1ª Jornada do Mundial 2010 - Rescaldo (Parte I)

A 1ª jornada da Fase de Grupos do Mundial 2010 foi a pior de sempre em termos de média de golos por jogo. Com apenas dois jogos em que foram marcados mais de dois golos, esta jornada fica também marcada pelos 6 (!) empates em 16 jogos. As equipas têm apresentado um futebol muito cauteloso, priveligiando a posse de bola ou o posicionamento defensivo, o que se reflecte naturalmente no número de golos marcados. Como Queiroz disse, este pode mesmo vir a ser um dos mais competitivos Mundiais de sempre, uma vez que os jogos vão sendo resolvidos em detalhes e o equilíbrio é imenso. Passemos então a analisar de forma sucinta o que cada equipa demonstrou até aqui.


Grupo A (África do Sul, México, Uruguai, França)

O primeiro jogo deste Campeonato do Mundo colocou frente a frente os anfitriões, a África do Sul, e o México. Do empate a uma bola (golos de Tchabalala e Rafa Marquez) fica a ideia de um México com um sistema táctico já muito bem trabalhado, com algumas nuances que reflectem bem os dois meses que Aguirre teve para preparar este Mundial. Os Aztecas acabaram por ser traídos pelo contra-ataque mortífero dos Bafana Bafana, onde se destacaram Tchabalala, autor de um grande golo, e Mphela. O guarda-redes Khune também demonstrou segurança e reflexos assinaláveis. Estes três jogadores ainda actuam no campeonato do seu país e são os elementos desta Selecção que poderão aspirar a voos mais altos após o certame. Do lado mexicano, o destaque vai para Giovani dos Santos, que parece querer regressar de forma definitiva ao futebol de mais alto nível, com uma exibição consistente e mais madura em relação àquilo que nos vem habituando.

Do França - Uruguai esperava-se um jogo de grande qualidade, sendo que ambas as equipas apresentam individualidades de classe Mundial, principalmente nos respectivos ataques. Porém, o jogo acabou por ser bastante enfadonho, com o Uruguai a fechar as portas da sua baliza. Forlan não marcou mas jogou muito bem, Arevalo Rios (referenciado pelo Sporting CP) mostrou grande competência defensiva e Lodeiro, um dos jogadores que mais expectativas gerava à partida para este Mundial, foi expulso infantilmente, estando em campo apenas durante 18 minutos. No final, o empate sem golos deixa tudo em aberto neste Grupo A, onde a a favorita França terá que mostrar muito mais para se superiorizar a México e Uruguai.


Grupo B (Argentina, Nigéria, Coreia do Sul, Grécia)

A Argentina de Maradona surpreendeu pela positiva na forma como se organizou em campo, criando condições para o aparecimento do seu maior valor individual, Lionel Messi. Apesar do razoável caudal ofensivo que conseguiu criar, a equipa das Pampas nunca esteve completamente segura, uma vez que a ala esquerda nigeriana foi criando algumas situações de maior perigo junto da baliza de Romero, especialmente por intermédio de Obasi. Após a vitória por 1-0 (golo de Heinze), Maradona terá que corrigir o posicionamento dos jogadores que compoem a sua ala direita, não sendo de afastar a possibilidade de Jonas Gutierrez perder a titularidade. Higuain esteve também muito perdulário e tem Milito a Aguero a espreitarem o "onze". Do lado nigeriano, o destaque vai obviamente para Enyeama. O "Gato" negou vários golos a Messi e Higuain, sendo considerado o melhor em campo nesta partida. Poderá dar o salto (actua no Hapoel Tel-Aviv) após o Mundial. Maradona continua a dar espectáculo e promete ser o centro das atenções durante toda a competição.

No outro jogo deste grupo, a Coreia do Sul deu uma lição de contra-ataque à...Grécia de Rehhagel. Os helénicos apresentaram um 4-3-3 excessivamente estático, com 3 avançados practicamente imóveis (Samaras, Gekas e Charisteas), limitando-se a bombear bolas para a grande área sul-coreana. Desta vez o feitiço virou-se contra o feiticeiro e Rehhagel, que se servira de um mortífero contra-ataque para conquistar o Euro 2004, viu Park Ji-Sung rasgar a defesa grega por diversas vezes, servindo o sempre combativo e disponível Park Chu-Young, que só por falta de sorte não marcou neste jogo. O resultado de 2-0 (golos de Lee Jung-Soo e Park Ji-Sung) é inteiramente justo para a melhor equipa asiática da actualidade, que neste jogo demonstrou uma grande solidariedade no capítulo defensivo e muita acutilância na forma como atacou.

Grupo C (Inglaterra, EUA, Argélia, Eslovénia)

Os ingleses chegaram a este Mundial com a moral em alta, mas o empate frente aos EUA coloca a equipa de Capello numa situação compremetedora. Sem Gareth Barry, o treinador italiano colocou os "gémeos" Lampard e Gerrard lado-a-lado no meio-campo. O capitão do Liverpool até começou bem o jogo, com um golo logo a abrir, mas os dois médios criativos acabaram por se anular, não sendo capazes de criar um fio condutor de jogo para a sua equipa. Surpreendentemente, Heskey (provavelmente o elemento menos cotado do "onze" inglês) acabou por ser o melhor da sua equipa. Rooney esteve muito abaixo das expectativas e Green pôs a nú o grande ponto fraco da formação inglesa, a baliza. Os EUA de Bob Bradley mostraram ter a lição bem estudada e não se deixaram abater pelo golo inicial do seu adversário. Donovan conseguiu sempre desequilibrar nas alas e Clint Dempsey é um jogador acima da média, que acabou por ser bafejado pela sorte no golo do empate. Destaque ainda para Jozy Altidore que deu muito trabalho a Terry, King e Carragher.

O Argélia - Eslovénia foi um jogo com pouca história, com duas equipas à procura do erro adversário. Sabendo que quem perdesse dificilmente passaria à próxima fase, ambas as formações foram enrolando o jogo, esperando por algum lance fortuito, que acabou por acontecer já perto do final, com o golo de Koren, um dos melhores em campo, que beneficiou de uma grande falha do guarda-redes Chaouchi. Na Eslovénia, Handanovic é um dos melhores guarda-redes da competição, transmitindo sempre grande confiança ao seu sector defensivo e Birsa é um desequilibrador, partindo das alas para o centro do terreno. Do lado (franco)argelino, destacou-se, pela positiva, Belhadj, um lateral esquerdo de cariz ofensivo que poderá ser atraído este Verão para algum clube de maior dimensão, após a descida de divisão do Portsmouth, onde vinha actuando. Pela negativa, o destaque vai obviamente para o guarda-redes e para Ghezzal, que entrou aos 58 minutos para ser expulso pouco antes do golo esloveno.

Grupo D (Alemanha, Austrália, Sérvia, Gana)

A Alemanha fez a exibição mais conseguida desta primeira jornada. Se é verdade que a Austrália nunca foi ameaça no ataque (jogou sem avançados) e que a veterania dos seus defesas é tabém um handicap para a equipa de Pim Verbeek, também é verdade que Joachim Low trabalhou bem a sua equipa, jogando em 4-3-3. Esta parece-me ser a melhor Alemanha desde 1996 e pode mesmo ser uma real candidata ao título. Lahm é um lateral extraordinário, que não sabe jogar mal, Schweinsteiger ganhou com a sua mudança para o centro do meio-campo (onde foi bem acompanhado por Khedira), Podolski na Selecção é enorme, Muller marca e dá a marcar, Klose é simplesmente letal (já leva 11 golos em 3 Fases Finais de Campeonatos do Mundo). Na vitória por 4-0 (Podolski, Klose, Muller, Cacau), o maior destaque vai para Mesut Ozil, que fez aquela que é até agora a melhor exibição individual deste Mundial. As suas mudanças de velocidade e os seus passes de ruptura partiram ao meio a defesa australiana por diversas vezes e as melhores ocasiões de perigo da Alemanha saíram invariavelmente dos seus pés. Para seguir com atenção. Pela negativa regista-se a expulsão de Cahill, que provavelmente não participará mais neste Mundial. Ridículo.

Sérvia e Gana eram vistos como os principais candidatos ao segundo lugar do Grupo D, sendo que a equipa sérvia era vista como favorita, principalmente face à ausência do "motor" da equipa ganesa, Essien. A primeira parte foi marcada por um grande equilíbrio, com ambas as formações a apostarem preferencialmente nas bolas paradas. Porém, na segunda parte o Gana, comandado por Asamoah Gyan, foi sempre mais perigoso e após uma expulsão (discutível) de Lukovic e um erro infantil e incompreensível de Kuzmanovic (numa altura em que a Sérvia até ía criando perigo junto à baliza de Kingson), o jogador do Rennes acabou mesmo por marcar o golo da vitória na marcação de uma grande penalidade. Gyan foi indiscutivelmente o melhor em campo, com Ayew e Tagoe também em bom plano do lado dos africanos. Na equipa balcânica, Jovanovic foi sempre o elemento mais inconformado. Krasic, Kolarov e Vidic estiveram muitos furos abaixo do esperado. Ficou difícil a tarefa da equipa de Antic e o "fantasma de 2006" já paira sobre a formação sérvia.

