O caso João Moutinho


A última época futebolística Sportinguista, como todos sabemos, roçou a mediocridade. Conflitos entre dirigentes e adeptos, dirigentes e jogadores, castigos mal aplicados, demissões, exibições fraquíssimas, maus resultados desportivos e muitas histórias mal contadas. O defeso adivinhava-se portanto fulcral para uma reestruturação da política em Alvalade e como base de uma preparação sustentada para a nova época, contemplando aspectos como o reforço da equipa e a blindagem do balneário. Espectava-se que pelo menos uma das jóias da coroa do clube se pudesse transferir, nomeadamente Miguel Veloso ou João Moutinho, com o primeiro a encabeçar grandemente a lista das probabilidades e as manchetes dos jornais.


Contudo, surpresa! Da noite para o dia, o capitão da equipa de Alvalade (o mais jovem de sempre a sê-lo), símbolo da formação e principal imagem da equipa, transferiu-se para o FC Porto. Nos dias seguintes, através da imprensa e das declarações de Costinha e JEB, ficou-se a saber que o jogador havia forçado a saída, manifestando a sua vontade de sair através de diálogos, sms, recusa em treinar e, por fim, declarações incompreensíveis para um capitão: “no Usbequistão, Benfica ou FC Porto quero é ganhar mais”; "nunca mais vou vestir a camisola do Sporting"; "dei a minha palavra ao FC Porto que ia ser jogador deles" ou "quero tanto sair que ajudo e coopero com tudo o que quiserem dizer nos jornais, assumindo a responsabilidade".

Este comportamento chocou os dirigentes leoninos e posteriormente os adeptos, já que até então João Moutinho havia tido sempre um comportamento exemplar dentro do campo como jogador, e fora deles apenas manchado (sem muita gravidade na minha opinião) com as declarações públicas que efectuou no flash interview em 2008 referente à sua vontade de sair para o Everton. Desde aí tornou a sua posição pública mas sempre foi profissional, sacrificando-se pela equipa e a nível pessoal ao fazer todas as posições no meio campo, mostrando-se aplicado, coerente em todas as suas declarações nos piores momentos da última época e, apesar de ter baixado de rendimento desportivo, foi sempre dos poucos jogadores que mantiveram um nível exibicional satisfatório em 2009/2010.

O clube actuou bem: procurou satisfazer o jogador, aumentando o seu vencimento e tornando-o o mais bem pago do plantel a par de Liedson. Reduziu também a anterior cláusula de rescisão para 22,5 milhões de Euros de forma a facilitar uma saída no futuro.

Deste modo, o clube procurou dar contrapartidas ao jogador face ao interesse de Bolton e Everton (ambos clubes sem grandes perspectivas de sucesso competitivo, principalmente o primeiro), assim como facilitar uma saída no futuro, situação que se sabe nunca ter sido descartada face à necessidade de reestruturar o plantel, especialmente após se ter verificado uma estagnação da sua evolução como jogador. O potencial e a fiabilidade exibicional ainda as mantinha, mas para esta época deixou de haver intocáveis.

Contudo, Miguel Veloso “explodiu” em 2009/2010, rubricando exibições de grande nível e afigurando-se como uma possível peça fundamental para a nova época, tanto mais que está provado que é bastante polivalente. Seguido por grandes nomes da praça Europeia, esperavam-se (e esperam-se) propostas importantes para o cofre de Alvalade, sendo expectável que a sua venda permitisse segurar João Moutinho. O contrário também poderia acontecer, se bem que tal facto fosse menos credível, pois apenas o Everton continuava a manifestar publicamente interesse no capitão (o que não significa de todo que não tivesse mercado) e porque Miguel Veloso, ao contrário de Moutinho, havia sendo protagonista de maior número de boatos, notícias e declarações relacionados com a vontade de se transferir para o estrangeiro, criando alguns braços de ferro com a direcção do Sporting no passado.

Miguel Veloso foi até há pouco tempo um jogador bastante criticado pelos adeptos em função desse passado, entretanto bastante esquecido e compensado pela sua entrega e exibições nos últimos meses.

Assim, a venda de João Moutinho para outro clube não era expectável, subscrita com a não convocatória do jogador para a África do Sul, facto que lhe terá retirado cotação e diminuído no mercado. Foi também uma das razões que terão sido apontadas para a “explosão” do seu descontentamento.


Tendo em conta os factos anteriormente referidos, esperava-se que o Sporting o transferisse rapidamente, tendo em conta o comportamento deplorável (tornou-se efectivamente uma “maçã podre” como JEB referiu) como profissional e capitão, mas para um clube estrangeiro. Pina Zahavi e outros quatro empresários a soldo do clube de Alvalade procuraram nichos de mercado mas foi referido que ninguém mostrou interesse, aparecendo só…o FC Porto!

O SCP negociou-o assim por menos de metade da cláusula de rescisão, permitindo um encaixe financeiro significativo e assegurando os préstimos de Nuno André Coelho. De igual modo, viu a dívida relativa à venda de Hélder Postiga ser perdoada, assim como a obtenção de 25 % das mais-valias da futura venda de Moutinho num montante superior aos 11 milhões da transacção.


O negócio foi apelidado por muitos como bom para ambos os clubes e sinal de “evolução da maturidade do futebol Português”. Para mim foi mau para o Sporting (com potencial para se tornar péssimo) e óptimo para o Porto. Passo a explicitar:

- Para o clube das antas foi óptimo. Reforçou o meio campo com um activo conhecedor do futebol Português, uma aposta ganha em polivalência, entrega em campo, um nível exibicional no mínimo médio e constante e, além disso, a possibilidade de formar uma grande dupla com Raúl Meireles. De igual modo, tem probabilidades de aumentar o seu potencial e desenvolvimento como jogador, já que se encontra à partida numa equipa mais competitiva e com menor exigência expectável de sacrifício posicional da sua parte. Se bem que o investimento do FC Porto tenha sido elevado, prevê-se a venda de Bruno Alves e/ou Raúl Meireles. Sendo o último provavelmente o eleito, o clube perderia uma possível dupla portuguesa muito boa no meio campo mas a fiabilidade de João Moutinho face ao risco de apostar num activo estrangeiro a contratar é uma mais valia para o Porto, como referido no último post pelo Capo. Por último, é um culminar de um namoro antigo, obtendo um jogador com garra e dedicação, “à Porto” como gostam de dizer, a “preço de saldo” (face ao seu potencial) e também enfraquecem um rival directo que se encontra igualmente em processo de reestruturação. Caso o Porto fique aquém das expectativas e face a um Benfica favorito como candidato ao título, prevê-se que a luta para alguns ou muitos objectivos seja contra o Sporting e, deste modo, há maior probabilidade de um rival mais fraco.

- Para o Sporting, mau. Para mim logicamente há pontos positivos: 11 milhões de Euros mais um central alto como pretendido por Paulo Sérgio, perdão da dívida antiga do pior avançado do Sporting na última época. Verbas importantes para atacar o reforço da equipa neste defeso, mas há alguns aspectos que destaco:

1) A venda ao um rival directo é, em 1º lugar, fortalecê-lo. E de modo importante, tendo em conta o já referido!

2) A venda a um rival directo afecta a imagem e credibilidade da direcção, agrava a desconfiança dos adeptos, fere o seu orgulho e a crença no sucesso da renovação da equipa e fornece uma imagem social de incapacidade e impossibilidade de resolver os problemas financeiros e de mercado sem ser fornecer o maior símbolo do clube a um competidor directo. Soa a traição para muitos, a sub-alternidade para outros, a um péssimo negócio para terceiros ou como a gota de água para outros.

3) Face à situação desportiva e da direcção nos últimos meses, estes acontecimentos são mais uma grande acha para a fogueira que tem vindo a arder alto em Alvalade. O risco de renovação da equipa aumentou e a pressão sobre o sucesso futuro aumentaram. Deste modo, o insucesso desportivo futuro assim como o sucesso portista e/ou do jogador em questão poderão tornar-se armas fortes de contestação e revolta à direcção na próxima época.

4) Das declarações de JEB e Costinha, pareceu-me que o Sporting pecou gravemente na celeridade com que quis resolver este problema. Justificaram que João Moutinho não tinha mercado, pelo que foram forçados a vendê-lo ao clube das Antas. Todos sabemos que o mercado de transferências se encontra estagnado e “lento” em função do mundial e da crise financeira. Só nas últimas semanas irá acelerar, portanto tendo-se J. Moutinho desvalorizado na última época, era expectável que não tivesse propostas antes do terminus do África do Sul 2010! Não acredito que um jogador da sua qualidade não pudesse ser vendido futuramente, mesmo por valor mais baixo, a um clube de 2ª linha avançada da Europa!

5) Aparentemente há uma série de histórias mal contadas relacionadas com o decorrer do processo pelo empresário Pini Zahavi, tendo chegado mesmo a mentir aos dirigentes Sportinguistas sobre as negociações do jogador com o Porto ou do interesse deste no mesmo (depois apresentou desculpas). Perante estes factos e face à exigência de J. Moutinho se transferir para o Norte, considero que essa solução nunca poderia ser equacionada, até pela questão moral e de o clube não se vergar perante a demanda do capitão.



6) Se o timing da venda do mesmo justificava-se pela necessidade de encaixe financeiro para futuros reforços, verifica-se o referido no ponto 3 relativamente à estagnação do mercado. Como prova deste facto, o clube após a venda de Moutinho ainda só assegurou Valdés por valores muito próximos relativamente ao que se vinha andado a falar há várias semanas. E pelos vistos, não providencia financeiramente a capacidade de assegurar Drenthe. Até à data aparentemente não se verificaram consequências directas, esperando-se que estas ocorrem futuramente mas sempre após o mundial!

7) Se o SCP vender Miguel Veloso, como parece ser provável, são dois jogadores muito importantes do miolo da equipa que saem. Mesmo que João Moutinho não pudesse ser recuperado, não custava nada tentar multá-lo ou ameaçá-lo com o facto de não jogar durante a época inteira (aliás, eu e seguramente muitos exigia-o!). Recordo que o Sporting é uma das maiores instituições desportivas nacionais, para muitos a melhor, e tendo em conta a condução deste processo e as declarações dos dirigentes, parece-me óbvio que o Sporting cedeu à chantagem do jogador, meio justificada pela necessidade de reforçar a equipa e resolver o problema ambiental e de balneário que poderia ocorrer (Costinha não iria ter mão de ferro, como frequentemente referiu?). João Moutinho tinha contracto, tinha que o cumprir e seria do superior interesse do Sporting providenciar esse seu direito ou no mínimo, demonstrar que tem austeridade disciplinar. Tenho a certeza que se o clube em questão fosse o Benfica ou o Porto, as respectivas direcções providenciariam que o jogador ficasse meses sem jogar se necessário, recuperando-o ou transferindo-o para o estrangeiro. Além disto não tenho dúvidas que no Porto teria visitas no parque de estacionamento se lá jogasse.



