Também ia escrever um post sobre a qualidade da Liga, mas como o Duarte já o fez direcciono antes o meu olhar antes para a análise das partidas dos três grandes e dos seus casos. Tudo na mesma entre eles depois da 1ª jornada da Liga Sagres. O estranho é que estejam em igualdade...mas com um ponto.

- No Sábado, o Sporting empatou na Choupana com o Nacional. Num jogo de fraca qualidade, a equipa de Paulo Bento – na bancada – fez (mais) uma primeira parte paupérrima; o técnico voltou a tentar mudar de sistema e jogar mais aberto do que o losango habitual, num 4-3-3 com Rochemback, Moutinho e Veloso a meio campo, Djaló a extremo-direito e Liedson e Postiga alternando o eixo do ataque com a faixa esquerda. Para tal abdicou da criatividade de Matias Fernandez, que entrou demasiado tarde no jogo e ainda produziu alguns resultados. Do Nacional também não se pode dizer maravilhas: forte defensivamente, como é seu timbre (praticamente a jogar com cinco defesas) e apanágio das equipas de Manuel Machado, tentava explorar o contra-ataque através de João Aurélio e Amuneke mas sem grande sucesso. Os processos são semelhantes aos da época passada mas sem Alonso, Nené ou mesmo Mateus perde-se muito da qualidade extra da equipa. A verdade é que controlou o jogo no meio campo com relativa facilidade, em especial graças à magnífica exibição de Leandro Salino, e acabou por obter um golo mais ou menos caído do céu – que no caso do Sporting normalmente, e ontem mais uma vez, se pode traduzir por “Polga”.
No segundo tempo, mais Sporting e menos Nacional. Os verdes melhoraram, em especial com as entradas de Vukcevic e Matias e com o consequente regresso ao losango habitual, que os jogadores conhecem muito melhor. O Nacional falhou a chance de matar o jogo e depois, como sempre acontece nas equipas portuguesas que continuam a usar velhas tácticas do ferrolho sem ponta de lança para segurar jogo e os centrais adversários na frente (a capacidade de retenção de bola do Amuneke e do esloveno que entrou, o Pecnik, roçou o miserável), recuou em demasia; grande pressão do Sporting, ainda que desorganizado (incrível ver como certos jogadores têm que fazer três e quatro posições diferentes por jogo, eu sei que polivalência é um princípio apreciável mas não em demasia...), com um golo (bem...de pura sorte, mais uma vez) e uma ou outra oportunidade para chegar à vitória. Não se vê como o Sporting neste momento pode sequer atrapalhar a Fiorentina, a não ser pelo facto de a Fiore ter menos ritmo competitivo.
- Domingo, Porto e Benfica. Em Paços de Ferreira um jogo interessante, na minha opinião, e ainda à luz do dia a lembrar tempos idos do futebol tuga. O Porto continua a anos-luz do que pode fazer, pese embora a táctica ter sido mais adequada do que na Supertaça, com a saída do Varela e entrada de Farías para o eixo. O Paços complicou e muito, também se apanhou a ganhar com muita sorte mas depois jogou de igual para igual, bem organizado tacticamente e de novo com William e Cristiano a causarem problemas na frente. Poucas jogadas bem construídas pelo Porto na 1ª parte, e aquelas que surgiram foram sobretudo iniciativas individuais (brilhantes) do Belluschi. Vai ser difícil para o Porto adaptar-se à realidade de Belluschi vs Lucho, jogadores muito diferentes, e não sei até que ponto o rendimento colectivo do meio-campo se irá aproximar da máquina que era, mas que o ex-Olympiakos nos vai oferecer momentos de puro deleite, vai. E atenção, não é nenhuma vedeta no mau sentido da palavra, é um jogador muito objectivo, produtivo e inteligente. Por outras palavras, se vai resultar enquanto peça do relógio não sei, é uma questão mais do foro táctico – o Porto pode eventualmente perder colectivamente, ou até talvez não, a ver vamos - mas individualmente será sempre um grande destaque. E se se fala muito de como o Porto bem vende, este é um caso em que posso estender os elogios à compra: 5 milhões parece-me baratíssimo para a qualidade do argentino. Voltando ao jogo, além desses momentos de Belluschi pouco fez o Porto, sobretudo porque a meio-campo está com dificuldades em garantir recuperações de posse da bola tão rapidamente como fazia na época passada, com os problemas de controle do jogo a isso inerentes. Raúl Meireles - para mim provavelmente o melhor jogador do último campeonato - está muito longe da forma habitual e mesmo Fernando....com isso a equipa ressente-se, mas mais tarde ou mais cedo o nível vai voltar a elevar-se. Não podia deixar passar em claro – por razões óbvias – é o péssimo jogo do Álvaro Pereira...acho que vai haver ali problemas.