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Sinais contraditórios


A Argentina - minha selecção estrangeira predilecta desde sempre - entrou a ganhar no Mundial 2010 com uma vitória por 1-0 sobre a sempre perigosa Nigéria. Depois desta estreia, infelizmente não tenho confiança suficiente para afirmar que estamos perante um candidato ao nível do Brasil e sobretudo da Espanha, mas é muito perigoso subestimar a qualidade e a incrível garra da selecção albiceleste.

Ora falar desta equipa é falar, antes de mais, do seu treinador Maradona. Diego vestiu o seu melhor fato (nunca o tinha visto assim, diga-se) e deu show no banco durante todo o jogo, vibrando e sofrendo pelos seus pupilos (ele que, aos 49 anos, nos continua a deliciar com a sua arte). É, qualidades e/ou defeitos como treinador à parte, inegavelmente um espectáculo dentro do espectáculo neste Mundial, até à data algo monótono. O problema reside no facto de ele ocupar, neste momento e antes de tudo o mais, o cargo de técnico, algo que parece não ter ainda percebido completamente.

Nesta partida, D10S cumpriu o prometido e, como diria Quinito, tratou de encontrar uma táctica que lhe permitisse meter quase toda a carne - que, como toda a carne argentina, é naturalmente de qualidade - no assador. É verdade que noutros Campeonatos do Mundo outros seleccionadores argentinos, como Daniel Passarella em 1998, jogaram em 3-4-3 ou 3-5-2, mas a questão é que esse sistema necessita de jogadores adequados, nomeadamente para as posições de alas. E jogar com Gutierrez e Di María naquelas posições pode converter-se num verdadeiro suicídio, por mais que por vezes a defender se converta numa defesa a quatro tradicional.

Angelito passou, para grande desilusão minha, completamente ao lado do jogo, mas sinceramente acho que foi mais vítima do que réu, até porque nos jogos que a Argentina fizera nos últimos meses, a jogar em 4-4-2, o extremo do Benfica esteve sempre a muito bom nível. E, descontando algum facciosismo que a minha visão possa conter, parece-me que foi completamente ostracizado pelos colegas que raramente lhe passaram a bola (e o jogo foi sempre muito centralizado no Messi). Jogar naquela posição não é claramente para ele, o qual não tem, teve ou alguma vez terá o chip defensivo que alguém a fazer todo o corredor terá que possuir também. Apesar de tudo, em termos defensivos acabou por beneficiar do facto de o central do lado esquerdo ser Gabriel Heinze, que fecha e protege bastante melhor - até porque tem rotinas de lateral esquerdo - que Demichelis do lado contrário. Na direita, precisamente, Gutierrez foi constantemente surpreendido com bolas nas costas e as melhores jogadas das Super Águias surgiram pelo seu flanco. Mas apesar de eu não apreciar o jogador do Newcastle ele é, também, o menor dos culpados. Não se percebe como por exemplo Maradona abdicou de convocar Zanetti, que tão bem faria aquela posição.

Como disse o Luís Freitas Lobo na transmissão televisiva, a equipa dá a impressão de poder desmoronar-se a qualquer momento por causa das fragilidades defensivas. Para além das debilidades apontadas nas alas, os três centrais são também muito bons a jogar em bloco baixo, sobretudo por causa do fortíssimo jogo aéreo que apresentam, mas com esta táctica tornam-se muito vulneráveis a ataques rápidos. Se é certo que seria injusto, parece-me, a Argentina não ter ganho esta partida, a verdade é que isso podia muito bem ter acontecido, não fora o desacerto nigeriano a concluir alguns contra-ataques.


Porém, há depois...o meio-campo para a frente. E nisso poucas selecções poderão rivalizar com os argentinos. Gostei muito, na primeira parte, da forma como Mascherano e Verón combinaram; o médio do Liverpool, depois de uma má época, voltou ao seu nível e ditou o rumo do jogo na maior parte do tempo, enquanto a Brujita continua, aos 35 anos, sem saber jogar mal. Não só esteve activo defensivamente como procurou organizar as operações e sobretudo criar boas situações para Messi poder desequilibrar depois. O problema é mesmo a idade, e na segunda parte Verón caiu bastante, disso se ressentindo o jogo da Argentina - muito menos dominadora na etapa complementar.


Depois na frente, Messi e Tevez (o ídolo do povo, nas palavras de Maradona) estiveram bem, com o génio do Barça, em particular, a assinar um dos melhores jogos que o vi fazer pelo seu país. Assumiu sempre (por vezes um pouco em demasia) a responsabilidade e criou boas situações que, num dia menos inspirado do guardião nigeriano, teriam resultado em pelo menos um golo. Já Higuaín repetiu os falhanços quase escandalosos que acumulou esta época no Real Madrid. É um craque, jogador muito completo, mas tem que melhorar nesse aspecto; Maradona foi ao desespero várias vezes com as perdidas do Pipita e não sei até que ponto Milito não o renderá no onze mais tarde ou mais cedo, até porque se alguém anda com pé quente é ele. E ainda faltam Aguero ou Palermo...de facto um regalo.

Segue-se a Coreia do Sul num encontro que pode ser muito complicado em virtude das características dos coreanos, bastante rápidos e que para mais já têm o conforto de haverem ganho a primeira partida, podendo portanto jogar mais em contra-ataque. Pela minha parte, espero nova vitória argentina e, se possível, com melhor jogo do Di. A não perder já na quinta-feira.

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Um Mistério Chamado Lukas Podolski

A Alemanha assumiu-se para já como a melhor equipa deste Mundial 2010. Uma exibição colectiva notável, onde despontaram individualmente os jovens Mesut Ozil e Thomas Muller, tornaram possível à Selecção de Joachim Low golear a Austrália por contundentes 4-0 (Podolski, Klose, Muller, Cacau). Esta parece-me ser a melhor Alemanha desde a vitória no Europeu em 1996, em Terras de Sua Majestade, e assume-se como uma clara candidata à vitória final. Porém, no meio desta exibição muito conseguida, fica uma pergunta: O que é que Podolski ainda faz no Colónia? Este é, para mim, um dos maiores mistérios do futebol europeu.


Lukas Podolski, jogador alemão nascido na Polónia, cresceu para e no futebol no Koln, clube do seu coração. Durante os primeiros anos da sua carreira, foi neste clube que se destacou, atingindo muito cedo o estatuto de "estrela" do clube, o que o levou ainda muito jovem à Mannschaft, em 2003. Após uma breve aparição no Euro 2004, é no Mundial 2006 que brilha, apontando 3 golos e sendo considerado o melhor jogador jovem da competição, à frente de Cristiano Ronaldo, Lionel Messi e Antonio Valencia. O seu desempenho foi fundamental para o 3º lugar da equipa alemã, que jogava em casa.


Apesar da grande notoriedade que atingiu, o Bayern Munique já havia assegurado o seu passe, ainda antes da competição, por 10M€. Previa-se então que a prolífera dupla germano-polaca da Mannschaft, constituída por Podolski e Klose (Bota de Ouro no Mundial 2006), fizesse furor também no clube bávaro. A primeira época em Munique correu razoavelmente bem, sendo apenas interrompida por uma lesão no tonozelo. Porém, com a chegada de Luca Toni ao clube em 2007, Podolski perdeu espaço na equipa, passando a sentar-se com frequentemente no banco de suplentes. Após duas épocas sem jogar com a regularidade que pretendia e esquecido pelos gigantes europeus, acerta contrato com o seu primeiro clube, o Koln, depois de Joachim Low lhe garantir que continuaria a ser opção na Selecção alemã.


Podolski chega assim ao Mundial 2010 com 25 anos e ainda longe de atingir o potencial que lhe era atribuído no início da sua carreira. Com o passar dos anos, este jogador que valia principalmente pelo seu forte pontapé (que mantém), tornou-se mais requintado tacticamente, sendo capaz de actuar sem perda de rendimento em posições como médio atacante ou extremo (posição que ocupa na Selecção alemã desde a "chegada" de Mario Gomez). É um jogador tecnica e tacticamente muito evoluído e inteligente, que faz jogar os companheiros, mantendo a capacidade de aparecer na área (e fora dela, aproveitando o seu portentoso remate) para marcar golos. Se a Alemanha continuar a practicar o futebol que apresentou na primeira jornada desta competição, Podolski poderá regressar às bocas do Mundo e à cobiça dos "tubarões" do Velho Continente. Porém a dúvida mantém-se. Será que Podolski quererá arriscar nova aventura fora de "casa", depois do fracasso que foi a sua passagem por Munique? Ou será que são os próprios clubes querem evitar o risco de contratar alguém que até hoje só conseguiu brilhar ao nível de Selecções?