8) Tendo em conta os casos de indisciplina veiculados pela imprensa nos últimos meses (Liedson, Stojkovic, Vukcevic, Miguel Veloso, J. Moutinho) e verificando-se que as peças basilares do Sporting como Liedson, Polga e Miguel Veloso estiveram envolvidos nesses casos ou perderam competitividade ou serão provavelmente transferidos, a saída de João Moutinho arrisca deixar o balneário do Sporting sem uma voz forte e competitiva em campo (Liedson tem vindo a ser contestado na última época segundo a imprensa face à impunidade de que beneficiou) e, do modo como foi feita, transmite uma potencial volatilidade futura da direcção do Sporting a casos de indisciplina, quer relativamente a casos de pancadaria, quer a situações de desejo de saída (Miguel Veloso, Izmailov (?), Stojkovic, Vukcevic, etc). Estas situações podem-se agravar quando alguns jogadores já constataram que quem é intocável nunca foi de modo aparente severamente castigado na última época quando havia razões para isso, em prol da defesa da competitividade do clube.

Como Sportinguista é com bastante apreço que vejo o apoio em torno da equipa que temos. Está-se a transmitir confiança, espaço e tempo à equipa técnica e direcção para fortalecer o projecto Sporting!

Contudo, considero que uma época ao nível da última (ou nem tão pouco) terá com bastante probabilidade no caso João Moutinho um aspecto importante que poderá auxiliar desenvolvimentos nocivos de balneário e na direcção Sportinguista. Isto apesar de nunca negar que houve contrapartidas positivas para o clube nesta situação e que serão proveitosas para o mesmo. Muito fica para contar até porque o jogador não falou, talvez futuramente se saiba algo mais mas isso não será decerto relevante em nada para o destino e sucesso do clube, a não ser que o mesmo não corra bem como referi anteriormente.

A fé de Sportinguista mantém-se, venha o espectáculo da nova época!


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Porto 2010/2011

Afigura-se o recomeçar da redondinha nos relvados nacionais! Altura de altas expectativas em que se olha para "a galinha da vizinha", mas aqui ao contrário do ditado popular, a nossa parece sempre melhor. Contratações frustradas são rapidamente desvalorizadas, vendas efectuadas são sobremaneira valorizadas e do ponto de vista contrário, as compras "foram sempre pelo melhor preço". É o espírito competitivo no seu melhor.

Analisando o meu clube, importa num primeiro momento comentar a postura de A.Vilas Boas, para já encontra-se centrado apenas em trabalhar, não aparece constantemente nos media, resguarda o seu método de jogo, ao contrário do que muitos lhe apontavam, parece ser um treinador mais interessado que a equipa tenha a sua imagem, do que propriamente promover a sua imagem. No Porto isso é nesta altura deveras importante, permite o sossego do trabalho necessário para uma pré-época. Em termos de ideal de jogo, parece-me pelos jogos iniciais que o sistema táctico se irá manter no entanto privilegiando uma actuação mais preponderante do miolo. A ver vamos.

Guarda Redes:

Contratação de Kieszek de forma a reforçar uma posição que a meu ver já oferecia muitas garantias. Sem julgar o valor deste jogador, penso que a sua contratação tapa a vaga de 3º Guarda Redes que deveria ser entregue à formação, não compreendo nem aceito que se invista milhões em melhorar condições de treino da formação, que se idealize projectos como o 611, que se crie a Dragon Force, e que não se consigam obter resultados. Das duas uma ou estamos a falhar ao nível de planeamento de treino na formação, ou estamos a financiar o 13º mês de um agente qualquer.
Os outros dois jogadores, Helton e Beto, partem a meu ver em igualdade de "armas" para discutir a titularidade na baliza.

Defesa:

Miguel Lopes, Maicon, Addy penso que são pedras que devem ser vistas como 2º hipóteses e nunca como possíveis titulares indiscutíveis. Addy, considero apenas pelos jogos feitos pela selecção da sua categoria do Gana. Miguel Lopes pela raça e virilidade, Maicon, já mostrou ter a segurança que se procura no defesa central, no entanto falta-lhe alguma maturidade, dai, não o considerar para 1º escolha.
Álvaro Pereira, Fucile, Rolando, considero absolutamente intocáveis dado a escassez de opções de 1 linha.
Não consigo perceber o que faz Stepanov e Sapunaru no plantel do Porto, se o primeiro não reúne qualquer condição exigida para um defesa à Porto o segundo já demonstrou por várias vezes um comportamento desviante, seja a atitude com a selecção do seu pais bem como o seu comportamento no clube que esteve emprestado.
Quanto aos reforços, Emidio Rafael e Sereno,infelizmente, não oferecem garantias de competitividade à 1 linha de defesas, sendo por isso mais dois a lutar pelos lugares no banco.

Meio Campo

Penso que se nada se alterar o F.C.P possui no seu plantel o plantel mais forte, mais variado, mais volatil do que qualquer outro clube Portugues neste momento. Ruben Micael oferece a simplicidade, Raul Meireles a eficácia, Guarin o remate portentoso da segunda linha, Bellushi o virtuosismo, Fernando a consistência táctico-defensiva. Trabalhando este meio-campo desde a pré-época penso que permitirá um melhor entendimento entre elementos, possibilitando e potencializando uma mas rápida basculação da equipa para o ataque originando transições mais rápidas, mas ao mesmo tempo mais elaboradas.
Sergio Oliveira e Castro, finalmente os vejo a calçar as suas chuteiras e a discutir uma pré-época com o plantel sénior do Porto, é importante ter estes jogadores num primeiro plano, mesmo que não entrem na maior parte das contas do treinador, irão perceber como funciona o balneário do Dragão, saber o quanto pesa a camisola no escalão principal, entender o que nós os adeptos queremos. Aplaudo a subida destes ao primeiro escalão.

Avançados:

James Rodrigues, alegadamente "raptado" ao clube da 2º circular cujo o estádio está por pintar por falta de verba, parece ser um jovem que irá dar muito que falar, rápido sem ser precipitado, inteligente sem ser complicado, bom pé sem ser de "rodriguinhos", um caso sério neste plantel. Uma opção válida para a ala ou como segundo avançado.
Hulk, o incrível, o indomável, o imparável, já de tudo lhe chamaram, dele só espero o que vi apôs o castigo, um jogador de e para a equipa, um batalhador em prol do colectivo, algo que antes não vimos. E que bem Hulk joga para a equipa, desequilibrando, criando espaço, passando letalmente,

 
Varela, um ala à antiga, gosta de colar à linha, gosta de ir para cima do adversário, não tem medo de encarar a descida à grande área, todos esperamos que consiga voltar ao nível que nos deixou, oxalá a recuperação assim o permita.
Falcao, o melhor avançado a actuar nos nossos relvados, um caso sério de entrega dedicação, um jogador com faro de golo, dá gosto ver este rapaz de azul e branco, tão novo no clube e já um dragão dentro e fora de campo. Repito as palavras referentes a Sergio Oliveira e Castro mas agora centrando-me em Ukra. Um jovem que deu nas vistas no Olhanense tem agora a sua hipótese no Plantel A, esperemos que haja paciência com este jovens...e que não acabem vendidos ao desbarato (como Helder Barbosa por exemplo)

Como devem ter reparado não analisei os casos de Bruno Alves, João Moutinho e Kleber (este último ainda não oficialmente confirmado), pois bem, decidi analisar estes três pontos de uma forma individual dada a preponderância que podem vir a ter no seio do plantel azul e branco.

Bruno Alves, o nosso capitão! Aqui reside a chave e a resposta para o Porto 2º ou 3º classificado ou o Porto Campeão Nacional 2010/2011. Eis a minha visão, perdemos Nuno Espirito Santo, uma das vozes do balneário, um capitão, um senhor dentro do plantel, independentemente do seu valor em termos futebolísticos é inequívoco afirmar que Nuno era preponderante no controlar e incentivar de emoções, em criar a dinâmica de grupo coeso e unido, e agora, sendo, que julgo ser, obrigatório vender um dos dois activos mais valiosos ( R. Meireles e B.Alves) não podemos dar ao luxo de vender Bruno Alves, porque pura e simplesmente, abrimos uma brecha enorme na defesa, obriga o Porto a entrar no mercado à procura de uma primeira opção para a defesa, atrasa a preparação de um sistema de jogo, método de jogo, ( é de comum conhecimento que a preparação de uma equipa começa na defesa) e ao mesmo tempo perdemos uma referencia do balneário, não posso conceber que tal aconteça, é entregar a Supertaça ao nosso rival directo, é começar uma época em contra pé, é dar azo a indefinições de liderança no plantel, pura e simplesmente estragar o que está perfeito.

João Moutinho : Uma jogada de mestre, dizem uns, um péssimo negocio outros, nem tanto ao mar, nem tanto à terra. João Moutinho é sem dúvida um de meio-campo que mais garantias oferece no futebol português, é jovem, conhece o futebol, tem um toque de bola soberbo. Sem dúvida do ponto de vista desportivo, um check mate exemplar. 11 Milhões muito dinheiro? Não considero, prefiro dar esta quantia por um jogador português, por um jogador conhecedor do nosso campeonato, um jogador que conhece o Porto e o que os adeptos aqui exigem, do que contratar um qualquer argentino, brasileiro cujas as garantias são apenas hipotéticas. Não sendo necessária a venda de qualquer jogador, neste caso referindo apenas o caos de Raul Meireles, temos um caso serio no meio-campo, afigura-se como sendo um meio campo portentoso no controlo e na imposição de ritmo de jogo, e que jogo será com a dupla Meirelles Moutinho.
Agora o ponto de vista financeiro, não o ponto de vista do valor da transferência mas o ponto de vista salarial. Cristian Rodrigues assinou pelo Porto em 5 minutos e deu se calhar 5 meses de trabalho em revisão de folhas salariais dos elementos mais preponderantes do plantel da altura do Porto, e agora? Como é? Como é que vai ser recebido este salário? Exigencias poderão ser levantas, mau estar instaurado, é preciso agir com pinças neste detalhe, e se a isso juntar ( do meu ponto de vista impensável) venda de Bruno Alves, temos um caso de ausência de liderança no balneário com cisões dentro deste. Aguardemos pacientemente.

