O caso João Moutinho
ltados desportivos e muitas histórias mal contadas. O defeso adivinhava-se portanto fulcral para uma reestruturação da política em Alvalade e como base de uma preparação sustentada para a nova época, contemplando aspectos como o reforço da equipa e a blindagem do balneário. Espectava-se que pelo menos uma das jóias da coroa do clube se pudesse transferir, nomeadamente Miguel Veloso ou João Moutinho, com o primeiro a encabeçar grandemente a lista das probabilidades e as manchetes dos jornais.Contudo, surpresa! Da noite para o dia, o capitão da equipa de Alvalade (o mais jovem de sempre a sê-lo), símbolo da formação e principal imagem da equipa, transferiu-se para o FC Porto. Nos dias seguintes, através da imprensa e das declarações de Costinha e JEB, ficou-se a saber que o jogador havia forçado a saída, manifestando a sua vontade de sair através de diálogos, sms, recusa em treinar e, por fim, declarações incompreensíveis para um capitão: “no Usbequistão, Benfica ou FC Porto quero é ganhar mais”; "nunca mais vou vestir a camisola do Sporting"; "dei a minha palavra ao FC Porto que ia ser jogador deles" ou "quero tanto sair que ajudo e coopero com tudo o que quiserem dizer nos jornais, assumindo a responsabilidade".
Este comportamento chocou os dirigentes leoninos e posteriormente os adeptos, já que até então João Moutinho havia tido sempre um comportamento exemplar dentro do campo como jogador, e fora deles apenas manchado (sem muita gravidade na minha opinião) com as declarações públicas que efectuou no flash interview em 2008 referente à sua vontade de sair para o Everton. Desde aí tornou a sua posição pública mas sempre foi profissional, sacrificando-se pela equipa e a nível pessoal ao fazer todas as posições no meio campo, mostrando-se aplicado, coerente em todas as suas declarações nos piores momentos da última época e, apesar de ter baixado de rendimento desportivo, foi sempre dos poucos jogadores que mantiveram um nível exibicional satisfatório em 2009/2010.
O clube actuou bem: procurou satisfazer o jogador, aumentando o seu vencimento e tornando-o o mais bem pago do plantel a par de Liedson. Reduziu também a anterior cláusula de rescisão para 22,5 milhões de Euros de forma a facilitar uma saída no futuro.
Deste modo, o clube procurou dar contrapartidas ao jogador face ao interesse de Bolton e Everton (ambos clubes sem grandes perspectivas de sucesso competitivo, principalmente o primeiro), assim como facilitar uma saída no futuro, situação que se sabe nunca ter sido descartada face à necessidade de reestruturar o plantel, especialmente após se ter verificado uma estagnação da sua evolução como jogador. O potencial e a fiabilidade exibicional ainda as mantinha, mas para esta época deixou de haver intocáveis.
Contudo, Miguel Veloso “explodiu” em 2009/2010, rubricando exibições de grande nível e afigurando-se como uma possível peça fundamental para a nova época, tanto mais que está prova
do que é bastante polivalente. Seguido por grandes nomes da praça Europeia, esperavam-se (e esperam-se) propostas importantes para o cofre de Alvalade, sendo expectável que a sua venda permitisse segurar João Moutinho. O contrário também poderia acontecer, se bem que tal facto fosse menos credível, pois apenas o Everton continuava a manifestar publicamente interesse no capitão (o que não significa de todo que não tivesse mercado) e porque Miguel Veloso, ao contrário de Moutinho, havia sendo protagonista de maior número de boatos, notícias e declarações relacionados com a vontade de se transferir para o estrangeiro, criando alguns braços de ferro com a direcção do Sporting no passado.
Miguel Veloso foi até há pouco tempo um jogador bastante criticado pelos adeptos em função desse passado, entretanto bastante esquecido e compensado pela sua entrega e exibições nos últimos meses.
Assim, a venda de João Moutinho para outro clube não era expectável, subscrita com a não convocatória do jogador para a África do Sul, facto que lhe terá retirado cotação e diminuído no mercado. Foi também uma das razões que terão sido apontadas para a “explosão” do seu descontentamento.