Na minha perspectiva, seria uma pena que Podolski fizesse carreira "escondido" no Koln. Tem valor mais do que suficiente para brilhar num grande de um campeonato como o inglês ou o italiano. Se não o fizer, será para sempre lembrado como "mais um" que nunca foi aquilo que poderia ter sido. O seu talento merece nova oportunidade.

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Destaques do Mundial: Gervinho

No Grupo G do Mundial da África do Sul, onde se inserem Portugal, Brasil, Costa do Marfim e Coreia do Norte, estará também um dos maiores talentos em bruto do futebol Europeu. Não falo de Cristiano Ronaldo, Kaká, Drogba nem do "Rooney Asiático", Jong Tae-Se. Não, falo de Gervais Yao Kouassi, "carinhosamente" apelidado no mundo do futebol como Gervinho.


Gervinho nasceu a 27 de Maio de 1987 em Ányama, Costa do Marfim. É um jogador que pode ocupar todas as posições do ataque, tanto nas alas como no corredor central. Parece-me no entanto que pode render mais no lado direito de um trio atacante (num esquema 4-3-3) ou como segundo avançado (em 4-4-2). Dessa forma poderá tirar partido da sua velocidade e pujança física para aparecer nas costas da defesa contrária para finalizar ou servir os companheiros, uma vez que é excelente na finalização e demonstra também grande frieza no momento da verdade. Tecnicamente é bastante dotado, sendo especialmente forte no 1 para 1, onde raramente perde um duelo. Apesar de ser muito eficaz e marcar com regularidade, não deve ser encarado como um ponta-de-lança puro, pois isso seria limitador para as suas qualidades.


Tal como muitos dos melhores jogadores do seu país, Gervinho iniciou a sua carreira no futebol (ainda nos escalões de formação) no maior clube da capital, o ASEC Mimosas de Abidjan. Este clube funciona como uma Academia, conciliando o treino diário com a educação dos seus jovens atletas. Foi neste clube que ganhou a alcunha de Gervinho, atribuída pelo seu treinador, de nacionalidade brasileira. Ainda no seu país natal jogou pelo Toumodi, da Segunda Divisão, antes de rumar à Europa. O salto para o velho continente é dado, como tantos outros jogadores da África francófona, via futebol belga, mais concretamente pelas mãos do Beveren. A sua caminhada ascendente não para e duas épocas volvidas ingressa no futebol francês, assinando pelo Le Mans. Num palco mais exigente como é o Championnat não se intimida e torna-se numa das referências do seu novo clube. De imediato surge o interesse do Arsenal de Wenger, sempre atento a jovens promessas (principalmente em França). Apesar do assédio dos Gunners (e de outros clubes de maior nomeada como Tottenham, PSG ou Monaco), assina pelo Lille, por 8M de euros, em Julho de 2009.


A época de 2009/2010 foi assim a sua primeira ao serviço do Lille. Rapidamente se tornou na maior referência ofensiva e no jogador mais imprevisível do melhor ataque da Ligue 1 (72 golos), apontando 13 golos no campeonato e 5 na Liga Europa, onde o clube atingiu os oitavos-de-final, sendo eliminado pelo Liverpool.

Apesar de estar ainda há pouco tempo no Lille, não é de afastar a possibilidade de rumar a um "tubarão" europeu, caso as coisas lhe corram bem, tanto a nível individual como colectivo. De olho nele estão já alguns clubes como o Man Utd (tem-no referenciado como um dos 5 jogadores a seguir neste Mundial), Lyon, Chelsea e, claro, Arsenal.
Neste Mundial, Gervinho terá a oportunidade de se afirmar como o sucessor de Didier Drogba como grande figura dos "Elefantes", uma vez que não é de prever que o avançado do Chelsea volte a estar presente numa competição deste género. Da sua capacidade de desequilíbrio e da sua disponibilidade física dentro de campo, poderá depender o sucesso da melhor Seleccção Africana da actualidade neste torneio disputado no seu próprio Continente.

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A época de 2010/11 começou em grande. ( Parte 2)

Boa tarde a todos,


Prometido é devido, então cá vai a minha análise sobre o treinador André Villas-Boas, pelo menos, quais as minhas expectativas em relação ao seu trabalho no cube, pois para saber quem ele é, isso já está bem escalpelizado nos diversos jornais.


Tacticamente, espera-se um 4-3-3 com várias nuances, em que a principal diferença em relação ao seu antecessor será novas funções para o jogador da posição 6, em que ele quer que este desempenhe algumas funções ofensivas, e que seja o primeiro distribuidor de jogo, e não que apenas desempenhe funções de cobrir a subida de laterais ou diversas compensações. Para o Fernando, que não se lhe reconhece grande habilidade na precisão de passes para movimentos ofensivos, será de facto uma grande tarefa. Logo, um trinco, para fazer sombra ao Fernando, terá que ter essas características. Será que o Castro, cumpre esses requisitos? Não sei, na pré-época se verá, ou se no mercado existe alguém com essas características. Outra opção, na construção de ataque, são os laterais, que terão ordem de atacar, um de cada vez. Isto é, subindo o defesa direito, fica o defesa esquerdo a fazer de 3 defesa, garantindo sempre uma superioridade numérica em caso de contra-ataque adversário, havendo sempre um jogador rápido para compensar a habitual lentidão dos centrais. Mas, André Villas-Boas, tal como Mourinho, gosta de laterais altos. Aí Fucile, não estará bem enquadrado, sabendo que existindo um interesse do Atlético de Madrid, poderá ser uma boa saída, ficando para esse flanco Miguel Lopes e Sapunaru.


Para suprir a eventual saída de Bruno Alves, já fizemos a investida num reforço que considero de bom nível e com apenas 25 anos, e já internacional português.


Nota-se que, fundamentalmente, se tratará de uma nova aposta na aquisição de jogadores. Começar a tentar aproveitar a prata da casa e uma política de contratações agressiva e criteriosa, tal como André Villas-Boas deixou transparecer aquando da sua apresentação oficial.


Para o meio campo ofensivo, começando nos jogadores de meio campo, creio de deixarão de ser eles a fecharem os corredores na compensação das subidas, mas poderão ser jogadores, um mais posicional, e outro que apareça nas costas do avançado. Mais ao estilo do FCP da taça UEFA e LC. Na frente de ataque, sabe-se que ele prefere simplicidade de processos, havendo a questão de, se quer jogar com extremos puros, Qual será a função de Hulk. Será que apostará num

extremo puro, tal como Ukra, Rodriguéz e o defesa desse lado fica mais resguardado? Ou será que aposta em laterais que fazem o corredor todo aparecendo Hulk no apoio declarado ou mesmo como 2º avançado? Estás dúvidas serão certamente dissipadas nos primeiros jogos contra o Ajax e Marselha, dois bons testes para o FC Porto nessa altura.


Mais contratações, será certamente um outro avançado com características de área pois, o Farias depois do episódio de Janeiro deve abandonar o dragão, assim como o Orlando Sá, que precisa de minutos e de competição, e dado o suposto interesse do Nacional, poderá eventualmente rodar esta época. Bruno Moraes, Rabiola, Yero e Rui Pedro, devem continuar a sua rodagem noutros clubes, sendo que no caso do Bruno Moraes, será certamente um adeus definitivo ao dragão.


De todas as contratações que foram anunciadas, entre

jogadores e equipa técnica, a que eu gostei mais foi do Pedro Emanuel. Sim, esse irá dar novamente a voz de comando no balneário que faltou este ano, a voz que separa o Porto das outras equipas.


Por isto tudo, digo que este ano além de contratarmos jogadores à Porto, também foi feita uma escolha criteriosa de treinadores à Porto.


Esta, é a minha visão de como poderá ser, e aguardo com curiosidade a silly season.


Abraços!


Por Emanuel Ribeiro


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Golo da Semana

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Os Elefantes


A Costa do Marfim aparece neste Mundial 2010, disputado em solo africano, como a equipa "da casa" com maiores hipóteses de fazer uma "gracinha". A recente aposta no experiente e bem-conhecido dos portugueses Sven-Goran Eriksson demonstra bem a Fé depositada pelos dirigentes de Abidjan nesta Selecção.
Embora esta equipa seja vista actualmente como a mais forte do seu continente, é com alguma surpresa que se constata que conta apenas com uma presença num Campeonato do Mundo (na última edição, em 2006 na Alemanha, onde não ultrapassou a fase de grupos) e que por apenas uma vez conquistou a Taça das Nações Africanas (CAN), decorria o ano de 1992. A final disputada em Dakar (Senegal) foi ganha frente ao Gana, com um resultado de 11-10 (!) na marcação de grandes penalidades. Com esta (falta de) história no futebol como pano de fundo, surge assim como ainda mais importante uma boa prestação na África do Sul. Não é também de estranhar que não existam grandes nomes de jogadores costa-marfinenses no passado. A geração actual é a melhor de sempre naquele país e jogadores como Didier Drogba, os irmãos (Kolo e Yaya) Touré, Solomon Kalou e Zokora quererão cravar para sempre os seus nomes na história.