Por fim, Kleber, digam o que disserem, não é jogador para o F.C.P, não concebo a sua atitude para com os dirigentes maritimistas, não aceito o seu comportamento, sinceramente penso que não será uma peça fulcral no nosso onze, ainda mais agora que já se fala da confirmação de Walter e não surgem ofertas que satisfaçam Farias e o F.C.P.

Espero estar daqui a um ano a festejar com todos aqueles que comigo partilham o amor pelo Azul e Branco do Dragão...

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Golo da semana

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Arquivo Offensivo

Época 2001-2002,o Boavista rubricou excelente presença na Champions, culminando a 1ª fase de grupos em 2º lugar ante Liverpool (1º), Borussia de Dortmund (3º) em igualdade pontual e Dínamo de Kiev.

Os golos à matador do "pistoleiro" Epídio Silva, os charutos de Erwin Sanchez ou o grande tento de Alexandre Goulart marcaram o melhor voo dos axadrezados na principal competição Europeia, só terminando na fase seguinte perante Manchester United (1º), Bayern Munique (2º) e Nantes (4º).

Golos boavisteiros da 1ª fase de grupos:

Dínamo Kiev 1-0 Boavista
Boavista 1-1 Liverpool
B.Dortmund 2-1 Boavista
Boavista 2-1 B. Dortmund
Boavista 3-1 Dinamo Kiev
Liverpool 1-1 Boavista

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Recordando...El Mágico González

Jorge Alberto González Barillas, Salvadorenho, nasceu em 1958 num bairro pobre do País. Iniciou-se como futebolista profissional em 1975 no ANTEL e na época seguinte no Independiente Nacional 1906. Avançado de 1,74m., rapidamente se transferiu para a 1ª divisão local, onde jogou de 1977 a 1982 no FAS.

O seu estilo de jogo, com dribles requintados quer em velocidade quer sem espaço, as mudanças estonteantes de velocidade, a veia goleadora e a técnica deslumbrante, rapidamente despertaram alguma cobiça de clubes estrangeiros, que aumentou após ter liderado El Salvador ao Mundial 82 onde a equipa perdeu todos os jogos (1-10 Hungria; 2-0 Argentina; 1-0 Bélgica) e foi totalista.

Em 1982 chegou a Espanha com a alcunha de El Mágico e assinou pelo Cádiz da 2ª divisão, apesar do alegado interesse do Atlético de Madrid. Apesar da sua personalidade problemática, por vezes conflituosa, e ser um frequentador assíduo de festas nocturnas, as suas capacidades soberbas asseguraram-lhe a imunidade e lideraram o Cádiz ao principal escalão espanhol no fim dessa época. El Magico González era, assim, um ídolo dos adeptos com muitas características comuns com Maradona.

Após um ano o Cádiz foi relegado para a 2º Divisão apesar da magia que espalhou nos relvados. Marcou 14 golos, ficando a 3 de ser o Pichichi, e facturou por duas vezes ante o Real Madrid e Barcelona e uma vez ao Athletic Bilbau, as três melhores equipas espanholas na altura. Inicialmente fiel ao emblema Andaluz, recusou propostas do Paris Saint Germain, Fiorentina e Sampdória, transferindo-se para o Real Valladollid em 84 por conflitos com o treinador Benito Joanet. A nova etapa desportiva correu-lhe mal, jogando apenas 9 jogos em época em meia, sendo alvo de regras rígidas de controlo da vida pessoal não compatíveis com os seus hábitos boémios e a sua personalidade.

Em Janeiro de 1986, o Salvadorenho re-assinou pelo anterior clube com um contrato baseado nos jogos que efectuaria. Até 1991 jogou sempre pelo mesmo emblema, assegurando sempre a manutenção e tornando-se a sua maior figura e um dos desportistas de referência a jogar em Espanha. No total, marcou 57 golos em 183 jogos em exibições que ombreavam directamente com os melhores jogadores de sempre, chegando inclusive a defrontar o blaugrana Maradona. Na selecção facturou 41 vezes en 48 jogos.

Após a aventura espanhola, rejeitou um convite do Atalanta e voltou à pátria, onde jogou pelo FAS até 1999 – teve uma curta experiência em 96 como treinador adjunto no Texas - e o San Salvador, retirando-se em 2002 com 44 anos.

Para trás deixou muita saudade, não só no Cádiz (cujo futuro foi passado maioritariamente na 2ª B) como também nos fãs do desporto rei de todo o mundo, incluindo do próprio Maradona.

A sua personalidade problemática, falta de disciplina e o facto de não ter abraçado projectos de maior dimensão estão na base de hoje em dia muitos não reconhecerem este nome como uma lenda consagrada do futebol mundial ao nível da elite do século (apesar de alguns o considerarem o melhor de sempre). Pena, pois a magia estava lá!

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Benfica - o regresso



Voltou no passado dia 28 de Junho ao trabalho o actual campeão nacional, Sport Lisboa e Benfica. Para uma época em que o principal objectivo passa pelo bicampeonato – que foge desde 1984, na altura com Sven-Goran Eriksson ao leme – e por ir longe na Champions League, ainda há indefinição em relação a alguns nomes, mas a base da equipa manter-se-á, a começar pelo técnico Jorge Jesus. Um a um, segue-se a minha visão sobre o actual plantel e sobre o que estes jogadores fizeram no ano passado.

Guarda-Redes

Roberto – Contratado ao Atlético Madrid, o gigante espanhol (1,94 m) vem para ser titular e, assim o esperamos, marcar uma era à frente da baliza do SLB, que desde Preud’Homme e Enke não dispõe de um verdadeiro indiscutível. Escolha pessoal de Jesus, realizou uma excelente segunda metade da época em Espanha ao serviço do Saragoça e substitui Quim (a quem aproveito para desejar as rápidas melhoras pela lesão).

Alguns preferiam manter o internacional português, sem dúvida um bom guarda-redes, mas creio que o Benfica faz bem em tentar garantir alguém que, de facto, possa fazer a diferença. Muita celeuma tem levantado o preço (€8,5 M) pago por Roberto; sinceramente, sabendo que o Saragoça tinha uma cláusula de opção de...€1 M, que nós nunca vimos os famigerados “dois dispensados” do Atlético no âmbito da venda do Simão e que ainda detemos 25% do passe de Reyes, e por muito bom que seja Roberto, só posso compreender este preço se i) Simão chegar a baixo preço à Luz nas próximas semanas, como se fala insistemente nos bastidores; ii) naquele montante estiverem contemplados (como se falou, embora tenha sido desmentido depois) ordenados futuros do jogador por questões fiscais (algo que duvido muito, até porque estaríamos a "enganar" a CMVM descaradamente – sim já o fizemos no passado...).

Moreira – Depois de uma época à sombra de Quim, Moreira aceitou renovar (ao que se diz com redução do salário) por mais três épocas. Com 11 anos de Benfica, é um dos símbolos do actual plantel e, não só por isso mas por também ser bom guarda-redes, a decisão é, a meu ver acertada. Gostava de o ver jogar regularmente em competições como a Taça de Portugal ou da Liga, senão mais cedo ou mais tarde vai parecer que está numas férias prolongadas, do género Tiago no Sporting.

Júlio César – O jovem guarda-redes brasileiro, depois de uma primeira época que, Liverpool à parte, considero positiva, lutará em princípio com Moreira pelo posto de segundo guarda-redes do plantel. Continua a ser um guardião em quem deposito excelentes expectativas para o futuro, até porque não me parece ter acusado o peso da mudança do Restelo para a Luz, mas terá que ir jogando também. Fala-se que poderá ser emprestado, o que até poderia ser bom para não estar parado. Até porque contratámos recentemente o jovem esloveno Jan Oblak (17 anos, mas que já jogava na I divisão do seu país), que poderia ficar como 3º guarda-redes.


Laterais

Maxi – O uruguaio, actualmente um dos jogadores mais populares do plantel, está a assinar um Mundial de bom nível (bom, descontando aquele penalty para o quintal contra o Gana...) e não deve ter dificuldades em continuar como opção preferencial para o lugar, sendo que como alternativa preferencial (e de qualidade) deverá manter-se Ruben Amorim. Poderíamos certamente ter outra solução de raiz melhor que Luis Filipe, mas no cômputo geral estou satisfeito.

Luis Filipe – O ex-bracarense, repescado para o plantel depois da dispensa de Patric na época passada, acabou por aparecer apenas (e bem) no jogo com o FCP. Pode vir a ser emprestado.

Coentrão – Em alta depois das exibições soberbas no Mundial, o caxineiro está a ser muito assediado, sobretudo pelo Bayern de Munique; Jesus tem-no tentado dissuadir a sair já e parece-me que o Fábio, embora de forma sincera tenha reconhecido que mais cedo ou mais tarde quer dar o salto, se ficar vai ficar de corpo e alma, até porque gosta muito de trabalhar com Jesus. Obviamente espero que os €30 M da cláusula não sejam “batidos” por nenhum tubarão, porque perder toda a ala esquerda de uma assentada não é fácil de substituir. Está cada vez melhor na nova posição, encontra facilmente o equilíbrio defesa-ataque, tem naturalmente que melhorar alguns pormenores a defender como as bolas nas costas.

César Peixoto – Jogador que aprecio (para além de ter um excelente pé esquerdo, sobretudo por ser muito tranquilo a jogar e, em bom português, raramente se borrar), será em princípio suplente de Coentrão, podendo alinhar também circunstancialmente a médio (onde eu até o prefiro ver, como jogava no Braga). As lesões e a ascensão de Fábio acabaram por não lhe permitir fazer muitos jogos na época transacta, mas quando jogou esteve na maior parte das vezes a bom nível.

Centrais

Luisão – Tal como a maioria dos benfiquistas, mentiria se dissesse que neste momento estou contente com um dos nossos capitães. Sou grande admirador dele como jogador e líder incontestado do balneário, o que ainda mais me fez ficar perplexo quando veio para a CS queixar-se de não lhe ter sido comunicada a hipótese de ir para o Atlético Madrid. Recorde-se que Rui Costa negou cabalmente a existência de tal proposta (que se falava ser apenas de €6 M), e como não tenho razões para não acreditar no nosso Director Desportivo...Dada a relação muito próxima entre LFV e Luisão, creio que o presidente já lhe deve ter feito sentir o seu desagrado pela sua reacção (que até pode ser compreensível mas é para manifestar em privado) e, honestamente, creio que isto vá acabar como de outras vezes: com o Luisão a ficar. Espero bem que sim porque faz muita falta.