Tendo em conta os factos anteriormente referidos, esperava-se que o Sporting o transferisse rapidamente, tendo em conta o comportamento deplorável (tornou-se efectivamente uma “maçã podre” como JEB referiu) como profissional e capitão, mas para um clube estrangeiro. Pina Zahavi e outros quatro empresários a soldo do clube de Alvalade procuraram nichos de mercado mas foi referido que ninguém mostrou interesse, aparecendo só…o FC Porto!
O SCP negociou-o assim por menos de metade da cláusula de rescisão, permitindo um encaixe financeiro significativo e assegurando os préstimos de Nuno André Coelho. De igual modo, viu a dívida relativa à venda de Hélder Postiga ser perdoada, assim como a obtenção de 25 % das mais-valias da futura venda de Moutinho num montante superior aos 11 milhões da transacção.
O negócio foi apelidado por muitos como bom para ambos os clubes e sinal de “evolução da maturidade do futebol Português”. Para mim foi mau para o Sporting (com potencial para se tornar péssimo) e óptimo para o Porto. Passo a explicitar:
- Para o clube das antas foi óptimo. Reforçou o meio campo com um ac
tivo conhecedor do futebol Português, uma aposta ganha em polivalência, entrega em campo, um nível exibicional no mínimo médio e constante e, além disso, a possibilidade de formar uma grande dupla com Raúl Meireles. De igual modo, tem probabilidades de aumentar o seu potencial e desenvolvimento como jogador, já que se encontra à partida numa equipa mais competitiva e com menor exigência expectável de sacrifício posicional da sua parte. Se bem que o investimento do FC Porto tenha sido elevado, prevê-se a venda de Bruno Alves e/ou Raúl Meireles. Sendo o último provavelmente o eleito, o clube perderia uma possível dupla portuguesa muito boa no meio campo mas a fiabilidade de João Moutinho face ao risco de apostar num activo estrangeiro a contratar é uma mais valia para o Porto, como referido no último post pelo Capo. Por último, é um culminar de um namoro antigo, obtendo um jogador com garra e dedicação, “à Porto” como gostam de dizer, a “preço de saldo” (face ao seu potencial) e também enfraquecem um rival directo que se encontra igualmente em processo de reestruturação. Caso o Porto fique aquém das expectativas e face a um Benfica favorito como candidato ao título, prevê-se que a luta para alguns ou muitos objectivos seja contra o Sporting e, deste modo, há maior probabilidade de um rival mais fraco.
- Para o Sporting, mau. Para mim logicamente há pontos positivos: 11 milhões de Euros mais um central alto como pretendido por Paulo Sérgio, perdão da dívida antiga do pior avançado do Sporting na última época. Verbas importantes para atacar o reforço da equipa neste defeso, mas há alguns aspectos que destaco:
1) A venda ao um rival directo é, em 1º lugar, fortalecê-lo. E de modo importante, tendo em conta o já referido!
2) A venda a um rival directo afecta a imagem e credibilidade da direcção, agrava a desconfiança dos adeptos, fere o seu orgulho e a crença no sucesso da renovação da equipa e fornece uma imagem social de incapacidade e impossibilidade de resolver os problemas financeiros e de mercado sem ser fornecer o maior símbolo do clube a um competidor directo. Soa a traição para muitos, a sub-alternidade para outros, a um péssimo negócio para terceiros ou como a gota de água para outros.
3) Face à situação desportiva e da direcção nos últimos meses, estes acontecimentos são mais uma grande acha para a fogueira que tem vindo a arder alto em Alvalade. O risco de renovação da equipa aumentou e a pressão sobre o sucesso futuro aumentaram. Deste modo, o insucesso desportivo futuro assim como o sucesso portista e/ou do jogador em questão poderão tornar-se armas fortes de contestação e revolta à direcção na próxima época.
4) Das declarações de JEB e Costinha, pareceu-me que o
Sporting pecou gravemente na celeridade com que quis resolver este problema. Justificaram que João Moutinho não tinha mercado, pelo que foram forçados a vendê-lo ao clube das Antas. Todos sabemos que o mercado de transferências se encontra estagnado e “lento” em função do mundial e da crise financeira. Só nas últimas semanas irá acelerar, portanto tendo-se J. Moutinho desvalorizado na última época, era expectável que não tivesse propostas antes do terminus do África do Sul 2010! Não acredito que um jogador da sua qualidade não pudesse ser vendido futuramente, mesmo por valor mais baixo, a um clube de 2ª linha avançada da Europa!