Na fase de apuramento, os "Elefantes" disputaram o Grupo E da Zona CAF, levando a melhor sobre a Burkina Faso de Paulo Duarte, Malawi e Guiné-Conakri. O apuramento foi conseguido sob o comando de Vahid Halihodzic. Porém, o mau desempenho na CAN 2010 disputada em Angola, com a equipa a não ir além das meias-finais (derrota com a Argélia), custou o lugar ao técnico Bósnio a escassos meses do certame na África do Sul.



Quando tudo indicava que a escolha iria recaír sobre Guus Hiddink, o "milagreiro holandês" foi desviado pela Federação Turca. A segunda escolha não ficou atrás em termos de nome, reputação e títulos. "Svennis" é um treinador com um palmarés invejável. Foi Campeão na Suécia com o Goteborg, em Portugal com o SL Benfica e em Itália com a Lazio; venceu a Taça (e Supertaça) desses mesmos países, não só com estes 3 clubes mas também em Itália com Sampdoria e Roma, venceu a Taça UEFA com o Goteborg e a Taça das Taças (e Supertaça Europeia) com a Lazio; foi finalista vencido da Taça UEFA e Taça dos Campeões Europeus com o SL Benfica. Porém, desde a sua saída do clube laziale para o comando técnico da Selecção Inglesa, Sven nunca mais se encontrou com o sucesso, muito por culpa de Luiz Felipe Scolari, que por três vezes (uma com o Brasil e duas com Portugal) o atirou para fora de grandes competições, sempre nos quartos-de-final. Além da Selecção Inglesa, Eriksson foi também infeliz ao serviço de Man City, Mexico e Notts County (como Director Desportivo). É também conhecido o seu gosto por mulheres (e por dólares), o que motivou alguns escândalos, principalmente nos tablóides ingleses.

Na Costa do Marfim, procurará juntar ao imenso talento que existe uma identidade táctica, o que não se viu durante a última CAN. Caso consiga fazê-lo, os "Elefantes" poderão ser a grande surpresa da competição e chegar bastante longe. Para já, a grande alteração que se vislumbra é a passagem do habitual 4-3-3 de Halihodzic para um 4-4-2 com Drogba e um acompanhante no ataque. De salientar ainda a inclusão do seu antigo adjunto Toni na equipa técnica costa-marfinense, como observador dos seus adversários (entre os quais Portugal).


Passemos então a analisar as escolhas do sueco para a África do Sul:

O dono da baliza deverá ser o experiente Boubacar Barry Copa (Lokeren). A ele, juntar-se-ão Zogbo (Maccabi Netanya), que actua no campeonato israelita, destino priveligiado para alguns guarda-redes africanos e Yeboah (ASEC Mimosas), o único dos convocados que actua na Costa do Marfim. Na minha opinião, a baliza deverá ser o ponto fraco desta Selecção, pois nenhum destes três guarda-redes está entre os melhores do Mundo (nem do Continente africano). De fora ficou Angban (ASEC Mimosas).

Na defesa, ao contrário do que acontece na maioria das Selecções africanas, existe bastante qualidade. Emmanuel Eboué (Arsenal) é o lateral direito e a sua enorme capacidade física permite-lhe fazer todo o corredor. O jogador nascido em França - Guy Demel (Hamburgo) é uma alternativa válida não só para este lugar mas também para o meio-campo. No centro Kolo Touré (Man City) é um dos mais importantes jogadores da equipa e tem lugar assegurado no onze titular. Ao seu lado deverá estar ou Siaka Tiené (Valenciennes) ou Gohouri (Wigan). Angoua (Valenciennes) parte em desvantagem. Para o lado esquerdo, existem também duas boas alternativas: Souleymane Bamba (Hibernian) e o "Roberto Carlos africano" (1,66m) Arthur Boka (Estugarda), campeão alemão em 2007, disputarão este lugar, com vantagem para o segundo. Ficaram de fora Meité (WBA), Djakpa (Hannover 96) e Marc Zoro (Vit. Setúbal).

No meio-campo, Eriksson tem também muito por onde escolher quando tiver que construír o seu "onze". Yaya Touré (Barcelona) é uma das maiores estrelas costa-marfinenses, mas na Selecção desempenha funções um pouco diferentes daquilo que faz no Barça, tendo maiores responsabilidades na construção de jogo. Ao seu lado deverá estar Didier Zokora (Sevilla), o jogador com maior número de internacionalizações de sempre na Costa do Marfim. Nas alas, ainda existem algumas dúvidas. Salomon Kalou (Chelsea) também pode ser utilizado como avançado, mas acredito que jogará mesmo como extremo. A acompanhá-lo deverá estar Gervinho (Lille), que fez uma grande época, ou Kader Keita (Galatasaray), que embora muito talentoso, tarda em exibir maior regularidade. Ao dispôr do técnico sueco estão ainda Gosso (Monaco), Romaric (Sevilla), Emmanuel Koné (Arges) e o "muro" Cheik Tioté (Twente), campeão holandês em 2010. Tanto Romaric como Tioté podem disputar o lugar de Zokora, sendo que o jogador do Sevilla pode também jogar à esquerda da zona intermediária. A ver o Mundial pela televisão ficaram Akalé (Lens), Faé (Nice) e Lolo (Monaco).

No ataque, já se sabe, a qualidade é imensa. Didier Drogba (Chelsea) é um dos melhores pontas-de-lança do Mundo e é o capitão de equipa. Da forma como recuperará da recente fractura que sofreu no braço, poderá depender a prestação dos "elefantes" na África do Sul. Ao seu lado, penso que Eriksson apostará em Seydou Doumbia (CSKA Moscovo), colocando Kalou como extremo. Este jovem avançado brilhou recentemente ao serviço do Young Boys da Suiça, marcando 50 golos em 64 jogos, de todas as formas e feitios. Esta marca incrível não passou despercebida aos olhos dos russos do CSKA que o adquiriram o seu passe no final desta temporada por 10M€ (chegou a dizer-se que o Chelsea estaria disposto a oferecer 22M€). Tem potencial para ser a grande revelação deste Mundial. O último convocado é Aruna Dindane (Lekwiya), o carrasco do SL Benfica quando actuava no Anderlecht. De fora ficaram nomes como Bakary Koné (Marseille), Didier Konan (Hannover 96) e Sanogo (Saint-Etiénne).


No Mundial, a Costa do Marfim estará inserida no Grupo G, o "grupo da morte", juntamente com Portugal, Brasil e Coreia do Norte. É interessante verificar que já em 2006 estava inserida no grupo mais difícil, com Argentina, Holanda e Sérvia e Montenegro. Na África do Sul, com esta abundância de qualidade, os costa-marfinenses poderão ter uma palavra a dizer frente a qualquer equipa. Porém, penso que não conseguirão superar a fase de grupos, o que é uma pena, pois nos oitavos-de-final, estarão certamente equipas mais fracas do que esta.

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A época de 2010/11 começou em grande. ( Parte 1)

Boa tarde a todos, em especial aos que gostam das cores que eu defendo

A época de 2010/11 começou em grande.

Na Tribuna VIP do estádio do dragão, completamente à pinha entre imprensa nacional e internacional, todo os dirigentes do clube e da SAD, com excepção de Vítor Baia, equipa técnica e demais funcionários, foi feita a apresentação, daquele que esperamos ser uma lufada de ar fresco no panorama do Futebol clube do Porto.
Entre várias afirmações que o novo técnico emitiu, ouve algumas que nos deixaram de agua na boca. Eu escolho a que ele diz que neste clube, a vencer desde 1893, ele quer continuar nessa senda vitoriosa. Nota-se que ele teria um discurso prévio, que haveria respostas preparadas para certas perguntas, como as sobre a idade, que ele contornou falando de experiência e competência, sobre a análise de jogadores que poderiam ser contratados, e que ele respondeu que poderia ter alvos concretos para preencher lacunas, que ele poderá já ter encontrado mas não as revelou.
Pareceu-me que esteve à atura nesta sua primeira aparição como treinador do clube, embora, certamente que ele vinha com um discurso preparado, pois as perguntas não fugiriam muito do que se estava à espera.