David Luiz – Uma das grandes afirmações na época passada e, hoje em dia, um defesa completíssimo, a ideia passa por mantê-lo e já recusámos €32 M do Man.City. Acredito que o David, até pela relação de verdadeiro amor que tem com o Benfica e seus adeptos, queira jogar a Champions com o clube e, até, esperar pela chegada à selecção brasileira antes de sair, mas claro, de boas intenções está o inferno cheio e se aparecer um Real Madrid a pagar uma barbaridade...

Sidnei – Central de bons recursos físicos e técnicos, o sucesso da sua época deverá estar ligado à permanência de David Luiz. Se o compatriota sair, e com Luisão ao lado, não creio que precisemos de ir buscar ninguém. Pode crescer muito com Jesus mas já hoje dá-me todas as garantias, até porque pelas declarações que tem feito e pelos cuidados com a forma que teve no Brasil parece disposto a apagar alguma imagem de excessos que lhe tem sido associada frequentemente. E convém lembrar que acabou de fazer apenas...21 anos.


Miguel Vítor – Um dos poucos produtos da formação a ter-se afirmado no plantel principal nos últimos anos, é um jogador que gosto bastante, forte na marcação e extremamente competitivo. Não tem características para sair a jogar, pelo que penso que tem que ser combinado com um central mais técnico. Se o D. Luiz ficasse, tentava emprestá-lo um ano a um clube de nível médio-alto da nossa Liga, tipo Guimarães ou Marítimo.

Fábio Faria – Central na linha de Miguel Vítor, fez uma grande época em 2009/2010 no Rio Ave e distingue-se por ser esquerdino, o que também lhe permite fazer sem dificuldades (tal como nos sub-21) a lateral esquerda. Gosto dele e espero que não acuse o peso da camisola. Não deverá ser, para já, primeira opção mas ficava com ele no plantel para aprender com os colegas e com o treinador.

Médios


Javi García – Dispensa grandes discursos, “pegou de estaca” o ano passado (quer no campo quer entre os adeptos), foi uma das traves-mestra do Benfica do ano passado e espero que, até porque este ano faz a pré-temporada logo desde início, ainda se apresente a melhor nível. Gostava de o ver arriscar mais no passe longo – sem prejuízo de manter a grande força do seu futebol: a capacidade de recuperação e de colocar a bola simples e jogável para os criativos na primeira fase de construção, para além de ser fortíssimo nas bolas paradas –, como já fez na parte final da temporada. E, já agora, que ajude o mais possível na integração do seu compatriota Roberto.

Airton – Clone negro de Javi, conquistou a massa associativa nos dois jogos seguidos (Leixões fora e Paços na Luz) em que alinhou a titular na ausência do espanhol. Campeão brasileiro e português, e agora com mais tempo de trabalho com os colegas, vai sem dúvida tentar ameaçar o lugar de Javi García (podendo pontualmente alinhar ao seu lado), representando uma alternativa de grande qualidade na posição 6.

Ruben Amorim – Extensão do 3º anel dentro das quatro linhas, Ruben acabou por fazer uma excelente temporada, ainda que ao contrário da sua 1ª época no Benfica não fosse titular indiscutível. Acabou por dividir as suas participações entre as posições de lateral e médio direito (uma ou outra vez também alinhou mais no centro), sempre com bom rendimento, e conseguiu mesmo – depois da lesão de Nani – ser convocado para a África do Sul. Numa entrevista recente afirmou – e eu concordo plenamente – que, para além da segurança, qualidade de passe (óptimo para o jogo de tabelas com Saviola, Aimar & Ca.) e leitura táctica que o caracterizam, pode desequilibrar individualmente muito mais. O ano passado já vimos momentos desses, como a arrancada no golo de Cardozo ao SCP na Luz, a assistência para o Tacuara na Choupana ou o golo de primeira em Coimbra, mas como aos nossos exigimos sempre mais, venham de lá mais rasgos!


Ramires – Foi recentemente eliminado do Mundial, onde acabou por fazer apenas uma partida a titular – mas um jogo muito bom, com o Chile, onde me surpreendeu pelo vigor físico que ainda revelou depois de época desgastante e de não ter férias há, pelo menos, ano e meio. Tem de facto grande resistência, acelera o jogo de forma única neste Benfica, e espero por isso que as férias lhe permitam recarregar baterias. Correm muitos rumores de que será vendido já este Verão, espero que não, embora saiba que a vinda dele para o Benfica – tal como se viu com a recente venda de 50% do passe à obscura Jazzy Limited, supostamente controlada pelo polémico Kia Joorabchian – não foi apenas com dinheiro nosso (e isso não tem mal nenhum, permitiu-nos ter um craque durante uma ou duas épocas).

Aimar – O mago argentino apresenta-se para a nova época como o dez da equipa, a par de Carlos Martins. Na senda da última época (sobretudo a partir do momento em que Carlos Martins superou as lesões e estabilizou a nível alto), deveremos assistir a uma relativa rotação entre os dois, até para gerir a condição física de Aimar. Em forma, já se sabe e viu-se muito o ano passado, põe a equipa a jogar com uma classe extra – e combina magistralmente com Saviola; aliás, as jogadas entre os dois e Di María revelaram-se os momentos de maior magia (para citar Jorge Jesus) do Benfica 2009/2010.

Carlos Martins – Injustamente, a meu ver, arredado do Mundial (deveria ter sido a alternativa a Deco), fez uma excelente época sobretudo a partir do Benfica-FC Porto (antes, já brilhara em...45 minutos contra o Paços), apagando fantasmas do passado, como as lesões crónicas e a fama de indisciplinado. Aprendeu a sentar-se no banco quando necessário, o que obviamente se aceita melhor quando se está integrado num plantel com outros grandes jogadores e...que ganha, como foi o caso. É um craque que decide jogos, e por isso, mesmo que não seja tão constante como outros (embora o ano passado já pouco se lhe tenham visto oscilações de rendimento, mesmo quando jogou sobre uma das faixas, mormente a direita), é imprescindível para JJ.

Felipe Menezes – Depois de alguma utilização e prometer bastante na primeira metade da época, desapareceu quase totalmente das escolhas, embora não fosse fácil afirmar-se. Acho que devia ficar no plantel, porque a época é longa e vai concerteza ter oportunidades.

Gaitán – Um dos jogadores mais caros da história do clube (€8,4 M), é um reforço que promete muito. Dono de uma zurda de classe, resta saber se Jesus o consegue adaptar bem à ala esquerda para substituir Di María (embora eu pessoalmente creia que ainda vai chegar Simão ou Leto) – até está habituado mas prefere claramente pisar terrenos mais interiores. Espero que não precise de três anos para se afirmar como o Di.

Avançados


Saviola – Talvez o melhor reforço do ano passado, deslumbrou na 1ª época na Luz, entendeu-se às mil maravilhas com Cardozo e Aimar, e este ano só lhe pedimos que continue assim.

Cardozo – Como admirador do Tacuara (e defensor dele até à exaustão naquele 3º Anel às vezes tão dividido...), gostava que ele continuasse. O jogo técnico do Benfica pede um finalizador nato que perceba e dê sequência ao trabalho dos criativos, e acho que o Cardozo percebe isso muito bem. Fez 38 golos na época, malgrado alguns falhanços escandalosos, mas de qualquer forma é uma marca notável. Dito isto, pelos €25 M que o Shaktar ofereceu eu tinha-o vendido, era um excelente preço e que já permitia ir buscar um bom substituto, estilo Huntelaar, que é melhor jogador que o Óscar. Alguma água se calhar ainda vai correr debaixo da ponte, mas a ficar espero que seja de boa vontade, que de queixumes na opinião pública já estamos fartos. Finalmente a semana passada o Vieira ligou ao inefável empresário Pedro Aldave para calá-lo e deixar de pedir aumentos todos os meses; é bom recordar que Cardozo renovou esta época e que, como o agente acabou por reconhecer, “ninguém lhe apontou uma pistola para o fazer”. A propósito de Cardozo, sou dos que acham que deve mudar o marcador de penalties, ele é o melhor mas está angustiado com os falhanços. Se vier o Simão estamos safos nesse aspecto.


Nuno Gomes – De parabéns pelo 34º aniversário e pelo nascimento do filho, já não está no seu melhor como jogador mas continua a ser uma referência do balneário e uma lição viva de benfiquismo para quem chega. Um senhor com S grande, talvez na sua última época (a 12ª!) no clube antes de, assim o desejo, um cargo na estrutura dirigente.

Mantorras – Bom, como nunca ouvi mais nada parece que alguém lhe terá metido juízo depois da birra ridícula no final da época passada. Continuo a achar que fica bem ao Benfica (o que é diferente de ter essa obrigação, por exemplo o Real Madrid com o De la Red também não quis pagar mais nada), como clube que voltou a prezar os seus símbolos, pagar-lhe uma pensão ou ordenado ou o que se lhe queira chamar (que não deve é ser uma barbaridade género €50 mil por mês...) em face do que se passou na sua carreira, mas sinceramente já tive mais paciência para amuos destes. E já nos diziam de uma vez por todas se ele pode ou não ser jogador.

Kardec – Acho que o JJ ainda o considera demasiado novo para ser o nº9 referência, mas quero vê-lo jogar muito este ano e marcar golos, porque acho que tem valor para isso. Além de que se adaptou bem ao futebol europeu e entrou sempre bem nos jogos, como em Marselha.

Jara – Outra aposta forte do Benfica, já internacional argentino, confesso que fiquei maluco com as arrancadas que se vêem no Youtube mas apresenta ainda marcas reduzidas de golos. Sendo um jogador bastante mais móvel e mais habilidoso que, por exemplo, Cardozo, será mais uma alternativa a Saviola como 2º avançado.

Weldon – Quando veio era uma espécie de patinho feio do ataque encarnado, mas provou, pela velocidade e faro pelo golo, que pode ser muito útil em várias circunstâncias, mesmo se jogar pouco tempo. Com características distintas dos colegas, creio que não faz qualquer sentido abdicar de tê-lo no plantel. E é barato, ainda por cima.


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Portugal...


Ora boas tardes a todos…

Após longa ausência por motivos profissionais, volto agora num momento que me parece oportuno, mas triste,… gostaria de ter voltado apenas no dia 11 de Julho!

Sonhar está ao alcance de cada um, e durante aproximadamente um mês, o país sonhou. Alto de mais, na minha opinião, que realisticamente analisando as melhores perspectivas, não passaríamos dos Quartos-de-Final. Mas penso que tal como todos vocês havia em mim uma esperança, que me levava a ver os jogos da nossa selecção com o mesmo entusiasmo de qualquer argentino ou brasileiro.

