto me faz”? Mais: ao olharmos para as últimas duas décadas e ao recordarmos Futre, Figo, Peixe, Simão, Quaresma, Martins e Moutinho, não será no mínimo prudente parar e reflectir um pouco no denominador comum de todos estes problemas? E o denominador comum não é o clube? Ou vamos continuar a encolher os ombros e a usar a já estafada máxima do “acertámos na formação do atleta, mas falhámos na formação do homem” de cada vez que um puto saído da Academia limpar o cu à camisola que vestiu durante uma década?

Eu acho que ia sendo a altura de pensar nisto. Mas pensar a sério. Entre uma contratação de um Maniche e uma contratação de um Evaldo, talvez não ficasse mal à actual estrutura directiva do clube preparar uma espécie de refundação da estratégia para a Academia. Sob pena de ela pura e simplesmente deixar de fazer sentido. É que qualquer dia o olhar dos adeptos para os novos talentos da Academia passa a ser totalmente diferente: deixamos de pensar “estou convicto de que este gajo vai ser um jogador do caralho” e passamos a pensar “estou convicto de que este gajo vai foder-nos ainda mais do que nos fodeu o Simão e o Moutinho”. O que não deixaria de ser pitoresco, no mínimo, tendo em conta que é na Academia e na estratégia de formação que supostamente assenta todo o edifício para a evolução do clube. Em resumo, e usando a expressão do Betencourt: nós afinal temos uma academia de talentos ou uma fábrica de produção de maçã podre? Vejam lá isso… é que a balança começa a pender para o segundo prato.