Agora, consumada a saída do professor Jesualdo Ferreira resta-nos agradecer o que de bom ele fez. E fez muito, principalmente para os cofres da SAD. Teve coisas menos boas, entre algumas derrotas copiosas. Mas, no balanço final, temos muito que lhe agradecer, e por isso, num futuro post, iremos recordar os seus momentos mais importantes e marcantes na história do FCP.
Em relação ao André Villas-Boas, portista e sócio do clube desde os seus 2 anos, conhece a estrutura do clube há 15 anos. Entrou no clube pela mão do saudoso Bobby Robson, tendo a partir daÌ avançado etapas atrás de etapas, e com um acompanhamento dos melhores do mundo. Ele fez durante alguns anos, o trabalho que pouca gente gosta, pois é o trabalho discreto que não é reconhecido pelo publico em geral. Mas ele sabia que poderia atingir os seus objectivos de chegar a treinador principal, subindo esses degraus de maneira segura. Quando me falam que ele é novo, de facto tenho que reconhecer que é, mas, quantas pessoas estão habituadas a trabalhar em clubes de grande exigência durante 15 anos?
Se é arriscado o FCP contratar um treinador com poucas, ou mesmo nenhumas provas dadas, talvez seja. Ms por isso, talvez valha a pena correr esse risco, que eu considero mínimo, e a história recente do FCP, demonstra que nos damos bem com treinadores com pouco currículo. Em casos nacionais aponto 2: Artur Jorge e Mourinho. O 1º treinou o portimonense ( que sado o regresso ao escalão maior ) antes de vir treinar o Porto. Teria currículo para um grande? Bem, foi bicampeão e campeão europeu! Do 2º, Mourinho, todos sabem o que se passou.

Do ponto de vista de um portista, é de facto muito gratificante e tem um sabor muito especial, termos um treinador portista. Não existirá a desconfiança levantada por um treinador com passado benfiquista. Treinar a Académica e o Porto, é de facto bem diferente. As exigências são muito maiores, assim como a cobrança. Mas, ele no coração dos adeptos tem um maior voto de confiança do que os outros treinadores, pois além de ser novo é PORTISTA! Não esperamos que ele seja um clone de Mourinho ou Bobby Robson, mas que ele vibre com as vitorias do Porto de uma maneira diferente, pois também as sentirá como adepto. … de facto óptimo sabermos que o nosso treinador dará tudo pelo clube, pois é o clube dele, profissionalmente e dele de coração.
Esta será de facto uma grande vantagem dele relativamente ao seu antecessor.

Como esquema táctico de eleição, todos esperamos um 4-3-3, esquema utilizado em todas as equipas desde as escolinhas, ser· mais uma continuação do bom trabalho. Esta mudança de treinador, não será por isso uma ruptura mas, isso sim, um novo alento e uma brisa no clube e nos adeptos.

Bem haja André Villas-Boas! Muitas Felicidades!


Por Emanuel Ribeiro e Joaquim Santos

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Ponto de Situação

A Selecção Nacional aterrou ontem na África do Sul e desde logo se viu mergulhada num tremendo apoio dos emigrantes.
O afastamento do povo parece não ter sido assim tão dramático como alguns proclamavam. Até ao momento Carlos Queiroz, para além de ter criado um bom espírito de grupo, parece ter cativado finalmente uma parte dos adeptos.Trivialidades à parte, nestas 3 semanas de preparação ainda em solo luso já foi possível perceber melhor algumas das escolhas do seleccionador, concluir algumas das suas preferências e observar a (boa) forma de alguns jogadores.
Depois dum segundo jogo de preparação em que as coisas já correram um pouco melhor (e em que a obrigação de vencer foi cumprida), a confiança parece estar a crescer no seio do grupo. Os jogadores já apareceram mais soltos e a praticar um futebol bastante melhor e mais colectivo.
Penso que mais uma vez ficou bem patente a vantagem de termos jogadores bastante versáteis do meio campo para a frente. Pessoalmente prefiro jogar com uma referência na área, mas não foi pela saída de Liedson que deixámos de criar boas oportunidades de golo e de marcar (grande golo de Nani a passe de Cristiano Ronaldo). Quanto a mim o jogo com Camarões, entre outros aspectos, foi positivo para experimentar sistemas alternativos ao 4-3-3 clássico.

A nível individual, na minha opinião Deco foi o que mais se destacou até agora. Depois de uma época com altos e baixos, o nº20 parece estar de volta à sua grande forma. Grande jogo diante dos Camarões.
Na defesa, contrariamente às opções que parecem ser as preferidas do treinador, Miguel parece-me melhor escolha do que Paulo Ferreira neste momento, bem como Fábio Coentrão em relação a Duda. No eixo central a dupla é consensual já estava encontrada há muito, pelo que a recuperação total de Ricardo Carvalho só vem confirmar que temos uma das melhores duplas de centrais da competição.
Uma chamada de atenção para a forma como Rolando foi (mal) batido no golo de honra dos Camarões. Reconheço-lhe potencial, mas tem que ser revista a recorrente falta de concentração do central portista.
Pedro Mendes parece ter assegurado o lugar de trinco (pelo menos enquanto Pepe não estiver com ritmo de jogo – isto se vier a estar em tempo útil) e Raúl Meireles convenceu-me para a posição 8. Embora eu aprecie bastante o futebol de Miguel Veloso nessa posição, penso que a maior experiência e garra de Meireles se devem sobrepor ao talento e potencial de Veloso, pelo menos no primeiro jogo.
Nani (e até eventualmente Danny) mostrou estar uns furos acima de Simão nesta altura do campeonato. Quanto a mim deve ser titular, embora me pareça que isso não vá acontecer no primeiro jogo por precauções defensivas.
Na frente de ataque, Liedson parece também estar a voltar à sua forma. Foram inúmeras as recuperações de bola no meio campo adversário (e algumas delas acabaram por criar oportunidades de golo). Faltou o golo (que está a guardar para os jogos oficiais certamente).

Portugal tem amanhã, às 15h30, mais um treino com transmissão televisiva para o qual foi convidada a Selecção de Moçambique. Devem ter lugar mais algumas experiências e, segundo Queiroz, será o regresso de Pepe à competição.
No entanto, parece-me que entrará de novo em campo o onze preferido do seleccionador neste momento (que, quanto a mim, será o onze que iniciará o jogo diante da Costa do Marfim): 1.Eduardo; 3.Paulo Ferreira, 5.Duda, 2.Bruno Alves, 6.Ricardo Carvalho; 8.Pedro Mendes, 16.Raúl Meireles, 20.Deco; 11.Simão, 7.Cristiano Ronaldo, 9.Liedson.

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Destaques do Mundial: Gokhan Inler

Na Suiça do mítico Ottmar Hitzfeld, um conjunto que prima pela qualidade colectiva, destaca-se aquele que pode vir a ser um dos melhores médio defensivos a jogar na Europa, apresento-vos Gokhan Inler.


Gokhan Inler nasceu em Olten, no Noroeste suiço, a 27 de Junho de 1984 (completará 26 anos na África do Sul), filho de imigrantes turcos. Inler é daqueles "trincos" muito possantes fisicamente, muito agressivo na marcação e no desarme, não tendo uma criatividade por aí além. Medindo 1,83m, é muito eficaz no jogo aéreo, fazendo também uso da sua boa capacidade de posicionamento e sentido colectivo. É uma ajuda importante à defesa, que apoia sempre que necessário, um verdadeiro "tampão" no meio-campo. Além destas boas capacidades de cariz mais defensivo, é eficiente no passe simples e tem uma boa meia distância, apesar de não marcar muitos golos.


Inler deu os primeiros passos no futebol precisamente no clube da sua terra natal, o Olten. Ainda nos escalões jovens mudou-se para o clube da principal cidade do Cantão onde nasceu, o Solothurn. Começando a demonstrar qualidades interessantes é "pescado" pelo Basileia, onde nunca se comseguiu impôr, sendo emprestado ao Schaffhausen. No Verão de 2004, faz testes no Fenerbahce e chega a assinar por 4 temporadas. Contudo, o então treinador Cristoph Daum prescinde dos seus serviços, alegando que o jovem médio não tinha qualidade suficiente. Fica a pergunta: "Em que Selecção jogaria hoje Inler, caso tivesse ficado na Turquia?". Regressa então à Suiça para jogar no Aarau, chegando finalmente à Swiss Super League. Assumindo-se como o patrão do meio-campo do Aarau, faz 3 golos em 25 jogos. Mantém a recta ascendente na sua carreira, transferindo-se logo na época seguinte para o FC Zurich.


A época 2006/2007 é marcante na sua carreira. Logo em Setembro de 2006, entreia-se na Selecção helvética frente à Venezuela, apesar do convite para representar a Turquia. Nesse ano é também um dos maiores obreiros do título de campeão nacional do clube de Zurique. Surge o interesse de alguns clubes "médios" das maiores ligas europeias, nomeadamente do Hertha de Berlin, mas Inler transfere-se para a Udinese, onde jogava já o seu compatriota Igor Djuric.