Mas tudo acabou no malfadado fim de tarde de Segunda-Feira. Agora resta-nos "lamber as feridas", analisar o que aconteceu, e reconhecer os erros que cometemos e o que de bom
fizemos. Porque erros todos cometemos, a grande diferença está em como lidamos com eles, como aprendemos e os corrigimos. Porque os "grandes" da História também os cometeram, mas foram "grandes" porque os assumiram, porque aprenderam com eles e porque os não voltaram a cometer.

Carlos Queiroz

Carlos Queiroz está neste momento e estará nos próximos tempos "dançando" no fio desta navalha entre
a magnificência e a vulgaridade, a incompetência, a fraqueza. Homem com provas dadas no mundo futebolístico, mas também com atribuídas lacunas de competência; chega à selecção com um objectivo, reerguer uma estrutura em ruínas, que Scolari deixou, depois de espremer os recursos do nosso futebol até ao limite e sem "reflorestar" o mesmo, não pensando no futuro (da nossa selecção). E Queiroz foi, e quanto a mim, continua a ser o homem certo para esta tarefa.
Quanto a mim, devemos enquadrar, por muito que nos custe a todos, portugueses, este mundial, apenas como uma etapa de uma caminhada para um sucesso futuro, que eu acredito que virá a conhecer. E, penso, deverá ser com este espirito que, objectivamente, devemos analisar a actuação da Selecção Nacional nos próximos tempos, até que esta tarefa esteja concluída. Demore o tempo que demorar, custe o que custar, porque não podemos esperar que a curto prazo apareçam vários "Ronaldos", sem que para isso trabalhemos! E quem gosta e entende o mínimo de futebol, percebe que não é com 11 "Ronaldos" que seremos melhores, mas certamente não será com "Dannys", "Dudas" e "Liedsons" que alcançaremos coisas boas.
Olhemos por exemplo para 2 selecções que continuam no mundial e que neste ponto considero um bom exemplo - Argentina e Espanha -, em que, no caso da Argentina, jogando com avançados de luxo a titulares como Messi, Tévez ou Higuaín ainda mantém no banco suplentes como Milito ou Aguero! Ou no caso da Espanha, com o meio campo fabuloso com que normalmente começa os encontros ainda tem como suplente Fabregas!
E se por altura do Euro 2004, a equipa portuguesa tinha justificadas perspectivas de ir longe, com uma equipa base recheada de jogadores do FC do Porto Campeão Europeu, acrescida da experiência e excelência de Figo, Rui Costa, etc, e com uma segunda linha de jogadores bastante promissora, neste momento, quando Portugal não possui sequer um 11 base inicial sólido, só as adolescentes com a sua habitual euforia hormonal pelo Cristiano Ronaldo, que só vêm futebol de 2 em 2 anos, podem suspirar por resultados melhores!

Carlos Queiroz, quanto a mim tem um reconhecido "Calcanhar de Aquiles", a sua formação e educação dificultam-lhe o entendimento com o comum jogador de futebol, que o torna como fraco líder. E será, porque um bom líder terá inevitavelmente que passar uma mensagem na linguagem dos seus subordinados, terá que se posicionar a um nível em que possa perceber as suas necessidades, fazer-se entender e fazer perceber as suas ordens, mantendo sempre a distancia necessária ao respeito. Ao mesmo tempo a fraqueza que se lhe vai denotando, deteriora a atenção dos seus subordinados, o seu respeito, e por fim possibilita o motim.
Penso que para bem da selecção, e para a manutenção de Queiroz no cargo de seleccionador, e que eu espero que continue, seria necessário introduzir uma voz forte no balneário, que apoiasse o treinador, e que não fosse um jogador, porque não estou a falar de um Capitão de
equipa, mas sim de um adjunto de "ferro".

O Mundial

Como já afirmei acima, apesar da esperança, as perspectivas não eram boas, uma qualificação sofrida augurava um Campeonato do Mundo também muito difícil, mas nós, portugueses, já estamos habituados. Portugal demonstrava lacunas graves mesmo frente a adversários acessíveis ou objectivamente inferiores. Jogadores com provas dadas nos seus clubes e com credenciais mundialmente reconhecidas reduziam-se a uma vulgaridade ao serviço da selecção, como também já nos habituamos a ver. Tirando o facto de sermos uma selecção objectivamente mais fraca, em relação a que jogou o Euro 2004, e que a partir daí serviu de bitola de comparação para as que se seguiram, tudo corria dentro da nossa triste normalidade. A euforia das adolescentes crescia, Cristiano Ronaldo 24 horas nas televisões, bandeiras nas janelas, a cerveja e o tremoço e uma inovação…
as terríveis vuvuzelas!

Primeiro jogo, Portugal - Costa do Marfim, jogo muito táctico e pensado da selecção portuguesa, que entendo, seria necessário começar bem o Mundial, mas mais importante, não hipotecar as esperanças futuras frente a um adversário que para os mais "distraídos" seria acessível. E foi contudo um jogo bem conseguido, mas deixando em todos os portugueses uma estranha sensação de que poderíamos ter feito mais, no ataque, já que a defesa estivera a um bom nível. Faltou-nos o golo, mas aliado a este sentimento, havia outra voz que dizia… eles também podiam ter marcado… Por isso o resultado final aceita-se, compreende-se a estratégia. E se este jogo até nos uniu em torno de uma selecção em que notávamos pelo menos algum esforço para dignificar Portugal, logo nos desiludiu com as desnecessárias declarações do Deco. Afinal nem tudo ía bem "lá para baixo"! Aliado ao caso Nani, este vinha dar mais motivos aos já habituais arautos da desgraça do futebol português, Manuel José, Octávio Machado, Rui Santos… Triste fado o destes senhores, mais de quem lhes da tempo de antena… Um empate e pedia-se já a cruz para pendurar Queiroz!
Mas tudo se esquecia logo a seguir, 7-0, vitória sobre a Coreia do Norte, e afinal a selecção produzia golos. Calavam-se os arautos da desgraça. Apareciam os entendidos, ou distraídos, afinal a Coreia do Norte era uma selecção fortíssima, tinha até um jogador a jogar no Japão!!! O nosso ataque era demolidor, Cristiano Ronaldo já marcava novamente pela selecção, e um grande golo, diziam eles! Que na minha terra chamamos um grande "chouriço" mas…! As adolescentes estavam ao rubro! De um momento para o outro éramos capazes de chegar à Final!
Já vaticinavam resultados fabulosos contra o brasil… que quanto a mim, e penso que é de consenso, continua a ser uma das melhores selecções do mundo e uma forte candidata ao titulo. Jogo que mais uma vez Portugal fez com muita "cabeça", porque apesar de muito difícil não seria impossível a goleada da Costa do Marfim frente a Coreia do Norte, e o que muitos esqueceram, os "distraídos", que uma goleada sofrida frente ao Brasil, o que também não seria difícil, ajudava directamente os Africanos.
E estávamos nos "Oitavos", a Espanha era o adversário que ninguém queria, e com razão. Apesar do mau arranque de campeonato, é um equipa fortíssima. E mais uma vez, quanto a mim Queiroz acertou na táctica, Portugal não tem valor para jogar de igual para igual com os castelhanos neste momento. A aposta no jogo de contenção, defensivo e de contra-ataques rápidos é o que melhor se ajustava aos nossos jogadores, num jogo contra um adversário muito forte no meio campo, aos níveis defensivo e ofensivo. Seria muito difícil Portugal trocar a bola no meio campo sem que houvesse consentimento dos espanhóis. E desta vez correu mal.

Balanço e o Futuro

Tal como já disse acima, entendo que devemos perceber a participação no Campeonato do Mundo 2010 como uma competição que nos aparece numa altura de transição, e com este espirito compreender que certas acções foram realizadas apenas no sentido de dignificar a nossa presença no Mundial e sem objectivos competitivos definidos. Podem contradizer-me, é claro, porque Queiroz afirmou por mais do que uma vez que o objectivo passava por chegar o mais longe possível, nada mais natural, ele nunca iria dizer que estavam na Africa do Sul só para jogar e sem objectivos competitivos! Mas penso que no seu intimo ele sentia, tal como alguns jogadores, que não era possível. E neste sentido penso que, de certa maneira, o Mundial nos fez "mal", não por sermos afastados tão "cedo", mas pelas "mazelas" que pode ter causado no grupo. Se o rumo da selecção foi traçado com a chegada de Carlos Queiroz no sentido de criar bases para uma equipa nacional forte a médio prazo, o principal objectivo deveria ser o de solidificar o grupo e a estrutura, enraizar as bases para um futuro mais estável. Aí penso que perdemos mais que o simples 1-0 contra a Espanha e o afastamento dos Oitavos-de-Final, o amuo de Ronaldo pode causar mais moça no futuro do balneário que o desgosto da derrota. A maneira como Queiroz vai "descalçar esta bota" será muito importante para o futuro próximo da selecção. Enquanto Deco estaria já fora da selecção por vontade própria após o Mundial e poderá causar apenas problemas pela comunicação social, Ronaldo foi até agora o Capitão, e será um jogador que dificilmente o treinador afastará, mesmo por um curto espaço de tempo. Ronaldo é um líder de opinião, não porque seja intelectualmente brilhante, mas porque simplesmente aparece, e tem visibilidade publica mais do que suficiente para abalar a liderança de Queiroz nos próximos tempos, penso que tudo irá depender da sua sensatez e do aconselhamento dos que o rodeiam. Quanto a Queiroz, resta-lhe manter ou adoptar uma postura mais firme, mesmo com figuras como Ronaldo, só assim ganhará o respeito dos restantes, e que seja incondicionalmente apoiado por todos.

Segue-se o apuramento para o Europeu 2012, e pelo menos com a prestação no Mundial, Queiroz e todos nós percebemos que apesar das lacunas que foram reconhecidas, foram também creditados novos talentos e resolvidos alguns problemas.
Eduardo revelou-se um guarda-redes com que podemos contar, e devo dizer que superou as minhas, que apostava mais em Beto, estava errado.
Ganhamos um defesa esquerdo, sector que era nitidamente débil na selecção, Coentrão agarrou o lugar e foi quanto a mim o melhor em campo em todos os jogos disputados no Mundial.
A dupla de centrais revelou uma grande solidez em todos os jogos, sendo que o único problema passa pela idade avançada de Ricardo Carvalho.
Já o lado direito da defesa, lugar bastante disputado, pelo que não apresentava preocupações, passou a ser um problema, nenhum dos três jogadores utilizados apresentou solidez suficiente para manter o lugar, esperemos que Bosingwa recupere rapidamente e volte ao melhor nível.
No meio campo, os problemas persistem, apenas com Raul Meireles com lugar cativo; à frente da defesa Queiroz demonstra preferir Pepe, mas não será suficiente e Pedro Mendes não dará muito mais anos à selecção; e no sector mais ofensivo do "miolo", Tiago não é um titular indiscutível, não será certamente o numero 10 que Queiroz pretende.
No ataque… Ronaldo manterá certamente a titularidade, mas a crise de extremos do futebol português começa a fazer-se sentir. Simão continua a ser um jogador que não rende ao serviço da selecção. Esperemos que Nani se imponha definitivamente como titular.
A posição de ponta de lança, como sempre, desperta as piores preocupações, Portugal não produz jogadores de classe mundial para esta posição, a falta de um "matador" na área faz muitas vezes a diferença.
Acrescido a este grupo, Queiroz dispões ainda de um vasto lote de nomes que podem aparecer como mais valias para a selecção, no futuro - Varela, Rubem Micael, Miguel Veloso, Djaló, Rolando...