A segunda parte foi marcada pela expulsão do Hulk. Vai haver muitos problemas com Hulk esta época, porque os árbitros não lhe perdoam ele reclamar publicamente de muitas faltas que não são marcadas (e ele tem toda a razão, diga-se), e vai ser preciso muito trabalho psicológico para ele não perder a cabeça constantemente (e já agora, para se tornar menos individualista, melhorou muito nesse capítulo mas o processo de decisão ainda está muito verdinho...). O Porto fez, como grande equipa que é, o que lhe competia, não se atemorizou e continuou a tentar, dentro do possível, tomar conta do jogo. O Paços também creio que tenha recuado excessivamente, fazendo-se valer da superioridade numérica para ter algumas boas ocasiões (não muito flagrantes) de elevar a contagem. E a verdade é que quem marcou foi mesmo o Porto, num golo à ponta de lança do Falcao, um lance inadmissível contudo do ponto de vista defensivo: dois defesas deixaram que o Fucile, sozinho na direita, conseguisse centrar e depois os centrais não saltaram e ficaram a ver jogar. Acaba por ser um resultado justo, durante a segunda parte parecia que o Paços ia mesmo ganhar mas as equipas campeãs (e o que me custa escrever isto sobre um rival) aparecem, mesmo que joguem mal, precisamente nestas alturas. Daqueles jogos em que se ganha um ponto em vez de perder dois.
Quem perdeu dois...foi o Benfica. Perdeu dois porque falhou, e falhou, e falhou...Agora estou mais calminho mas nunca bradei tanto aos céus como neste jogo. Eu nunca gosto de me desculpar com o azar e mesmo desta vez há falhanços mais por azelhice do que azar (sobretudo os do Cardozo, de que muito gosto mas que esteve muito mal). Mas outros só indo à bruxa. Comparável só o empate a zero com o Boavista em 06/07, jogo em que mandámos três aos ferros e o Peçanha de então se chamava William Andem. Como disse o Jorge Jesus, a sorte procura-se, mas o Marítimo não procurou, teve mesmo vaca.
Primeira parte algo monótona, Marítimo com o autocarro de dois andares a lembrar ao Benfica que uma coisa é jogar com equipas internacionais na pré-época, que jogam o jogo pelo jogo, outra é jogar em Portugal, em que para aí dez em dezasseis equipas só procuram destruir e jogar com o relógio. Não são desculpas nem nenhuma novidade e passa-se o mesmo contra Sporting e Porto, só estou a constatar. Infelizmente o futebol bonito que temos jogado creio que só se vai ver a espaços e sobretudo na Liga Europa, pelo que disse. Mas a equipa mostrou na segunda parte que tem um potencial fortíssimo e que saberá encontrar soluções várias, mesmo para contrariar este tipo de jogo.
Numa das raras incursões atacantes dos maritimistas o David Luiz comete penalty, já depois da lesão do Carlos Martins e do livre à barra do Aimar, e golo para o Marítimo. E o Benfica, embora tivesse reagido bem e pudesse ter empatado até ao intervalo, continuou a sentir dificuldades; nessa fase só o Coentrão parecia estar tranquilo. O descanso fez bem, a equipa veio transfigurada e a segunda-parte foi um...massacre como não se vê muitos por aí. As substituições foram bem feitas, desequilibraram a equipa do Marítimo e geraram oportunidades atrás de oportunidades, um penalty falhado e uma exibição monumental de Peçanha. Weldon e Nuno Gomes entraram muito bem, e mesmo com este azar e Peçanha incríveis, com um Cardozo minimamente normal teríamos ganho por dois ou três. Um reparo ao Jesus, já agora: se, até como ele, JJ, salientou, o Tacuara estava naturalmente em baixo depois das viagens longuíssimas e jogo a meio da semana pelo Paraguai, deveria ter começado no banco. É para isso justamente que serve a nossa abundância de pontas-de-lança. Outro reparo é a aposta em Sidnei: gosto dele mas continua excessivamente...brasileiro. Com isso digo tudo. Deve sair do onze, até para permitir entrar o Shaffer ou o César, quero um defesa-esquerdo de raiz à esquerda, sobretudo agora que também à direita estamos menos agressivos com a lesão do Maxi.
Nota ainda para o anti-jogo do Marítimo, com que o Artur Soares Dias pactou excessivamente; embora aqui a crítica seja toda para os atletas, se simulam lesões claro que o árbitro não é médico mas...o árbitro também não é parvo e deve tentar punir quem está a fazer fita. É que eu juro que nunca tinha visto no mesmo jogo tantas paragens para assistência, e em TODAS bastou o tipo chegar fora de campo para ficar logo bom. Acontece em todos os jogos, mas de facto roçou o escândalo. É um nojo de atitude profissional: não sou ingénuo, quando jogava à bola queimava tempo como todos, mas isto é demais.
Em resumo, depois de ler os blogues e caixas de comentários dos jornais online encontrei os habituais comentários gozões, que já esperava, sobre o Benfica ser sempre campeão de pré-época e depois dar em flop. Quem só viu o resultado pode pensar isso, quem o viu sabe que este ano não vai ser assim. Nunca mais vamos ter tanto azar e se a equipa, treinando com o JJ há apenas mês e meio, já é capaz de fases tão avassaladoras (com boas jogadas, não é desespero com chuveirinho), o futuro será promissor. Mesmo com as particularidades do nosso futebol. E também por causa da mobilização dos adeptos. Durante a segunda parte no estádio vi um inferno que estava perdido, chamem-me lírico (lol) mas naqueles momentos a seguir ao golo do empate acho que o Terceiro Anel voltou a ser o velho Terceiro Anel, que esmagava os adversários e empurra a equipa para a baliza adversária, como o pressing final nos descontos demonstrou.