Desde da época 2007/2008 vai evoluindo na Serie A, sendo hoje em dia uma das referências do meio-campo da equipa de Udine e um dos melhores centrocampistas do Campeonato Italiano. Pelo meio, foi também uma das principais figuras da Suiça no Europeu de 2008, disputado exactamente no "país dos cantões". Curiosamente, a equipa da casa acabou por ser afastada da competição pela...Turquia.


Na última temporada surgiu o interesse de alguns dos maiores clubes europeus no internacional suíço, com Inter, Chelsea, Man City, Napoli e alguns clubes alemães à cabeça. Sendo assim, não será uma surpresa se Inler protagonizar uma transferência de números interessantes após o Mundial.
Na África do Sul, muito do sucesso da Suiça poderá depender do desempenho de Inler, o principal esteio do seu sector intermediário.

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Novo Treinador - André Vilas Boas



Em comunicado enviado hoje à Comissão de Mercado de Valores Imobiliários (CMVM), a SAD do FC Porto informa que "chegou a acordo com André Villas Boas, para a celebração de um contrato de trabalho, como treinador da equipa principal de futebol, para a época desportiva 2010/2011 e 2011/2012".

É oficial a informação avançada há já vários dias na imprensa nacional. Vilas Boas sai da Académica de Coimbra (11.º classificado em 2009/2010) para suceder a Jesualdo Ferreira no Dragão.

O antigo adjunto de José Mourinho torna-se agora no mais jovem treinador a assumir o comando dos "azuis e brancos", depois de ter estado a um passo de ingressar no Sporting em Novembro do ano passado.

A apresentação do treinador e restante equipa técnica está agendada para sexta-feira, às 13h00, na Sala VIP do estádio do Dragão, informa o site do clube.

Após a apresentação oficial e primeira conferência como treinador do Porto darei a minha opinião, e sinceramente, só ai poderei ver se A.V.B tem o estofo necessário.

Mas uma coisa é certa, a partir deste momento, André Vilas Boas é o homem certo para o cargo, se é ele o nosso timoneiro, é nele que contamos, vários nomes vieram à baila, mas se ele foi o escolhido, nele depositamos a nossa confiança.

Pelo menos um ponto positivo, tens o Dragão no teu coração. Serás mais um de nós, não só vibrarás com os sucessos/insucessos do ponto de vista profissional mas também do ponto de vista do adepto.

André, estamos contigo.

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E o campeonato começou...


Não é equivoco..o titulo está correcto!
Apenas para aqueles que andam distraídos é que não se desse facto. Ainda a bola não rola no campeonato 2010/2011 e já o F.C.P está largamente em vantagem.

O gesto de charme feito por Pinto da Costa foi sublime..convidar Jorge Jesus para assistir na bancada presidencial quando este iria ver o jogo na bancada central do Jamor foi um golpe em surdina perfeito.

Pinto da Costa nunca o escondeu, Jorge Jesus nunca o negou. O técnico em tempos fora uma opção para treinar o F.C.P no entanto tal "casamento" não se veio a verificar, no entanto a relação de amabilidade reciproca nunca saiu afectada.

Agora do ponto de vista estratégico, pensemos..como reagiria se visse Jesualdo Ferreira (ex-técnico do Porto) a ver um jogo do seu directo rival com o presidente deste? Acha que a nivel interno tal facto seria bem recebido dentro do F.C.P? A resposta é óbvia!

Acha que Luis Filipe Vieira encarou bem este facto? Como é lógico não! Que é que poderia fazer? Nada...foi obrigado a engolir!

Mais nítido foi a discordância e a total falta de comunicação entre treinador e presidente.

Quanto questionado se Quim ia sair, Jorge Jesus foi claro, confirmou esse facto, no dia seguinte a mesma pergunta agora a Luis Filipe Vieira, e a resposta? Completamente diferente! Das duas uma, ou o treinador decide e o presidente em nada tem a ver com o plantel ( o que não excluo pois penso ser o correcto, no entanto, o presidente não deve procurar os holofotes falando do que não sabe), ou o director de futebol não informou o seu presidente, ou pura e simplesmente não há contacto entre treinador e presidente...

De estranhar o facto de Luis Filipe Vieira ser inocente ao ponto de "cair" na pergunta...vou corrigir, não é inocente, mas sim distraído, afinal, o seu treinador tinha dado uma entrevista em que publicamente tinha afirmado aquela questão, por fim, permitam-me nova correcção, não é distraído, mas sim...desinteressado naquilo que o seu treinador tem ou não para dizer.

Terá a jogada de mestre do Presidente do F.C.P despoletado estas situações?


Quanto ao novo treinador do Porto? É claro e evidente que o Porto já o escolheu e que este já trabalha ao serviço do Porto...no entanto, porque não o divulgar? Inverto agora o raciocínio, qual a vantagem de o divulgar? Neste momento não se fala em dispensas do plantel do Porto, não se fala em compras, vendas, o plantel está completamente protegido, fora dos media, fora de especulações! No Reino do Dragão monta-se uma equipa vencedora, e meus caros amigos, o segredo sempre foi a alma do negocio. Finalmente se nota uma atitude à Porto.

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Os Vikings de Olsen



Longe de ser um peso-pesado do futebol mundial, ou sequer do europeu, a verdade é que a simpática Dinamarca tem, desde os anos 80, melhorado a sua performance enquanto selecção nacional - desastrosa até aí, sem nenhuma presença em Mundiais - e construído grupos razoavelmente fortes, nomeadamente a geração de ouro que em 1992 ganhou o Europeu da Suécia (Schmeichel, o génio Michael Laudrup, seu irmão Brian, Kim Vilfort, Jens Jensen, Povlsen...) e em 1995 a 1ª edição da Taça das Confederações.

No que toca a classificações no maior certame futebolístico internacional, em 1986 e 2002 conseguiu chegar aos 1/8 de final e em 1998, na sua melhor prestação, perder apenas nos 1/4 para o depois finalista vencido Brasil, por 3-2. Como se vê, está longe de ser uma história rica, mas também quando se qualificam não envergonham o país e passam a fase de grupos. Este ano, num grupo com Holanda, Camarões e Japão, há boas possibilidades de isso acontecer, embora eu pessoalmente - mais ainda depois de ler a crónica abaixo do meu colega Tomás Pipa - creia que Etoo & Cia. têm mais futebol e que por isso deverão garantir a 2ª vaga atrás da Holanda.


Um ponto importante a favor dos nórdicos é a estabilidade. O lendário e super-popular Morten Olsen lidera a selecção desde 2000 e a sua liderança é incontestável. Olsen deve o seu estatuto, diga-se, muito mais à carreira que construiu como jogador do que como treinador. Considerado o melhor jogador dinamarquês de sempre, marcou uma era como líbero ou médio defensivo nos anos 70 e sobretudo nos eighties, com 102 internacionalizações, 50 das quais como capitão. A nível de clubes jogou no obscuro B 1901 na Dinamarca antes de ir para o futebol belga: Brugge, Molenbeek e sobretudo o então fortíssimo Anderlecht (estava na equipa que em 1983 derrotou em duas mãos o SL Benfica na final da Taça UEFA) beneficiaram do seu talento, classe e capacidade de liderança. Como Petit e Maniche, não quis pendurar as botas antes de fazer uma perninha no Colónia, com a diferença de que esta era na altura uma equipa muito mais poderosa do que é hoje (fez 2º e 3º na Bundesliga nas duas épocas que lá esteve).

Mas o que conta é o presente e Morten Olsen anunciou ontem os 23 eleitos para a África do Sul. Na baliza, sem surpresa temos o veterano Thomas Sorensen - guarda-redes que sempre apreciei pela boa carreira na Premier League e que permitiu uma sucessão de qualidade depois do abandono do monstro Schmeichel -, secundado por dois guardiões de equipas locais, Stephen Andersen (Brondby) e Jesper Christiansen (Copenhagen). Outro guarda-redes a jogar no futebol nórdico, Kim Christensen (Goteborg), conseguiu entrar na lista de 26 pré-convocados mas foi, como esperado, descartado na última triagem.

Na defesa, provavelmente o sector mais forte desta selecção (apenas 5 golos sofridos em 10 jogos no grupo 1 de qualificação, onde estava também Portugal), Lars Jacobsen, jogador com experiência internacional sólida (Hamburgo, Nuremberga, Everton, hoje no Blackburn Rovers), embora nem sempre com grande utilização, deve ocupar a lateral direita, com o polivalente William Kvist (Copenhaga), que até é de raiz um médio, à espreita de um lugar ao sol. A defesa esquerdo, Simon Poulsen, campeão holandês pelo AZ Alkmaar em 2009, será o escolhido, a não ser que a boa época de Patrick Mtiliga no Málaga chegue para ser titular.