Eduardo, Coentrão e… Ronaldo

Não queria terminar sem uma breve palavra para aqueles que acho se destacaram na competição. Pela negativa e pela positiva… deixemos os melhores para o fim.

Falemos primeiro daquele que continua a ser o mais mediático jogador a da nossa selecção, Cristiano Ronaldo, aquele em quem todas as nossas esperanças são sempre depositadas, e que ultimamente nos tem deixado desiludidos. Não tanto pela sua fraca prestação no relvado, compreendo que tal como outros grandes jogadores, são constantemente alvo de ferozes marcações que os impossibilita muitas vezes de fazer exibições de grande nível, mas ao contrario de Messi, Ronaldo não conseguiu, por pouco que fosse, expor em campo todo o seu génio durante o Mundial, perdendo-se em lances individuais e na simulação de faltas. Algo vai mal! Cansaço talvez? É certo que "levou o Real Madrid às costas" boa parte da época. Mas esperamos sempre mais do "melhor jogador do mundo"! E se o fracasso assolou Ronaldo em campo, também fora dele esteve aquém do razoável. É a prova de que o dinheiro não traz felicidade, muito menos dignidade profissional, respeito pelos companheiros de profissão e de balneário, superiores e pelos portugueses em geral que o acarinham e que foi a custa destes que passou o ultimo mês de férias na Africa do Sul. Tornou-se um profissional arrogante, destemperado e inconsequente. Provou que não tem estofo para Capitão.

Por fim… incontornavelmente, gostaria de falar daqueles que, quanto mim, e penso que é de opinião geral, foram os Grandes Portugueses deste Mundial. Foram aqueles que nos fizeram sentir, aqui bem longe, que lá havia alguém a lutar por nós. Alguém que sentia realmente a camisola que envergava, a Nação que representava. Daqueles que gostávamos de ter ao nosso lado numa Aljubarrota qualquer, porque com eles percebemos que estava lá Portugal - Eduardo e Coentrão, não menosprezando outros, que com igual bravura se bateram, mas que a esta nos haviam já habituado, e justiça lhes havia sido já feita oportunamente. Seja pelo fulgor da primeira vez, ou amor a camisola, justiça lhes seja feita, foram enormes, os meus parabéns.

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Arquivo Offensivo

4 de Julho de 2004, Alcochete. A selecção saía da academia Sporting/Puma rumo ao estádio da Luz, onde iria disputir a malograda final do Euro 2004. O apoio que os jogadores das quinas presenciaram por parte dos conterrâneos foi incrível e constituiu uma síntese perfeita do espírito e união que se gerou em torno da selecção durante o referido torneio. Imagens únicas que talvez nos dêm sorte face ao velho adversário conhecido de hoje na África do Sul.


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Golo da Semana

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Começo Discreto

Portugal iniciou 3ª feira passada a sua participação neste Mundial duma forma discreta.
Embora, na minha opinião, este resultado não nos tire todas as hipóteses de passar, uma selecção com os valores individuais de Portugal podia e devia ter feito mais perante uma Costa do Marfim que apenas usou e abusou da sua capacidade física.
Embora Queiroz justifique a exibição com o cuidado de não perder o primeiro e mais decisivo jogo, quanto a mim este empate deveria ter sido acompanhado de um pouco mais de risco em termos ofensivos.
No entanto, não foi isso que se verificou. Embora em termos defensivos a agressividade tenha sido do meu agrado – com destaque para a boa exibição de todo o quarteto defensivo + a dupla Mendes e Meireles –, pareceu-me que a estratégia ofensiva de Portugal passou por desistir dum contacto físico na luta pela bola, à espera de ganhar segunda bolas com um meio campo e ataque pressionantes.
Penso que foi por causa dessa estratégia que Portugal não conseguiu ganhar o jogo, pois Eriksson precaveu-se, alertou os seus elefantes e dotou-os duma surpreendente capacidade táctica e leitura de jogo que lhes permitiu ficar com a maior parte das segundas bolas.

Olhando para todos os jogos realizados até agora, o resultado de Portugal acaba por estar completamente em linha com o que se tem passado até agora. Uma primeira jornada de bastantes cautelas por parte da maior parte das equipas, demasiados empates e poucos golos.
Muita gente está contra o treinador e contra a falta de resultados práticos do seu trabalho, mas quem sabe se não terá sido melhor jogar pelo seguro para evitar uma surpresa quase irreversível? A Costa do Marfim esteve melhor do que a maior parte das pessoas esperava (incluindo eu) e o jogo acabou por não ser nada fácil.
Veremos se não terá sido mesmo um ponto ganho e não dois perdidos – e se não terá sido positiva esta “escorredela” tendo em conta que a Suiça só depende de si própria para chegar ao primeiro lugar do grupo que se cruzará com o nosso.

Sempre defendi o trabalho que vindo a ser feito até agora, mas reafirmo que sem resultados não há trabalho que valha, por isso a última oportunidade que dou a esta Selecção para manter a minha opinião e crença é o jogo com a Coreia do Norte.
Acredito que faremos uma boa exibição, que a vitória será alcançada com a naturalidade esperada e que iremos para o jogo com o Brasil com o empate a ser suficiente para ambas as equipas passarem.

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Arquivo Offensivo

Penúltima jornada da época 93/94, Estádio 1º de Maio. Aílton e Kulkov assinaram os tentos que permitiu ao Benfica de Toni e Jesualdo Ferreira festejar o título, seguido de invasão de campo e das declarações do então treinador adjunto no meio do povo. Na jornada seguinte, o estádio da Luz encheu para a comemoração do campeonato frente ao Guimarães, com festa bonita mas algum desapontamento no final devido ao empate a zero.

Dezassete anos depois, o Braga voltou a cruzar-se profundamente com novo título benfiquista, mas desta vez como vice-campeão, situação que marcou uma época de sonho no clube bracarense. Consequentemente, o Settore Offensivo presta a sua homenagem aos guerreiros do Minho.


Festa de Campeão do Benfica 93/94
Enviado por MemoriaGloriosa. - Futebol, capoeira, surfe e mais videos de esportes.

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1ª Jornada do Mundial 2010 - Rescaldo (Parte II)

Grupo E (Holanda, Dinamarca, Japão, Camarões)



O primeiro jogo 100% europeu deste Mundial, que opunha Holanda e Dinamarca, era considerado como o primeiro jogo "grande" da competição. Numa partida em que o som das vuvuzelas foi claramente inferior ao verificado em jogos com menor afluência (onde muitos lugares são ocupados por sul-africanos), a Holanda fez uma primeira parte muito pobre, mostrando-se incapaz de levar perigo à baliza de Sorensen. Foram então da Dinamarca as situações de maior perigo, especialmente por intermédio de Bendtner, recuperado à última da hora para este jogo. Na segunda parte, porém, tudo correu conforme as ambições holandesas, desde logo com o auto-golo de Agger, logo a abrir. A entrada em campo de Elia, para o lugar de um desinspirado Van der Vaart, acabou por ser determinante, com o jovem extremo a partir por completo a defesa contrária, com alguns pormenores de fantasia e brilhantismo. Sneijder aproveitou também este período de maior espaço para aparecer no jogo com os seus passes característicos. No fim, a vitória por 2-0 (Agger p.b., Kuyt) acaba por premiar o futebol ofensivo da Holanda na segunda parte, onde se destacaram Sneijder, Kuyt e (principalmente) Elia. A Dinamarca tem uma boa organização, mas a idade avançada de alguns dos seus elementos ameaça hipotecar as ambições da equipa de Morten Olsen.



Já os Camarões encontraram uma equipa nipónica extremamente bem organizada no sector deffensivo. Os "leões indomáveis" procuraram fazer uso do seu maior poder físico para se superiorizarem ao seu adversário, mas o Japão foi sempre mais inteligente, gerindo bem os ritmos do jogo. Keisuke Honda (recentemente considerado como uma das 5 melhores contratações da época que acabou) marcou o golo da vitória japonesa e é um dos jogadores a ter em conta neste Torneio. Le Guen tentou imitar Mourinho, encostando Eto'o à direita, o que impediu o melhor jogador camaronês de aparecer no seu melhor neste jogo. Parece que o segundo lugar será decidido entre Dinamarca e Japão.




Grupo F (Itália, Paraguai, Eslováquia, Nova Zelândia)
Os Campeões do Mundo chegaram a este Mundial sob uma chuva de críticas, não só pelas opções algo controversas de Lippi, mas também pelas fracas exibições nos jogos de preparação. O Paraguai demonstrou ser uma boa equipa e o jogo foi (nem sempre bem) disputado com grande intensidade. O forte dispositvo defensivo montado por Tata Martino resultou quase na perfeição e só perto do final é que De Rossi salvou a honra dos italianos, impedindo a vitória dos guaraníes, após uma falha do guarda-redes Justo Villar. Se antes do Mundial, muitos destacavam o ataque paraguaio como um dos melhores, deve também ser dada uma palavra elogiosa ao seu meio-campo, sempre disponível para "vestir o fato-de-macaco" e dar luta ao adversário. No empate a uma bola (Alzaraz, De Rossi), surge mais uma má notícia para a Squadra Azzurra, pois Buffon corre o risco de falhar o que resta deste Mundial. Apesar do empate, nunca se sabe o que esperar da formação italiana.
A Eslováquia esperava vencer com relativa facilidade a Nova Zelândia na sua estreia em Mundiais, mas encontrou pela frente uma equipa bem organizada a meio-campo, que foi procurando surpreender, especialmente através de bolas bombeadas para a área. Vittek e Weiss (filho do Seleccionador eslovaco) foram sempre os elementos mais perigosos em campo e Hamsik ficou um pouco aquém das expectativas. O defesa-central Durica também esteve bem, sendo sempre ele a iniciar o processo de construção de jogo eslovaco. A equipa da Oceania aproveitou os sucessivos falhanços dos eslovacos para, no último minuto dos descontos, empatar por intermédio do defesa central Reid. O 1-1 (Vittek, Reid) final causa alguma surpresa e coloca a Eslováquia numa posição desconfortável, ficando muito dependente do jogo com o Paraguai.


