Pelo que me comprometi com quem lidera este projecto achei por bem fazer um novo post sobre o Arsenal-FC Porto.O FC Porto deslocou-se a Londres para defrontar o Arsenal, num jogo onde as estatísticas jogavam, em tudo, contra os azuis e brancos.
E se chegou lá uma equipa abatida e desanimada, saiu de lá uma equipa despedaçada e sem forças, segundo me parece, para sair do fundo.
O Arsenal, é sabido por todos, pratica um futebol de outra galáxia. Muitos são os especialistas que consideram o futebol dos gunners, juntamente com o do Barcelona, o melhor futebol do mundo. Mas isso são opiniões e nada contam para além do enriquecimento pessoal de cada um.Importa falar do que se passou no Emirates Stadium e o que se passou foi humilhante para quem tem honra e vergonhoso para quem tem vergonha. Sinceramente já começo a acreditar que alguns jogadores e equipa técnica do FC Porto tenham perdido ambas as qualidades atrás referidas.

O futebol português fica, mais uma vez, com uma mancha horrível na sua história. Depois de vermos, a 25 de Novembro de 1999, o Celta de Vigo ganhar ao Benfica por 7-0, assistimos no ano passado, a 10 de Março de 2009, a uma goleada idêntica à de Vigo, com o Sporting a ser cilindrado pelo Bayern de Munique por 7-1, isto depois de terem sido goleados em Alvalade por 0-5, ontem foi a vez do FC Porto concorrer para este nosso curriculum negro. Admito que pior só mesmo se o jogo tivesse sido no Dragão. Foi um pesadelo sem medidas, mas graças a Deus não foram 7. Do mal o menos.
O adversário pode ser superior, os jogadores deles podem ser os melhores do mundo, os cofres deles podem estar recheados de milhões de euros, tudo isso eles podem ter mais do que nós, podem e têm, mas mais vontade? Isso não. Não há dinheiro que compre a vontade!! Trata-se de brio profissional, vergonha na cara, honra como homens, obrigação por quem lhes paga e respeito por quem sofre por eles. É isto que um profissional de futebol precisa de ter, bem antes de ser craque.
Ontem os jogadores do FC Porto mais pareciam bailarinas assustadas com o barulho das bancadas, encolhidos com os nomes que os adversários levavam nas camisolas. Não se admite quando todos, ou quase todos, eles são internacionais pelos seus países e já têm alguma tarimba na competição em causa.
O amor à camisola perdeu-se e quando assim é tudo fica mais difícil. É isto que o próximo timoneiro da equipa vai ter que trabalhar, para além da já falada limpeza de balneário.

Jesualdo Ferreira, como é seu hábito, inventou e fá-lo sempre que não deve, nem pode. O Professor faz-me lembrar todos os que recebem a carta de despedimento da entidade empregadora e depois limitam-se a ver passar os últimos dois meses, muitos deles optam até pelo famoso atestado médico e Jesualdo deveria pensar nesta última hipótese.
Tomas Costa passou de substituto natural de Fernando a adepto de bancada e Nuno André Coelho, que conta com zero minutos na Liga Sagres e contava com os mesmos minutos na Liga dos Campeões, passou a titular, melhor que isso só colocá-lo numa posição onde ele nunca jogou. Pior não podia fazer o Mister. O jovem central adaptado andou, como era de prever, perdido. Nem foi trinco, nem central, nem nada. Dali apenas saiu o prejudicar de um atleta e de uma equipa, sem necessidade nenhuma.
Cristian Rodriguez que tão bem entrou contra o Olhanense garantiu um lugar no banco e Hulk voltou a uma titularidade por teimosia. O “castigado até um dia destes” mostrou que só os jogos podem dar ritmo e confiança a um atleta com as suas capacidades. Em Londres, como no Dragão, o brasileiro deveria ter começado no banco e entrar, claro, na segunda parte para tentar explodir e surpreender o adversário, mas Jesualdo não viu isso e voltou a prejudicar o jogador e a equipa. O 12 portista andou perdido em campo e mesmo sendo o mais rematador acabou por desaparecer do jogo bem mais cedo do que o necessário e perdeu-se, como era de prever, em jogadas individuais sem qualquer fim prático.
Falando agora de más exibições, que são muitas ou quase todas, tenho que dar ênfase a dois nomes.
Rolando. No primeiro golo consegue perder um lance aéreo com Arshavin, que tem menos 17 centímetros que ele. O facto do russo estar em fora de jogo (o que torna o golo ilegal) não desculpa o central português que abriu, assim, um muro que deveria estar firme até ao minuto 90. Já no segundo golo Rolando divide as culpas com Bruno Alves, porque ambos deixaram Bendtner sozinho a um metro da linha de baliza para que este pudesse empurrar calmamente a bola para lá do risco.
Fucile. Não há palavras que classifiquem de forma correcta a exibição do uruguaio. Foi o pior que vi no nosso defesa direito. No primeiro golo faz um carrinho para tirar a bola de Helton e oferecê-la a Bendtner que só teve que empurrar; no segundo rouba a bola de Clichy e logo de seguida oferece-a a Arshavin que apanha a auto estrada azul para depois oferecer o golo ao abandonado Bendtner; for fim, o 13 portista, para provar o bom entendimento com o avançado dos gunners, decide agarrar Eboue na área e assim cometer o penalty que serviu para o 52 do Arsenal chegar ao hat-trick. Uma nota para este lance: Eboue é puxado por Fucile e cai para a frente, tal como Lisandro caiu quando Yebda lhe pôs a mão no peito, por isso o jogador do Arsenal pode agradecer o facto da Comissão Disciplinar da UEFA não ser a mesma da Liga Sagres, caso contrário falharia os jogos dos quartos de final.
Falando agora das coisas boas. É verdade, elas também existiram no meio daquele teatro de guerra. Helton, Falcao e Cristian Rodriguez foram a água no meio daquele deserto azul e branco.
Helton foi considerado por muitos o melhor em campo, mesmo com 5 golos sofridos no mesmo jogo e só isto já diz muito. O brasileiro fez defesas fantásticas, ao contrário do que costuma fazer nestes jogos, e a culpa dele não existe em nenhum dos golos.
Falcao. Começam a faltar os adjectivos para este senhor. O avançado colombiano mói uma defesa, seja ela qual for. Ontem, enquanto via o jogo, tentava imaginar o que seria um ataque com a dupla Lisandro e Falcao. O 9 dos dragões é incansável, faz quilómetros, vem atrás, vai à frente e tenta de todas as maneiras alvejar a baliza adversária. Aguardo ansioso por um FC Porto sério e com qualidade jogo para ver quantos golos faz Falcao, acho que nessa altura vamos ficar a saber com quantos golos se faz uma bota d’ouro.