No centro da defesa, a dúvida instala-se. Daniel Agger, do Liverpool, um central com um pé esquerdo notável (que o diga o Benfica), é o mais cotado e jogará naturalmente. Ao seu lado, perfila-se Simon Kjaer, que no Palermo assinou uma época de grande qualidade. 35 jogos na Serie A (2 golos), pátria de centrais experientes e normalmente veteranos, é fantástico para um jovem estrangeiro de apenas 21 anos. Construiu uma excelente dupla com Cesare Bovo, pela qual passou, em parte, o excelente 5º lugar da equipa de Miccoli no campeonato. Há também, no entanto, outro bom central a alinhar no futebol italiano. Per Kroldrup (Fiorentina) alinhou em 25 jogos este ano - também com 2 golos - mais 5 na Champions, o que, aliado aos seus 30 anos, lhe confere grande experiência. Não sei até que ponto, por forma a ter uma defesa fortíssima, Olsen não pensará em desviar Agger para a lateral esquerda, que conhece bem, formando então Kjaer e Kroldrup a dupla de centrais.


No meio-campo - e recordo que a Dinamarca joga há anos em 4-4-2 clássico - a dupla de pivots no centro deverá ser ocupada pelo indiscutível Christian Poulsen (fez os 10 jogos da qualificação e 25 partidas na Serie A apesar de uma época globalmente fraquinha), 30 anos, jogador com traquejo internacional ao serviço de Schalke, Sevilha e Juventus, tendo ao seu lado, expectavelmente, Daniel Jensen. No entanto, a época pobre deste médio do Werder Bremen, não muito utilizado na Bundesliga e competições europeias, pode levar a que haja outra opção. Jakob Poulsen (Aarhus) jogou tanto (6 desafios) como Jensen na qualificação e aparenta ser uma alternativa viável.

Há também outras soluções. Desde logo, Thomas Kahlenberg, 27 anos, outrora uma grande esperança do futebol local. Trata-se de um médio de características mais ofensivas que os referidos acima e que, depois de 4 épocas bastante positivas no Auxerre, se transferiu esta época por €4 M para o Wolfsburgo, onde no entanto, dada a concorrência do bósnio Misimovic e uma arreliadora lesão, pouco tem podido jogar. A nível de selecção, foi nos sub-21 eleito para a equipa ideal do Euro-2006 e jogou, na selecção sénior, o Euro-2004 em Portugal. Depois de uma longa ausência, voltou para a selecção durante a qualificação para o Mundial 2010, fazendo 3 jogos e um golo fundamental, o da vitória fora sobre a Suécia há cerca de um ano. Outro Thomas, Enevoldsen (Groningen), é um miúdo de 22 anos que, como tantos dinamarqueses ao longo da história, foi jogar para a Holanda este ano e teve uma época razoável, marcando 6 golos em 19 partidas na Eredivisie. E por falar em ir jogar para a Holanda, apresento-vos aquele que é actualmente considerado a maior esperança do futebol dinamarquês: Christian Eriksen, 18 anos feitos em Fevereiro, assinou por € 1 M no início deste ano pelo Ajax de Martin Jol, o qual, tal como Van Basten, já o comparou aos dois últimos grandes nº 10 a sair da cantera do clube de Amesterdão: Sneijder e Van der Vaart. Eriksen jogou pouco mas já renovou até 2014. A sua convocatória deve ser um pouco como Ronaldo no Brasil de Parreira em 1994, ganhar experiência nas grandes competições mas sem jogar ainda.


Relativamente a uma posição com grande tradição no futebol deste país, a de extremo, apresentam-se como sempre várias opções. Dennis Rommedahl, apesar de ouvirmos falar dele desde os anos 90, "ainda" só tem 31 anos e voltou a assinar uma boa época, contribuindo com 8 golos para a maior máquina atacante que a Europa conheceu este ano, o Ajax - que curiosamente nem conseguiu ser campeão, perdendo para o Twente de Steve McLaren. Jogará à direita certamente. Do lado esquerdo, uma luta entre 2 veteranos: Jesper Gronkjaer (Copenhaga) e Martin Jorgensen (Fiorentina). Ambos excelentes jogadores mas a caminho da reforma, aposto no segundo, pois foi mais utilizado na qualificação e por ainda jogar com alguma regularidade na Fiorentina (fez 18 jogos entre liga e Champions). Uma quarta opção, algo surpreendente, foi a chamada de Mikkel Beckmann, 26 anos, cuja boa época na liga doméstica ao serviço do Randers lhe garantiu o passaporte para o Mundial. Ganhou a corrida a Silberbauer (Utrecht) e Michael Krohn-Dehli (Brondby), que estavam também nos pré-convocados.

Na frente de ataque, três galos para dois poleiros. A referência principal é hoje Niklas Bendtner, o gigante do Arsenal que continua sem convencer os críticos - entre os quais o autor deste artigo - da sua qualidade. Ou melhor, qualidade ele tem alguma, mas não para um dos big-four de Inglaterra; podia compensar o facto de ser trapalhão (nem é propriamente tosco) se marcasse muitos golos, mas esta época voltou a fazer apenas 11 tentos na Premier e LC. Reconheço que melhorou muito, contudo, na influência na equipa, e tem um remate de pé direito muito forte. Ao seu lado deve alinhar Jon-Dahl Tomasson. O homem que um dia esteve a um passo da Luz construiu uma carreira de sucesso em clubes como Feyenoord (Taça Uefa ao lado de Van Hooijdonk), Milan, Estugarda ou Villareal, e voltou a Roterdão em 2008 para assinar duas épocas regulares no principal clube da cidade, tendo agora sido mais uma vez chamado a emprestar a sua classe à selecção. Finalmente, há ainda Soren Larsen, avançado de bons recursos, com 11 golos em 17 jogos pela selecção. Depois de boas épocas no Schalke entre 2005 e 2008, foi para o Toulouse onde quase não jogou e este ano foi emprestado ao Duisburgo da Alemanha.

Em suma, Morten Olsen parece apresentar, à partida, uma selecção equilibrada, com vários jogadores para cada posição, sendo que a veterania de algumas das maiores referências poderá ser um óbice; da minha parte, espero o futebol agradável habitual, resta saber se com poder ofensivo suficiente para incomodar as selecções mais fortes.

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Destaques do Mundial: Javier Pastore

Depois de Kempes, Maradona, Ortega, Riquelme e Aimar, surge já no horizonte do futebol argentino, aquele que promete ser o herdeiro natural da posição de 10 da albiceleste, Javier Pastore.

Javier Matías Pastore, El Flaco, nasceu a 20 de Junho de 1989 (fará 21 anos durante o Mundial) na cidade de Córdoba, no interior argentino. Pastore é um 10 clássico. Tem a criatividade, visão de jogo e capacidade de passe de Riquelme, a técnica e a inteligência de movimentos de Aimar, o rasgo e a frieza na finalização de Ortega. É também excelente na ocupação dos espaços, o que o torna útil na manobra defensiva, apesar de ter pouca capacidade de choque, a sua maior debilidade juntamente com o seu fraco jogo aéreo. É um jogador que não precisa de ter a bola para fazer a diferença, apesar de ser fortíssimo na circulação de bola, pois faz muitas vezes uso das sua excelente movimentação para abrir espaços para os seus companheiros. Tem também uma meia distância perigosíssima e sabe descair nas alas e cruzar com precisão. Falta-lhe a consistência que adquirá com o acumular dos anos.


Pastore começou a sua ainda curta carreira ao serviço do seu clube de coração, o Talleres, após ter sido sugerido pelo seu professor de educação física e treinador de basket. Na sua época de estreia, fez apenas 5 jogos na segunda divisão argentina. Foi então emprestado ao Huracán, onde foi peça fundamental (juntamente com Bolatti e De Federico) na excelente e surpreendente época do clube, que perdeu o título na última jornada para o Vélez. Pastore foi o melhor marcador da equipa, com 7 golos. Para a história, fica uma magnífica exibição, coroada com 2 golos, na vitória por 4-0 frente ao River Plate. A Europa era já ali.


Ainda com o Clausura em curso, surge o interesse dos grandes tubarões europeus na aquisição do passe do jovem génio. Foi apontado como sucessor de Lucho no FC Porto, teve o Chelsea e o Milan à perna e recusou o Man Utd, alegando que queria rumar a um clube que lhe permitisse jogar com a regularidade necessária ao seu desenvolvimento. Aos 19 anos, demonstrava já uma maturidade fora do comum. Acabou então por rumar ao Palermo, na altura sob o comando de Walter Zenga.