Grupo G (Portugal, Costa do Marfim, Brasil, Coreia do Norte)


Já se sabia que os "Navegadores" iriam encontrar muitas dificuldades perante uma Costa do Marfim cheia de boas individualidades. Durante toda a partida Portugal usou e abusou do passe directo a partir de um bloco baixo, nunca sendo capaz de controlar a posse de bola e os ritmos do jogo. Deco passou ao lado do jogo e quando isso acontece, pela importância da sua posição, a qualidade exibicional do colectivo português cai a pique. Liedson não pode jogar como único ponta-de-lança e Danny esteve muito abaixo do esperado. Cristiano Ronaldo ameaçou mas não explodiu. Ou CR7 e Danny (ou Simão) jogam mais próximos do avançado brasileiro ou então Liedson terá que dar lugar a Hugo Almeida. Os melhores acabaram por ser Fábio Coentrão e Raúl Meireles, ambos no capítulo defensivo. Também preocupante é a total falta de coordenação fora de campo, com diversos exemplos de jogadores a proferirem declarações infelizes, como são (mau) exemplo Nani e Deco. A Costa do Marfim surpreendeu pela forma como se soube organizar defensivamente, algo que ainda não havia demonstrado, nomeadamente na CAN 2010. Mérito para Eriksson. Gervinho foi o melhor elemento dos "elefantes", mas Zokorá e Yaya Touré também estiveram muito bem na contenção do meio-campo português. O nulo no fim do jogo é o resultado mais justo e, ao contrário do que possa parecer, o empate não é necessariamente um mau resultado, pois na segunda jornada Portugal terá provavelmente a oportunidade de colocar maior pressão sobre os africanos que defrontam o Brasil.
O Brasil também ficou aquém das expectativas, com uma primeira parte marcada pela lentidão de processos e pela desinspiração de alguns dos mais importantes elementos da "canarinha". A Coreia do Norte, como se esperava, foi sempre uma equipa muito combativa na defesa, procurando adiar ou evitar o golo brasileiro. Jong Tae-Se, a "vedeta" do futebol norte-coreano foi deixado sozinho na frente de ataque, sendo impotente perante Lúcio e Juan. Só na segunda parte, após o bonito golo de Maicon, num movimento de má memória para a nossa Selecção, é que o Brasil se conseguiu soltar, sobrassaíndo nesta fase Elano e Robinho. Michel Bastos não jogou especialmente bem, mas o seu remate é sempre um perigo para as balizas contrárias. Até ao segundo golo, o Brasil conseguiu mesmo mostrar alguns movimentos de qualidade, mas acabou por ser uma exibição pálida e pouco convincente. Kaká parece estar longe da sua melhor forma e Luís Fabiano continua longe dos golos. O 2-1 final (Maicon, Elano, Ji Yun Nam) imprime justiça no resultado e o golo norte-coreano premeia o esforço dos seus jogadores. Apesar da vitória, o Brasil não foi suficientemente forte para se dizer com certezas que será o primeiro classificado do grupo.

Grupo H (Chile, Honduras, Espanha, Suiça)

O Chile de Marcelo Bielsa fez uma exibição agradável e consistente, confirmando a boa impressão deixada na Qualificação na zona CONMEBOL. Os chilenos foram sempre a melhor equipa e as Honduras, sem a sua maior estrela - David Suazo, foram sempre uma presa fácil nas raras vezes que procuraram atacar. Incrível também a forma como o Chile foi capaz de, ao longo do jogo, alternar entre o 4-3-3 e o 3-4-3 (táctica de eleição de Bielsa) sem perda de qualidade. Reflecte trabalho. Assim, o 1-0 (golo de Beausejour) final foi conseguido com alguma naturalidade, ficando ainda alguns golos por marcar. O Chile tem um conjunto de jogadores muito interessantes (muitos deles Campeões do Mundo sub-20). Alexis Sanchez é um desequilibrador nato e foi um dos melhores em campo, apesar de por vezes ser demasiado individualista. Não faltará muito para se transferir para um grande europeu. Matias Fernandez foi provavelmente o melhor jogador em campo, jogando com uma liberdade que não tem no Sporting CP. Ao seu lado, também em grande plano, esteve Valdivia. Isla e Vidal, apesar de hoje com pouco trabalho, também são craques. Do lado hondurenho, o veterano Guevara foi um dos mais trabalhadores e o guarda-redes Valladares evitou males maiores.
No último jogo desta 1ª jornada esperava-se uma vitória, mais ou menos fácil, da super-favorita Espanha. Porém, do outro lado esteve uma equipa suiça muito determinada e sem medo dos Campeões Europeus. Como era esperado, a Espanha assumiu as despesas do jogo, mantendo sempre a bola sob o seu controlo. Contudo, das poucas vezes que conseguiu chegar à área contrária, faltou alguma frieza e objectividade aos atacantes espanhóis. A Suiça acabou por surpreender num lance de contra-ataque muito confuso, conduzido por Derdiyok, o mais perigoso dos helvéticos, e finalizado pelo cabo-verdiano Gelson Fernandes. A chave da vitória suiça esteve na forma como Hitzfeld, uma verdadeira "Velha Raposa" do futebol europeu, organizou o seu meio-campo. Inler, Gelson, Huggel e Barnetta impediram que a bola chegasse nas melhores condições à linha mais avançada espanhola e "secaram" Xavi e David Silva, ambos num nível exibicional muito abaixo do esperado. Assim sendo, as grandes ocasiões de perigo para a Espanha foram criadas através de remates de fora da área. Busquets também não deu apoio suficiente aos centrais na transição defensiva e Torres fez muita falta durante a primeira parte ao lado de Villa. Do lado suiço, Reto Ziegler também teve especialmente bem. Do lado espanhol, Iniesta foi claramente o melhor jogador, com uma classe acessível a poucos. Não sabe jogar mal e raramente falha um passe (e faz muitos de difícil execução). A Suiça fica assim numa posição priveligiada para lutar pelo primeiro lugar do grupo, caso não perca com o Chile. Embora longe de eliminada, a Espanha fica com a tarefa mais dificultada e pode encontrar o Brasil nos oitavos-de-final (a confirmar-se o primeiro lugar brasileiro e segundo espanhol), o que para muitos será como uma final antecipada.

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1ª Jornada do Mundial 2010 - Rescaldo (Parte I)

A 1ª jornada da Fase de Grupos do Mundial 2010 foi a pior de sempre em termos de média de golos por jogo. Com apenas dois jogos em que foram marcados mais de dois golos, esta jornada fica também marcada pelos 6 (!) empates em 16 jogos. As equipas têm apresentado um futebol muito cauteloso, priveligiando a posse de bola ou o posicionamento defensivo, o que se reflecte naturalmente no número de golos marcados. Como Queiroz disse, este pode mesmo vir a ser um dos mais competitivos Mundiais de sempre, uma vez que os jogos vão sendo resolvidos em detalhes e o equilíbrio é imenso. Passemos então a analisar de forma sucinta o que cada equipa demonstrou até aqui.


Grupo A (África do Sul, México, Uruguai, França)

O primeiro jogo deste Campeonato do Mundo colocou frente a frente os anfitriões, a África do Sul, e o México. Do empate a uma bola (golos de Tchabalala e Rafa Marquez) fica a ideia de um México com um sistema táctico já muito bem trabalhado, com algumas nuances que reflectem bem os dois meses que Aguirre teve para preparar este Mundial. Os Aztecas acabaram por ser traídos pelo contra-ataque mortífero dos Bafana Bafana, onde se destacaram Tchabalala, autor de um grande golo, e Mphela. O guarda-redes Khune também demonstrou segurança e reflexos assinaláveis. Estes três jogadores ainda actuam no campeonato do seu país e são os elementos desta Selecção que poderão aspirar a voos mais altos após o certame. Do lado mexicano, o destaque vai para Giovani dos Santos, que parece querer regressar de forma definitiva ao futebol de mais alto nível, com uma exibição consistente e mais madura em relação àquilo que nos vem habituando.

Do França - Uruguai esperava-se um jogo de grande qualidade, sendo que ambas as equipas apresentam individualidades de classe Mundial, principalmente nos respectivos ataques. Porém, o jogo acabou por ser bastante enfadonho, com o Uruguai a fechar as portas da sua baliza. Forlan não marcou mas jogou muito bem, Arevalo Rios (referenciado pelo Sporting CP) mostrou grande competência defensiva e Lodeiro, um dos jogadores que mais expectativas gerava à partida para este Mundial, foi expulso infantilmente, estando em campo apenas durante 18 minutos. No final, o empate sem golos deixa tudo em aberto neste Grupo A, onde a a favorita França terá que mostrar muito mais para se superiorizar a México e Uruguai.


Grupo B (Argentina, Nigéria, Coreia do Sul, Grécia)

A Argentina de Maradona surpreendeu pela positiva na forma como se organizou em campo, criando condições para o aparecimento do seu maior valor individual, Lionel Messi. Apesar do razoável caudal ofensivo que conseguiu criar, a equipa das Pampas nunca esteve completamente segura, uma vez que a ala esquerda nigeriana foi criando algumas situações de maior perigo junto da baliza de Romero, especialmente por intermédio de Obasi. Após a vitória por 1-0 (golo de Heinze), Maradona terá que corrigir o posicionamento dos jogadores que compoem a sua ala direita, não sendo de afastar a possibilidade de Jonas Gutierrez perder a titularidade. Higuain esteve também muito perdulário e tem Milito a Aguero a espreitarem o "onze". Do lado nigeriano, o destaque vai obviamente para Enyeama. O "Gato" negou vários golos a Messi e Higuain, sendo considerado o melhor em campo nesta partida. Poderá dar o salto (actua no Hapoel Tel-Aviv) após o Mundial. Maradona continua a dar espectáculo e promete ser o centro das atenções durante toda a competição.