5) Aparentemente há uma série de histórias mal contadas relacionadas com o decorrer do processo pelo empresário Pini Zahavi, tendo chegado mesmo a mentir aos dirigentes Sportinguistas sobre as negociações do jogador com o Porto ou do interesse deste no mesmo (depois apresentou desculpas). Perante estes factos e face à exigência de J. Moutinho se transferir para o Norte, considero que essa solução nunca poderia ser equacionada, até pela questão moral e de o clube não se vergar perante a demanda do capitão.
6) Se o timing da venda do mesmo justificava-se pela necessidade de encaixe financeiro para futuros reforços, verifica-se o referido no ponto 3 relativamente à estagnação do mercado. Como prova deste facto, o clube após a venda de Moutinho ainda só assegurou Valdés por valores muito próximos relativamente ao que se vinha andado a falar há várias semanas. E pelos vistos, não providencia financeiramente a capacidade de assegurar Drenthe. Até à data aparentemente não se verificaram consequências directas, esperando-se que estas ocorrem futuramente mas sempre após o mundial!
7) Se o SCP vender Miguel Veloso, como parece ser provável, são dois jogadores muito importantes do miolo da equipa que saem. Mesmo que João Moutinho não pudesse ser recuperado, não custava nada tentar multá-lo ou ameaçá-lo com o facto de não jogar durante a época inteira (aliás, eu e seguramente muitos exigia-o!). Recordo que o Sporting é uma das maiores instituições desportivas nacionais, para muitos a melhor, e tendo em conta a condução deste processo e as declarações dos dirigentes, parece-me óbvio que o Sporting cedeu à chantagem do jogador, meio justificada pela necessidade de reforçar a equipa e resolver o problema ambiental e de balneário que poderia ocorrer (Costinha não iria ter mão de ferro, como frequentemente referiu?). João Moutinho tinha contracto, tinha que o cumprir e seria do superior interesse do Sporting providenciar esse seu direito ou no mínimo, demonstrar que tem austeridade disciplinar. Tenho a certeza que se o clube em questão fosse o Benfica ou o Porto, as respectivas direcções providenciariam que o jogador ficasse meses sem jogar se necessário, recuperando-o ou transferindo-o para o estrangeiro. Além disto não tenho dúvidas que no Porto teria visitas no parque de estacionamento se lá jogasse.
8) Tendo em conta os casos de indisciplina veiculados pela imprensa nos últimos meses (Liedson, Stojkovic, Vukcevic, Miguel Veloso, J. Moutinho) e verificando-se que as peças basilares do Sporting como Liedson, Polga e Miguel Veloso estiveram envolvidos nesses casos ou perderam competitividade ou serão provavelmente transferidos, a saída de João Moutinho arrisca deixar o balneário do Sporting sem uma voz forte e competitiva
em campo (Liedson tem vindo a ser contestado na última época segundo a imprensa face à impunidade de que beneficiou) e, do modo como foi feita, transmite uma potencial volatilidade futura da direcção do Sporting a casos de indisciplina, quer relativamente a casos de pancadaria, quer a situações de desejo de saída (Miguel Veloso, Izmailov (?), Stojkovic, Vukcevic, etc). Estas situações podem-se agravar quando alguns jogadores já constataram que quem é intocável nunca foi de modo aparente severamente castigado na última época quando havia razões para isso, em prol da defesa da competitividade do clube.
Contudo, considero que uma época ao nível da última (ou nem tão pouco) terá com bastante probabilidade no caso João Moutinho um aspecto importante que poderá auxiliar desenvolvimentos nocivos de balneário e na direcção Sportinguista. Isto apesar de nunca negar que houve contrapartidas positivas para o clube nesta situação e que serão proveitosas para o mesmo. Muito fica para contar até porque o jogador não falou, talvez futuramente se saiba algo mais mas isso não será decerto relevante em nada para o destino e sucesso do clube, a não ser que o mesmo não corra bem como referi anteriormente.
A fé de Sportinguista mantém-se, venha o espectáculo da nova época!














Roberto


























