Após uma semana tão agitada na vida do SLB, com apresentações de candidaturas e movimentos, avanços e recuos, e agora até uma providência cautelar para impugnar as eleições, gostava de partilhar convosco um excelente documento em
slideshow, simbolicamente preparado - por contraponto às figuras públicas que têm aparecido nos últimos dias - por um grupo de sócios anónimos do SLB no âmbito das eleições do Clube.
O grupo da Farmácia Franco (local onde se formou em 1904 o Sport Lisboa, que viria a dar origem em 1908 ao SLB) desenvolveu o seu projecto para o Benfica, com propostas muito interessantes, mas destacaria até sobretudo a análise exaustiva e factual que fazem do universo empresarial Benfica, empresa a empresa, e também do que é hoje o futebol em Portugal e no mundo - e para onde ele tenderá a evoluir, nos planos desportivo e económico, com as oportunidades e ameaças que daí advêm para o futuro do SLB.
Mais do que um manifesto de campanha, acaba por ser um óptimo estudo para quem, como eu, pretende conhecer da melhor maneira a realidade do clube para votar em consciência no próximo dia 3. Ou mesmo para quem não é benfiquista mas simplesmente gosta de futebol.
Relativamente aos candidatos conhecidos até agora, estive a ler o Projecto Esperança Encarnada (ver
aqui ) de Bruno Carvalho, em bom Português muita parra (leia-se conversa da recuperação da mística) e pouca uva (com o devido respeito), embora destaque uma proposta que muito gostei: criar um Congresso Anual de jogadores estrangeiros que representaram o clube, por forma a manter uma estreita relação com eles e potenciar a imagem internacional do SLB. Já quanto àquela ideia de fazer do Rui Costa assessor do presidente, qual Zidane em Madrid, não me agrada porquanto haverá sempre, na minha opinião, mais a mais com o peso do Rui Costa, uma sobreposição/conflito de funções com o director-geral.
Claro que depois, com promessas surreais do género despedir Jesus e ir buscar Carlos Azenha (ao que parece tem mesmo cláusula que o liberta do Setúbal se Bruno Carvalho ganhar) em caso de vitória, mais o seu inenarrável
vídeo de candidatura, toda a credibilidade do director do Porto Canal se esfuma.
De LFV ainda pouco tenho a dizer; espero por propostas concretas já que de expressões vãs como "obra feita", "novo ciclo" e pedidos de tempo estou farto. Em princípio terá os meus 5 votos, porque lhe reconheço grande mérito na recuperação financeira, estrutural e de credibilidade do clube, e na luta travada sozinho (depois da saída de Dias da Cunha) contra o sistema e seus tentáculos, mas tenho ainda muitas dúvidas. Não só pelos contínuos falhanços desportivos, como pelos tiques de jogo sujo e baixeza a que não consegue fugir. Ainda hoje veio dizer que o Moniz não pagou quotas de sócio durante 31 anos. A ser verdade, claro que é grave tratando-se de alguém que quase foi candidato, mas o LFV não tinha nada que o vir dizer para a praça pública. Nota positiva para a entrada de Luiz Nazaré para a presidência da AG na lista do actual presidente.

Tivemos depois também o Movimento Benfica Vencer Vencer. Movimento pressupõe uma união e convergência de ideias, vontades e linhas de orientação, mas se olharmos para a amálgama de notáveis (Varandas Fernandes, Rui Rangel, Bagão Félix, etc.), ex-jogadores (Veloso, José Augusto, Mozer, Artur Correia) e ex-dirigentes (João Carvalho, Damásio, Gaspar Ramos, etc.)que por ali polulam a imagem que transparece é de que há mais a separá-los do que a uni-los. E não percebo como permitem que figuras negras do passado como Gaspar Ramos, Vítor Santos (Bibi para os amigos) ou Damásio apareçam, só perdem força com isso.
Quanto a José Eduardo Moniz, é o homem da semana sem dúvida. Eu nem sabia que ele era benfiquista e de repente tornou-se com fortissima probabilidade um futuro presidente do clube. Mesmo no imediato protagonizaria sem dúvida uma candidatura muito forte, mas que em princípio não chegaria, com tão pouco tempo para se preparar e dar a conhecer, para ganhar. Optou assim inteligentemente por não correr o risco de perder e se queimar, mas constituiu-se claramente como alternativa, uma bomba relógio pronta a explodir nas mãos de Vieira daqui a três anos ou até muito antes disso, se desportivamente a míngua de vitórias se prolongar. E, en passant, o homem forte da TVI aproveitou para se demarcar de um Movimento que o apoiou mas ao qual ele não se quer prender. Marcou o território e, como diria Pedro Santana Lopes, vai andar por aí.
P.S. Quique no Braga?!!
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