O início em Itália não foi fácil, pois Zenga raramente concedeu a titularidade ao jovem astro. Com a chegada de Delio Rossi, conquistou a titularidade e tornou-se, juntamente com Miccoli e Cavani, numa das grandes figuras da fantástica caminhada dos sicilianos. Não conseguiu demonstrar na Europa a veia goleadora (marcou 3 golos) que exibiu no seu país natal, mas a dupla de avançados do Palermo deve muito aos seus passes e aberturas de grande nível. Com mais confiança, os golos aparecerão.


Ao serviço da Selecção Argentina participou apenas num amigável com a Catalunha (marcou um golo), no qual convenceu de imediato Maradona a convocá-lo para o Mundial. Já na preparação desta competição, participou na vitória por 5-0 frente ao Canadá. Na África do Sul, Mascherano e Verón têm lugar vago no meio-campo argentino, mas a idade de La Brujita pode abrir espaço para que Pastore brilhe ao mais alto nível, junto de Messi e companhia. É um jogador que deve ser seguido com muita atenção, pois se lhe forem dadas oportunidades poderá tornar-se na revelação deste Mundial.

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Os Leões Indomáveis

Faz este Verão 20 anos que uma selecção africana espantou o Mundo ao passar pela primeira vez a fase de grupos dum Campeonato do Mundo. Em 1990 os Camarões só foram batidos por 3-2 (após prolongamento) pela Inglaterra nos ¼ Final. Desde então, uma equipa africana tem chegado sempre pelo menos aos 1/8 Final. Em 1994 e 1998 foi a vez da Nigéria chegar aos 1/8 Final, em 2002 o Senegal igualou o feito dos Camarões ao também chegar aos ¼ Final e em 2006 foi a vez do Gana se estrear no mata-mata. Este ano o Mundial é em África, terão as equipas africanas mais hipóteses de chegar mais longe?

Os Camarões só conseguiram carimbar o passaporte na última jornada da fase de qualificação da zona africana, após luta intensa com o Gabão num grupo muito complicado onde também estavam o Togo e Marrocos.

Os Camarões são a selecção africana com melhor historial em Campeonatos do Mundo. Tem 5 presenças em fases finais (mais que Portugal) sendo que numa delas chegou aos ¼ Final, tal como o Senegal. Penso que será a selecção africana com mais probabilidades de chegar longe neste Mundial, pois tem um bom treinador e está inserida num grupo que permite sonhar.

Uma das maiores forças desta selecção está no seleccionador, o tri-campeão francês Paul Le Guen. Le Guen assumiu o comando dos Leões Indomáveis em Julho de 2009, assinando um contrato de 5 meses que seria automaticamente renovado caso conseguisse a qualificação para o Mundial, e assim foi. As primeiras medidas de Le Guen enquanto seleccionador foram: recuperar o lendário Rigobert Song para a selecção e entregar a braçadeira de capitão a Eto’o. No currículo como treinador, Le Guen apresenta 3 Campeonatos franceses e 3 Supertaças francesas pelo Lyon e uma Taça da Liga pelo Paris SG.

Apenas um jogador dos Camarões figura na história do Campeonato do Mundial. Roger Milla foi o jogador mais velho a disputar uma fase final de um Mundial com 42 anos e 39 dias em 1994 nos EUA. Nesse mesmo Mundial, Milla bateu também o seu próprio record de ser o mais velho a marcar um golo. Milla marcou o golo de honra dos Camarões na pesada derrota por 6-1 contra a Rússia. Curiosamente, também nesse jogo, Salenko da Rússia, também bateu o Record de mais golos marcados num só jogo, 5. Roger Milla também ficou celebrizado pela forma como celebrizava os seus golos.

Le Guen chamou 30 jogadores para estágio sendo que até ao final do mês, 7 jogadores serão dispensados.Para a baliza, há 4 guarda-redes para 3 vagas. Kameni (Espanyol) será o guarda-redes titular. Kameni é provavelmente o melhor guarda-redes do continente africano e curisamente já marcou um golo pela selecção. Apesar de ser considerado, a par do egipcío El Hadary, o melhor guarda-redes africano, Kameni também sabe dar frangos (e de que maneira!). É um guarda-redes com muito instinto e bons reflexos, o que me faz lembrar o saudita Al Deayea. Hamidou (Kayserispor), colega do nosso conhecido Makukula, será aos 37 anos o principal suplente de Kameni. Assembe do Valenciennes deverá ser o 3º guarda-redes. Tignyemb (Bloemfontein Celtic) também tem esperanças de ser convocado e tem a seu favor o facto de ser um dos melhores guarda-redes a actuar no campeonato da África do Sul.

Na defesa, os dois centrais titulares já estão escolhidos. N’koulou (Mónaco) é uma das maiores promessas da actualidade com apenas 20 anos e será certamente muito falado após este campeonato. A acompanhar N’Koulou estará o veteraníssimo Rigobert Song (Trabzonspor) que aos 33 anos fará o seu 4º Mundial (1994,1998 e 2002). Bassong (Tottenham) será a 3ª escolha para central, mas não está de parte colocada a sua utilização como lateral-direito ou médio-defensivo. Boukar (Al Nahda) e o jovem alemão Matip (Schalke 04) lutam entre si por uma vaga. Na lateral-esquerda, dois jogadores deverão estar só à espera da confirmação de Le Guen: Ekotto (Tottenham) e Bong (Valenciennes). Para a direita, apesar de não haver nenhum jogador de raiz, há várias soluções: ou Bassong joga como lateral-direito ou faz mesmo de 3º central, ou joga Geremi a defesa-direito. No caso de Le Guen apostar em três centrais, Enoh e Geremi são candidatos a fazerem a ala direita. Bikey (Wigan) fica de fora por lesão. Por opção ficam de fora os laterais-esquerdos Womé (Colónia) e Atouba (Ajax)

No meio-campo camaronês há alguma qualidade. O trinco Alex Song (Arsenal), sobrinho de Rigobert Song, é uma das estrelas desta selecção e será titularíssimo. Makoun (Lyon) deverá jogar à frente de Song juntamente com Mbia (Marselha). Geremi (Ankaragücü) deverá ser usado como defesa direito, mas também pode jogar no meio-campo, tanto no centro como na direita. Enoh (Ajax) é um extremo direito promissor e também não deve ver o seu lugar ameaçado nos 23. N’Guemo (Celtic) é um médio-defensivo. Obviamente que não tem qualidade para lutar com Song pelo lugar, mas caso Song se lesione, N’Guemo será a primeira alternativa. Emana (Bétis) é um dos jogadores mais habilidosos desta selecção, pode jogar nas alas em 4-3-3 ou como nº10 num 4-4-2 losango, é certamente um dos jogadores com mais qualidade desta equipa. Chedjou (Lille) que será um jogador livre no fim do Campeonato do Mundo tentará fazer um grande Campeonato do Mundo para arranjar um bom contrato. No entanto, não deverá sair da sombra de Makoun e Mbia. Mandjeck (Kaiserlautern), Ndzana (Astres), Ndjeng (Augsburg) e Mevoungu (Canon Yaoundé) são os jogadores que estão com o seu lugar mais em dúvida nos 23. Le Guen deixou de fora muitos jogadores conhecidos: Djemba-Djemba (Odense), Epalle (Bochum), Binya (Neuchatel Xamax), M’Bami (Almería), Kome (Tenerife), Essame (Terek) e Frank Songo’o (Real Sociedad).

Para o ataque, os Camarões contam com a sua estrela Samuel Eto’o (Inter). Eto’o é Tetra-Campeão europeu de clubes, Bi-Campeão e melhor marcador da história do CAN e Medalha de Ouro nos Jogos Olímpicos de Sydney em 2000. Webó (Mallorca) é o segundo jogador mais sonante deste ataque, mas está longe de ter a qualidade de Eto’o. Idrissou (Friburgo) aos 30 anos deverá ser a terceira escolha para ponta-de-lança e o último avançado a ter o seu lugar garantido. Abubakar (Cotonsport) de 18 anos, Kouemaha (Club Brugge), Zoua (Basel) e Moting (Nuremberga) lutam pela 4ª e 5ª vaga (se houver). De fora ficaram nomes como os de Meyong (Braga) e o do experiente Desiré Job (Lierse).

Os Camarões estão no grupo E. Se apresentarem um bom futebol, não deverão ter dificuldades para superar a Dinamarca e o Japão. A minha aposta é que passa os grupos à frente da Dinamarca e atrás da Holanda e caia nos 1/8 Final perante a Itália.


Os prováveis 23: Kameni, Hamidou e Assembe; Geremi; Bassong, Song, N’Koulou, Matip; Ekotto e Bong; Makoun, Alex Song, Mbia, Mevoungu, Chedjou, N’Guemo, Mandjeck, Emana, Enoh; Eto’o, Webó, Idrissou e Zoua.

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