No outro jogo deste grupo, a Coreia do Sul deu uma lição de contra-ataque à...Grécia de Rehhagel. Os helénicos apresentaram um 4-3-3 excessivamente estático, com 3 avançados practicamente imóveis (Samaras, Gekas e Charisteas), limitando-se a bombear bolas para a grande área sul-coreana. Desta vez o feitiço virou-se contra o feiticeiro e Rehhagel, que se servira de um mortífero contra-ataque para conquistar o Euro 2004, viu Park Ji-Sung rasgar a defesa grega por diversas vezes, servindo o sempre combativo e disponível Park Chu-Young, que só por falta de sorte não marcou neste jogo. O resultado de 2-0 (golos de Lee Jung-Soo e Park Ji-Sung) é inteiramente justo para a melhor equipa asiática da actualidade, que neste jogo demonstrou uma grande solidariedade no capítulo defensivo e muita acutilância na forma como atacou.

Grupo C (Inglaterra, EUA, Argélia, Eslovénia)

Os ingleses chegaram a este Mundial com a moral em alta, mas o empate frente aos EUA coloca a equipa de Capello numa situação compremetedora. Sem Gareth Barry, o treinador italiano colocou os "gémeos" Lampard e Gerrard lado-a-lado no meio-campo. O capitão do Liverpool até começou bem o jogo, com um golo logo a abrir, mas os dois médios criativos acabaram por se anular, não sendo capazes de criar um fio condutor de jogo para a sua equipa. Surpreendentemente, Heskey (provavelmente o elemento menos cotado do "onze" inglês) acabou por ser o melhor da sua equipa. Rooney esteve muito abaixo das expectativas e Green pôs a nú o grande ponto fraco da formação inglesa, a baliza. Os EUA de Bob Bradley mostraram ter a lição bem estudada e não se deixaram abater pelo golo inicial do seu adversário. Donovan conseguiu sempre desequilibrar nas alas e Clint Dempsey é um jogador acima da média, que acabou por ser bafejado pela sorte no golo do empate. Destaque ainda para Jozy Altidore que deu muito trabalho a Terry, King e Carragher.

O Argélia - Eslovénia foi um jogo com pouca história, com duas equipas à procura do erro adversário. Sabendo que quem perdesse dificilmente passaria à próxima fase, ambas as formações foram enrolando o jogo, esperando por algum lance fortuito, que acabou por acontecer já perto do final, com o golo de Koren, um dos melhores em campo, que beneficiou de uma grande falha do guarda-redes Chaouchi. Na Eslovénia, Handanovic é um dos melhores guarda-redes da competição, transmitindo sempre grande confiança ao seu sector defensivo e Birsa é um desequilibrador, partindo das alas para o centro do terreno. Do lado (franco)argelino, destacou-se, pela positiva, Belhadj, um lateral esquerdo de cariz ofensivo que poderá ser atraído este Verão para algum clube de maior dimensão, após a descida de divisão do Portsmouth, onde vinha actuando. Pela negativa, o destaque vai obviamente para o guarda-redes e para Ghezzal, que entrou aos 58 minutos para ser expulso pouco antes do golo esloveno.

Grupo D (Alemanha, Austrália, Sérvia, Gana)

A Alemanha fez a exibição mais conseguida desta primeira jornada. Se é verdade que a Austrália nunca foi ameaça no ataque (jogou sem avançados) e que a veterania dos seus defesas é tabém um handicap para a equipa de Pim Verbeek, também é verdade que Joachim Low trabalhou bem a sua equipa, jogando em 4-3-3. Esta parece-me ser a melhor Alemanha desde 1996 e pode mesmo ser uma real candidata ao título. Lahm é um lateral extraordinário, que não sabe jogar mal, Schweinsteiger ganhou com a sua mudança para o centro do meio-campo (onde foi bem acompanhado por Khedira), Podolski na Selecção é enorme, Muller marca e dá a marcar, Klose é simplesmente letal (já leva 11 golos em 3 Fases Finais de Campeonatos do Mundo). Na vitória por 4-0 (Podolski, Klose, Muller, Cacau), o maior destaque vai para Mesut Ozil, que fez aquela que é até agora a melhor exibição individual deste Mundial. As suas mudanças de velocidade e os seus passes de ruptura partiram ao meio a defesa australiana por diversas vezes e as melhores ocasiões de perigo da Alemanha saíram invariavelmente dos seus pés. Para seguir com atenção. Pela negativa regista-se a expulsão de Cahill, que provavelmente não participará mais neste Mundial. Ridículo.

Sérvia e Gana eram vistos como os principais candidatos ao segundo lugar do Grupo D, sendo que a equipa sérvia era vista como favorita, principalmente face à ausência do "motor" da equipa ganesa, Essien. A primeira parte foi marcada por um grande equilíbrio, com ambas as formações a apostarem preferencialmente nas bolas paradas. Porém, na segunda parte o Gana, comandado por Asamoah Gyan, foi sempre mais perigoso e após uma expulsão (discutível) de Lukovic e um erro infantil e incompreensível de Kuzmanovic (numa altura em que a Sérvia até ía criando perigo junto à baliza de Kingson), o jogador do Rennes acabou mesmo por marcar o golo da vitória na marcação de uma grande penalidade. Gyan foi indiscutivelmente o melhor em campo, com Ayew e Tagoe também em bom plano do lado dos africanos. Na equipa balcânica, Jovanovic foi sempre o elemento mais inconformado. Krasic, Kolarov e Vidic estiveram muitos furos abaixo do esperado. Ficou difícil a tarefa da equipa de Antic e o "fantasma de 2006" já paira sobre a formação sérvia.

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Sinais contraditórios


A Argentina - minha selecção estrangeira predilecta desde sempre - entrou a ganhar no Mundial 2010 com uma vitória por 1-0 sobre a sempre perigosa Nigéria. Depois desta estreia, infelizmente não tenho confiança suficiente para afirmar que estamos perante um candidato ao nível do Brasil e sobretudo da Espanha, mas é muito perigoso subestimar a qualidade e a incrível garra da selecção albiceleste.

Ora falar desta equipa é falar, antes de mais, do seu treinador Maradona. Diego vestiu o seu melhor fato (nunca o tinha visto assim, diga-se) e deu show no banco durante todo o jogo, vibrando e sofrendo pelos seus pupilos (ele que, aos 49 anos, nos continua a deliciar com a sua arte). É, qualidades e/ou defeitos como treinador à parte, inegavelmente um espectáculo dentro do espectáculo neste Mundial, até à data algo monótono. O problema reside no facto de ele ocupar, neste momento e antes de tudo o mais, o cargo de técnico, algo que parece não ter ainda percebido completamente.

Nesta partida, D10S cumpriu o prometido e, como diria Quinito, tratou de encontrar uma táctica que lhe permitisse meter quase toda a carne - que, como toda a carne argentina, é naturalmente de qualidade - no assador. É verdade que noutros Campeonatos do Mundo outros seleccionadores argentinos, como Daniel Passarella em 1998, jogaram em 3-4-3 ou 3-5-2, mas a questão é que esse sistema necessita de jogadores adequados, nomeadamente para as posições de alas. E jogar com Gutierrez e Di María naquelas posições pode converter-se num verdadeiro suicídio, por mais que por vezes a defender se converta numa defesa a quatro tradicional.

Angelito passou, para grande desilusão minha, completamente ao lado do jogo, mas sinceramente acho que foi mais vítima do que réu, até porque nos jogos que a Argentina fizera nos últimos meses, a jogar em 4-4-2, o extremo do Benfica esteve sempre a muito bom nível. E, descontando algum facciosismo que a minha visão possa conter, parece-me que foi completamente ostracizado pelos colegas que raramente lhe passaram a bola (e o jogo foi sempre muito centralizado no Messi). Jogar naquela posição não é claramente para ele, o qual não tem, teve ou alguma vez terá o chip defensivo que alguém a fazer todo o corredor terá que possuir também. Apesar de tudo, em termos defensivos acabou por beneficiar do facto de o central do lado esquerdo ser Gabriel Heinze, que fecha e protege bastante melhor - até porque tem rotinas de lateral esquerdo - que Demichelis do lado contrário. Na direita, precisamente, Gutierrez foi constantemente surpreendido com bolas nas costas e as melhores jogadas das Super Águias surgiram pelo seu flanco. Mas apesar de eu não apreciar o jogador do Newcastle ele é, também, o menor dos culpados. Não se percebe como por exemplo Maradona abdicou de convocar Zanetti, que tão bem faria aquela posição.

Como disse o Luís Freitas Lobo na transmissão televisiva, a equipa dá a impressão de poder desmoronar-se a qualquer momento por causa das fragilidades defensivas. Para além das debilidades apontadas nas alas, os três centrais são também muito bons a jogar em bloco baixo, sobretudo por causa do fortíssimo jogo aéreo que apresentam, mas com esta táctica tornam-se muito vulneráveis a ataques rápidos. Se é certo que seria injusto, parece-me, a Argentina não ter ganho esta partida, a verdade é que isso podia muito bem ter acontecido, não fora o desacerto nigeriano a concluir alguns contra-ataques.


Porém, há depois...o meio-campo para a frente. E nisso poucas selecções poderão rivalizar com os argentinos. Gostei muito, na primeira parte, da forma como Mascherano e Verón combinaram; o médio do Liverpool, depois de uma má época, voltou ao seu nível e ditou o rumo do jogo na maior parte do tempo, enquanto a Brujita continua, aos 35 anos, sem saber jogar mal. Não só esteve activo defensivamente como procurou organizar as operações e sobretudo criar boas situações para Messi poder desequilibrar depois. O problema é mesmo a idade, e na segunda parte Verón caiu bastante, disso se ressentindo o jogo da Argentina - muito menos dominadora na etapa complementar.


Depois na frente, Messi e Tevez (o ídolo do povo, nas palavras de Maradona) estiveram bem, com o génio do Barça, em particular, a assinar um dos melhores jogos que o vi fazer pelo seu país. Assumiu sempre (por vezes um pouco em demasia) a responsabilidade e criou boas situações que, num dia menos inspirado do guardião nigeriano, teriam resultado em pelo menos um golo. Já Higuaín repetiu os falhanços quase escandalosos que acumulou esta época no Real Madrid. É um craque, jogador muito completo, mas tem que melhorar nesse aspecto; Maradona foi ao desespero várias vezes com as perdidas do Pipita e não sei até que ponto Milito não o renderá no onze mais tarde ou mais cedo, até porque se alguém anda com pé quente é ele. E ainda faltam Aguero ou Palermo...de facto um regalo.

Segue-se a Coreia do Sul num encontro que pode ser muito complicado em virtude das características dos coreanos, bastante rápidos e que para mais já têm o conforto de haverem ganho a primeira partida, podendo portanto jogar mais em contra-ataque. Pela minha parte, espero nova vitória argentina e, se possível, com melhor jogo do Di. A não perder já na quinta-feira.

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