CASOS DA JORNADA

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Nacional – Sporting:
Erros sem influência no resultado. Só o João Moutinho poderia ter sido expulso na primeira parte mas o segundo amarelo seria sempre muito penalizador, sobretudo quando o primeiro tinha sido ridículo. Se ele fosse expulso era um disparate.
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Paços de Ferreira – FC PortoEste já foi um jogo mais...picante.
- Vamos aos casos: Primeiramente, a expulsão do Hulk, correcta, por acumulação (embora ele tenha sido, segundo o relatório do Carlos Xistra, mesmo expulso). Há quem considere que ele deveria ter sido logo expulso na primeira parte por 2 vezes, mas não concordo: aquela mão na cara do F.Anunciação é uma mão normal de quem está a proteger a bola, o gesto não é ostensivo nem estava a olhar para o jogador do Paços; depois, há uma simulação a meio campo, em que eu acho que apesar de tudo ele leva um toque. E não sendo grosseira seria falta de bom senso expulsá-lo por aquilo.
Depois, há um lance do Falcao que centra e a bola bate no braço do Anunciação na área. Este tinha os braços completamente junto ao corpo, com as mãos atrás das costas (como os defesas fazem muitas vezes para evitar fazer penalty), e a bola foi-lhe ao braço. Eu acho que ele não se mexeu de todo, nem vi quase ninguém falar do lance, só o Guilherme Aguiar (que nisto não me merece a mínima consideração, conseguiu dizer que a tesoura do Hulk nem para amarelo era) é que diz que ele se mexeu todo mesmo assim para lhe dar com o braço. Não é nada.
Temos depois 2 foras-de-jogo mal marcados, um para cada lado, mas com um impacto totalmente diferente...na primeira parte há um marcado ao Hulk, ele nem sequer dominou bem e portanto o lance não se pode dizer com nenhuma segurança, até porque a defesa já se estava a reposicionar, que ia dar em alguma coisa. Já o do último minuto (bastante mais claro até pela forma como se desenrolou o lance) é daqueles que ninguém acredita que foi não intencional: jogador do paços na cara do golo, até fintou o helton e depois é que abranda quando era só encostar, por isso para todos os efeitos é um golo que o Paços ia fazer e lhe foi anulado.
Como esta era a última jogada do jogo, o Porto tem um ponto a mais do que devia.
- Benfica – Marítimo:
Outro jogo quente.
- Penalty do David Luiz bem marcado, ele estava a olhar para outro lado mas isso não interessa, desvia a bola com a mão.
- Paradinha do Alonso. Já pode ser feita.
- Penalty do Saviola bem marcado, falta escusada do Miguelito, há aproveitamento do Saviola mas que houve falta, houve. Também não deu em nada. Devia ter sido repetido por dois jogadores lá entrarem, mas não vou estar a dizer que ele marcava à segunda.
- Penalty do Briguel. Não acho falta ( e o jeito que dava...), é bola no braço e não o contrário. Além disso, não é daqueles lances em que o defesa de propósito tem os braços abertos para aumentar a extensão do corpo, é um carrinho normal em que ele não pode cortar os braços.
- Cardozo e David Luiz. Não acho que nenhum deva ser expulso: Cardozo foi uma falta ostensiva, claro, mas para parar um ataque como tantas vezes como se faz, não por maldade como aqueles toquezinhos no joelho, entrada de pitons levantados ou tesouras por trás, e ninguém costuma ser expulso assim. Também não era lance de perigo. O do David Luiz então não percebo, quando muito amarelo e nem isso, é uma disputa normal nos ares e uma fita descomunal do Briguel como se viu bem nas imagens televisivas (foi só sair do campo e reentrar).
- Anti-jogo do Marítimo. Sinceramente, nunca tinha visto tanto. Num jogo a sério o Peçanha era expulso (ver amarelo aos 85 min é só para gozar com as bancadas) e alguns jogadores do Paços tinham visto segundo amarelo. Como disse sei que um árbitro não é médico e que no caso do guarda-redes o árbitro tem que parar sempre o jogo se ele estiver caído, mas há que ter o mínimo de bom senso e algumas vezes foi demasiado ridículo, só o árbitro fingiu não ver.
Mas descontando isto, e como prometi que só contaria lances graves, acaba por ficar ela por ela. Acho que no cômputo geral com um bom árbitro que deixasse o jogo correr (a propósito, 5 min de compensação apenas??) o Benfica teria ganho, mas para ser consensual creio que se pode dizer que pela arbitragem o resultado é justo.
Como disse no comentário em que lancei a ideia da contabilidade dos erros, isto é passível de ser alterado até á próxima jornada por maioria de opiniões - só as fundamentadas, claro. Para já, Sporting e Benfica saldo nulo, Porto um ponto a mais do que o devido. Mas digam de vossa justiça:)
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