Cristian Rodriguez entrou muito bem no jogo, tal como no último do campeonato. Mexeu com a equipa e empurrou o Arsenal para trás. Mostrou bom entendimento com os colegas e gostei de ver a sua condição física, mesmo que apenas por 45 minutos. Foi pena que aquele cabeceamento tenha sido parado por Nasri, o 2-1 mudaria o jogo, acredito eu, ou talvez não. Pouco importa.
É importante lembrar que o FC Porto dominou o jogo e empurrou o adversário para a sua área do minuto 45 ao minuto 63 quando sofreu o terceiro golo, sem merecer, naquele bailado do francês Nasri. Já agora, digo-vos que foi o golo que mais me enervou. Foi ver o baixinho do Arsenal entrar por ali adentro como quis e lhe apeteceu e notarmos que tinha três jogadores do FC Porto a apreciar, só isso, o trabalho dele. Não houve uma alma caridosa a meter o pé à bola. Irritante.
Queria também lamentar o nosso banco, que mais parece falido, tão fracas são as opções. Quando uma equipa recorre a Guarin e Mariano (como sempre) mostra que está curta de plantel e fraca de qualidade.
Quanto ao jogo é tudo.
Alguns adeptos do FC Porto esperaram e insultaram a equipa aquando da sua chegada ao aeroporto Sá Carneiro. Gostei de ler essa noticia, é preciso acordar quem dorme demais. A justiça dos adeptos fez-se notar quando Falcao passou e não mereceu mais do que elogios.
Eu sou portista de sempre e para sempre. Nas horas boas estou lá, mas nas más eu não me escondo. Não sou o adepto só de vitórias, como há muitos por aí, que até nem ligam muito à bola, mas só quando corre mal, porque quando corre bem eles parecem vulcões adormecidos a entrar em actividade. Isso é feio, esses não valem nada. Fazem-me lembrar os amigos de ocasião, que só aparecem quando dá jeito.
Neste momento estamos fora da Liga dos Campeões e fora do campeonato, ou melhor, dentro mas só matematicamente. A Taça de Portugal é o grande objectivo e espero que o FC Porto não deixe escapar esse troféu, pois ele permite-nos atingir um novo patamar no nosso longo palmarés. A Taça da Liga, infelizmente, vai ser mais um confronto de adeptos do que de duas equipas que querem vencer a Taça da Bejeca e ainda estou para ver com que equipa se vai apresentar Jesualdo. Eu por mim nem se apresentavam, é uma taça criada por alguém que não nos merece respeito, mas é óbvio que o FC Porto, A ou B, vai lá aparecer para tentar vencer. Já agora, quem quiser ir ver o jogo, com saída do Porto, paga 15€ com direito a bilhete e viagem, isto pela claque, quanto aos restantes preços não estou por dentro.
Aproveito este meu espaço para elogiar a nossa imprensa, se por vezes a critico, hoje elogio-a. A Bola e o Record mantiveram o mesmo diapasão e continuaram a ignorar o FC Porto, mesmo goleado. Achei estranho, até porque ontem muitos dos que compram esses jornais vibraram, ingleses adaptados, vibraram com a vitória do Arsenal como se fosse a do clube deles, eles mereciam capas melhores, ensanguentadas com o massacre sofrido pelos dragões.
Dei-me ao cuidado de vos trazer algumas provas do que vale um desses jornais. O Record é, como o próprio nome indica, um recordista, no caso, de capas inventadas, por eles sonhadas ou talvez por coisas que eles gostavam que acontecessem. Desde ser certo que Robinho (sim, o da selecção brasileira) era jogador do Benfica; passando pelo contrato de 5 anos de Lisandro Lopez com o Benfica; garantindo que Maxi Lopes ia também para o clube da Luz (foi para o Barcelona) e tinha um contrato válido por 5 anos e meio; o Falcao, sim o nosso Falcao, estava já a caminho do Benfica, isto pelas mãos do Record e nos sonhos mais cor de rosa de quem por lá escreve; os encarnados, defendia o jornaleco, tinham já contactado Laudrup e Zico, afinal acabaram por não vir; os da Luz tinham também um acordo com Andres Madrid; e para fim de exemplos da macacada, Berardo seria o novo dono do SLB, isto com a capa SLBerardo e transformando, em quatro passos, a cara de Vieira na de Berardo. São ridículos e vão morrer assim.
Cumprimentos azuis e brancos.